sexta-feira , 23 outubro 2020
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Colesterol, diabetes e hipertensão, ‘vilões’ que andam quase sempre juntos

Cardiologista Pedro Tozini alerta para tais doenças e dá orientações sobre como fazer a prevenção

Doenças muito comuns no mundo atual, mas talvez um pouco negligenciadas ultimamente por conta do excesso de atenção que as mídias estão dando à Cogid, o diabetes, a hipertensão e o problema do colesterol foram temas abordados pelo cardiologista Pedro Tozini. Em live feita à rádio Difusora FM, com perguntas narradas pelo locutor Ênio Fly, o médico falou desses problemas.

Pedro Tozini começou explicando a ligação entre colesterol, diabetes e hipertensão. “Os três vão estar quase sempre intercalados, dependendo do estilo de vida”, observou. “Eles basicamente andam juntos”.

Pedro Tozini, cardiologista: Prevenção ainda é o melhor dos remédios

Hipertensão

A hipertensão, segundo ele, é geralmente assintomática, mas quando há sinais, estes se manifestam na forma de dor de cabeça (cefaleia), dor na nuca (servicalgia) ou excesso de cansaço. “A maioria das pessoas acaba descobrindo (que tem hipertensão) quando vai levar alguém a algum lugar, como ao Pronto Socorro ou local onde se mede pressão arterial, e pede para medir sua própria pressão, por estar sentindo algum desconforto desses”, explicou.

Eles ressalvou, no entanto, que há fatores que podem afetar a pressão de uma pessoa, especialmente os emocionais, e isso não significará que ela seja hipertensa. “O stress, por exemplo, pode aumentar o batimento cardíaco e, consequentemente, aumentar a pressão”, mencionou. “Ideal é pegar uma pessoa assim e medir sua pressão três vezes ao dia, de manhã, à tarde e à noite. Aí se consegue ver se essa pressão está de fato alta ou não”.

Se houver algum sintoma mais forte e a pressão estiver igual ou maior que 18×10, a pessoa estará realmente com hipertensão. Isso pode ocorrer, conforme o cardiologista lembrou, por fatores genéticos (herança familiar). Ele comenta que a pressão normal é sempre igual ou menor que 12×8, mas mulheres podem ter 11×6 ou 10×6, sendo tais pressões consideradas normais também.

Mudança radical

Caso, porém, seja confirmada a hipertensão em alguma pessoa, Pedro Tozini menciona os passos a serem seguidos: “A primeira coisa a fazer, depois de ir a um cardiologista e passar por algumas investigações, é uma mudança radical no hábito de vida. Há fatores modificáveis e não modificáveis. Os modificáveis seriam o excesso de peso, o consumo excessivo de sal, sedentarismo, hábito de fumar e o stress, que hoje só perde para o diabetes (no tocante a problemas cardiovasculares). E os fatores não modificáveis envolvem a idade, a raça (negros têm mais predisposição a tais problemas) e fatores genéticos”.

As facilidades da vida moderna foram também lembradas pelo cardiologista como fatores que contribuem para aumento da obesidade, gordura abdominal, colesterol, diabetes e hipertensão. “Inclusive vejo muitas crianças com idade acima dos 8 anos com um nível de colesterol altíssimo, alguns por genética, mas outros por comidas inadequadas. Até porque hoje muitos pais e mães trabalham fora e, quando voltam para casa, acham mais fácil e rápido esquentar uma lasanha já pronta, por exemplo, afetando assim a saúde de todos”, advertiu.

Comidas gordurosas

Ele voltou a citar o perigo das comidas gordurosas por elas irem, aos poucos, obstruindo os canais dos vasos sanguíneos, impedindo a passagem do sangue. Se eles ficaram totalmente obstruídos, ocorrerão derrames (AVC), infartos do miocárdio, aneurismas (abdominais), tromboses. “Lembrando que temos o colesterol bom e o colesterol ruim. O colesterol bom é o HDL (lipoproteína, formada no fígado, intestino e circulação sanguínea), enquanto a redução do colesterol ruim, o LDL, vem pela diminuição da gordura, fritura, enlatados e embutidos, além de exercícios físicos. O triglicérides também é um colesterol ruim, mas diminuindo os carboidratos e farinha branca, ou seja, arroz, mandioca, pão, cerveja e outros produtos, aliando isso à caminhada regular, ele também diminuirá”, aconselhou.

Pedro Tozini enfatizou que a prevenção a todas essas doenças se resume a duas atitudes: a prática esportiva e a mudança radical no estilo de vida alimentar. E mesmo se houver dias de exceção como, por exemplo, se a pessoa seguir uma dieta adequada e, de vez em quando, comer algo feito com banha de porco, ela possivelmente não terá problemas. “Recomenda-se duas castanhas do Pará ou duas castanhas de caju, três vezes por semana, para aumentar o colesterol bom. Mas tem que ser seguido de uma mudança radical, como não comer maionese e outros produtos gordurosos, além dos exercícios físicos”.

Diabetes

Sobre diabetes, mencionou os mais importantes: o tipo I, o tipo II e o gestacional. O tipo I é uma destruição autoimune do pâncreas, ocorrendo principalmente em crianças e adolescentes (que, geralmente, já nascem com o pâncreas um pouco debilitado). “O que se come vira açúcar, aí o pâncreas produz insulina e ela pega esse açúcar. Esse é o diabetes tipo I, mas não é muito comum. Temos ainda o tipo II, que acomete 95% das pessoas, sendo relacionado a maiores de 40 anos e a obesidade. É um defeito tanto na produção, quanto na ação da insulina, tendo relação com sedentarismo, hábito alimentar errado e stress, chamadas de síndrome metabólica. E o gestacional é passado da mãe para a criança, sendo que, geralmente, após o parto a pessoa fica sem o diabetes”.

O diabético também é mais vulnerável à Covid, segundo o cardiologista, e até mesmo ao câncer. “Por isso, a prevenção a todos esses males é tão importante”, concluiu Pedro Tozini.

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