sexta-feira , 18 setembro 2020
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Luis Fernando Benedito entrevistou a psiquiatra Maria Eugênia Dutra

Suicídio é segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos

Psiquiatra fala sobre transtornos mentais, bullying e tratamento para depressão

Desde o ano de 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo. O dia 10 é oficialmente, o ‘Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio’. A cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida. Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás. Segundo a OMS( Organização Mundial da Saúde), o suicídio não ocorre apenas em países de alta renda, sendo um fenômeno em todas as regiões do mundo. O órgão aponta que 79% dos suicídios que ocorreram em 2016, foram em países de baixa e média renda.

Maria Eugênia Dutra, psiquiatra, que atua no Caps 1( Centro de Apoio Psicossocial) de São José do Rio Pardo, e no ambulatório de Saúde Mental há 8 anos, concedeu uma entrevista à rádio Difusora, para falar sobre o tema. A médica falou sobre sinais de alerta, funcionamento do Caps, transtornos mentais entre outros assuntos relacionados ao suicídio.

CAPS

O Caps é composto por uma equipe multidisciplinar, com assistente social, psicólogo, médico e enfermeiros para dar suporte ao paciente psiquiátrico, para ajudar em sua  socialização.

“Houve um aumento de atendimento no Caps, tanto por depressão, como por ansiedade, relacionados a pandemia. As mulheres procuram mais atendimento do que os homens. Normalmente a mulher se cuida mais, procura mais por médico. Elas não tem preocupação com julgamentos como os homens. Então a maioria dos pacientes são mulheres”, disse a psiquiatra.

Transtornos mentais

“Existem diversos transtornos mentais, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia. Por causa do preconceito as pessoas relacionam muitas vezes o transtorno mental a loucura. O objetivo da Conscientização do Setembro Amarelo é justamente mostrar que doença mental não é frescura ou preguiça, como muitos julgam, é um problema grave de saúde. Se a pessoa realmente tiver uma doença, ela precisa de tratamento, de medicamento, procurar ajuda”, destacou.

“Existem estudos mostrando os transtornos mentais estão relacionados ao suicídio, a grande parte das tentativas de suicídio das pesquisas, eram relacionadas a esses transtornos. A maior causa é a depressão, depois vem o transtorno bipolar, dependência química, que também é um fator importante, entre outros. Problemas sociais, como desemprego, término de relacionamento, mudanças de vida em geral, pode desestabilizar a pessoa, se ela já tem um desequilíbrio emocional, isso pode levar sim a cometer suicídio”, disse Maria Eugênia.

Depressão

“A tristeza comum é diferente da depressão. Quando o caso é sobre a doença, a tristeza dura mais que duas semanas, é diária, não necessariamente tem alguma causa, ocorre uma piora, alteração alimentar, alteração no sono, fadiga, cansaço, as pessoas ao redor percebem. Existe um preconceito em procurar auxílio, e isso tem que acabar. Nem sempre a pessoa deprimida está na cama chorando, demonstrando o que ela sente. Muitas vezes por fora, ela pode parecer bem, mas por dentro pode estar destruída”, explicou.

“Normalmente crianças com depressão não se colocam à tristeza, não demonstram, não falam sobre isso. Elas mostram uma mudança de comportamento, às vezes ficam mais agressivas, irritadas, acabam fazendo automutilações, dizendo frases como ‘vou sumir’, ‘não aguento mais isso’,  se isolam, o que não é comum, porque crianças gostam de socialização, gostam de brincar com outras”, relatou.

Bullying

“Os pais e a própria escola, precisam prestar atenção no comportamento das crianças e adolescentes. Escola é um local em que ocorre bullying, o que interfere bastante na saúde mental dos jovens e crianças. Ele leva a uma baixa autoestima, dificuldade de socialização, o que pode causar uma doença mental, como anorexia, bulimia, depressão, e aí começa o pensamento suicida. Crianças e adolescentes tem o agravante de serem mais impulsivos. Eles normalmente não programam o que vão fazer. Cometem atos que podem prejudica-los”, contou a médica.

Suicídio

“O suicídio é a 2ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. É um problema de saúde pública. O suicídio é também mais comum em homens do que em mulheres. As pessoas precisam entender que devem falar sobre o assunto. Devem procurar ajuda. Estamos focados no mês de setembro, mas durante o ano todo estamos preparados para receber as pessoas que precisam da nossa ajuda”, comentou.

“Infelizmente em nossa região vemos muitas tentativas de suicídio. Esse ano a estatística ainda não foi feita, mas sabemos que foram bastante”, completou.

“Nos anos anteriores fizemos o trabalho de conscientização no combate ao suicídio nas escolas, este ano, por causa da pandemia, isso infelizmente não foi possível. Mas queremos retomar isso o ano que vem”, declarou.

Tratamento

“O tratamento psiquiátrico é bastante individualizado. As vezes o que é bom para você, em questão de medicamento, não necessariamente é bom para outra pessoa. Por isso a necessidade de fazer uma consulta. Além do tratamento medicamentoso, e multidisciplinar, existem algumas medidas que podemos tomar para a prevenção, para nossa saúde mental. Melhora alimentar, evitar vícios, uso de álcool e drogas que pode levar a impulsividade e a pensamentos suicidas, melhorar o sono, atividade física, apoio social e familiar. Existem coisas para melhorar a saúde mental além do tratamento médico”, disse Maria Eugênia.

“O tempo de duração do tratamento é individualizado, depende da resposta do paciente, tanto medicamentosa, como de outras terapias, como a ocupacional, terapia com psicólogo, vai depender de cada paciente. Os remédios podem demorar de duas e três semanas para iniciar o efeito. As pessoas com o tratamento, futuramente, podem até parar de tomar a medicação, em acompanhamento com um médico, dependendo do caso”, afirmou.

Ambulatório

O telefone do Centro de Valorização da Vida, para pessoas que necessitarem entrar em contato, é 188. O ambulatório de Saúde Mental funciona de segunda à sexta-feira, das 7h00 ás 17h00. Todos os profissionais estão aptos a fazer o atendimento e acolhimento das pessoas que precisarem de ajuda.

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