terça-feira , 16 agosto 2022
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Marcelo Galotti, infectologista

Cuidado: hepatites virais começam de forma silenciosa

Na fase crônica, tipos B e C podem causar cirrose e insuficiência hepática  

As hepatites, são doenças caracterizadas pela inflamação do fígado e causadas por cinco tipos de vírus (nomeados das letras A à G). Na quinta-feira, dia 28 de julho, foi comemorado o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, que chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento correto. Os vírus das hepatites podem agir de forma silenciosa por muitos anos, sem que a pessoa manifeste qualquer sintoma.

Segundo uma publicação da Agência Aids, que forneceu dados do Ministério da Saúde – de 2000 a 2021, foram notificados 718.651 casos confirmados de hepatites virais no Brasil. Destes, 168.175 (23,4%) são referentes aos casos de hepatite A, 264.640 (36,8%) aos de hepatite B, 279.872 (38,9%) aos de hepatite C e 4.259 (0,6%) aos de hepatite D.

O infectologista Marcelo Galotti falou sobre a doença e suas características, em entrevista à Rádio Difusora, nessa quarta-feira, 27.

Tipos de hepatite

“A Hepatite é uma inflamação em uma glândula nobre e fundamental para o funcionamento do organismo. Uma pessoa pode ter hepatite por várias razões, por vírus, drogas, hepatite alérgica, bacteriana, são muitas as hepatites. No entanto, as hepatites virais são sete: A, B, C, D,E, F e G. Todas elas são virais, mas totalmente diferentes”, explicou.

De acordo com o médico, as três mais comuns no Brasil, são a A, B e C.

Dr. Marcelo deu destaque as hepatites A, B e C, as mais recorrentes no país.

“A absoluta maioria das hepatites são assintomáticas. Em geral a pessoa percebe que teve a doença em um exame de rotina. Quando elas aparecem na fase aguda, os sintomas são idênticos. Causa febre, diarreia, vômito, náusea, dor abdominal na parte superior, que é onde fica o fígado, e a famosa icterícia, que o indivíduo fica com a pele amarelada. As fezes ficam brancas, e a urina colúrica, parecida com a cor da Coca-Cola. Tanto a hepatite A, B quanto a C, apresentam estes sintomas no quadro agudo”, contou.

Depois de algum tempo, se o diagnóstico for a hepatite A, ela desaparece e a pessoa fica curada. Já a hepatite B e C, de acordo com o médico, podem persistir e partir para uma fase crônica. “São as assassinas silenciosas”, diz.

Transmissão

A hepatite A ocorre por transmissão fecal-oral. “Se a pessoa tem maus hábitos de higiene, não lava as mãos, principalmente se houver um aglomerado, como creche, escolas, locais institucionalizados para necessidades especiais, lar de idosos, se não tiver um protocolo rigoroso de atendimento, com assepsia, lavagem de mão, pode haver surtos da doença”, informou o infectologista.

A hepatite C é transmitida através do sangue. No caso de usuários de droga que compartilham seringas, agulhas, instrumentos de manicure, equipamentos de barbeiros, ou uso de equipamentos odontológicos e médicos, sem uma assepsia correta, pode transmitir o vírus por meio do uso desses aparelhos.

Já a hepatite B, além de ser transmitida pelo sangue, é também por relações sexuais.

Transplante

A maior causa de transplante hepático é ocasionada pela hepatite C. “Quando chega ao ponto de uma insuficiência hepática, é a única saída. Quando deixa de funcionar, é preciso trocar o fígado”, explica

Vacinação e tratamento

Existe vacina contra a hepatite B, que faz parte do Plano Nacional de Imunização. Por este motivo, a incidência desse tipo de doença está diminuindo. “Já a hepatite C é a única doença viral, que possui um medicamento com cura radical. Hoje, se a pessoa pega uma hepatite C, e trata, a cura é de 95% e resolve o problema. A hepatite B funciona como a Aids, podemos controla-la, prolongar a vida da pessoa, mas o vírus não morre. A perspectiva inicial, é que até 2030, teria uma redução de 90% dos casos e 65% da mortalidade”, contou.

Marcelo explicou que a hepatite A só é tratada na fase aguda, já que ela é considerada branda e não evolui para um período crônico.

Já a hepatite C possui os antivirais de ação direta, que são capazes de curar a doença.

O diagnóstico e o tratamento precoce contra as hepatites são fatores fundamentais para a cura e controle dessas doenças.

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