sábado , 16 outubro 2021
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Dr. Rafael de Queiroz

Covid-19: Infectologista fala sobre 3ª dose da vacina de marcas diferentes

Segundo o médico, não há previsão para flexibilização total das medidas de segurança

O Brasil registrou na quinta-feira (16), 637 mortes e 35.128 novos casos de Covid-19. As informações foram enviadas de cada estado do país, para o Ministério da Saúde e ao Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). Com isso, a média móvel de mortes nos últimos 7 dias ficou em 582 -acima da marca de 500 pelo terceiro dia seguido. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de -7% e aponta tendência de estabilidade pelo segundo dia, após 22 dias seguidos em queda.

O país somou até sexta-feira 589.277 mortes e 21.067.396 pessoas que já foram diagnosticadas com a doença. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná são os estados com o maior número de óbitos, respectivamente. O aumento de novos casos e mortes pela doença, reforça a necessidade de aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19. O estado de São Paulo começou a aplicar a dose de reforço na população entre 85 e 89 anos nesta segunda-feira (13). Já em São José do Rio Pardo, a terceira dose começará no dia 20 de setembro, segunda-feira, e será por meio de drive-thru, destinada para maiores de 85 anos.

Rafael de Queiroz, infectologista, concedeu uma entrevista essa semana ao “Jornal do Meio Dia”, e falou sobre a importância da aplicação da terceira dose da vacina em idosos e imunossuprimidos.

“Hoje vivemos um momento de melhora no quadro da pandemia graças ao avanço da vacinação, ao percentual significativo da população, já com o esquema completo ou pelo menos com uma dose vacinal. Temos visto uma diminuição dos casos graves de internação e de óbitos. Não é o momento de baixar a guarda, sempre reforçamos isso, não podemos abandonar o uso de máscaras”, aconselhou.

Para o médico, é difícil estimar um prazo de segurança para que as medidas possam ser deixadas de lado sem maiores consequências. “Houve uma diminuição no pico em relação ao primeiro semestre, mas temos tido circulação de novas variantes virais, e a relativa flexibilização no estado de São Paulo, também contribuiu para isso. É importante frisar que as novas variantes tem uma proteção pela vacina, mas não sabemos até que ponto essa proteção pode ser atingida. É difícil estimar um prazo para que aja uma flexibilização mais aberta com relação a pandemia, por conta dessas variantes que estão em circulação e pelo fato de a maior parte da população ainda não ter o esquema vacinal completo”, destacou.

3ª dose de laboratório diferente

Alguns estados do país farão a terceira dose da vacina com uma marca diferente das duas primeiras. Em Minas Gerais, por exemplo, de acordo com a Secretaria da Saúde em nota para o R7, o Governo de Minas dividiu as quatro vacinas aplicadas em três grupos: Coronavac, AstraZeneca/Janssen e Pfizer. Dessa forma, quem tomou as primeiras duas doses de uma delas, obrigatoriamente, terá que ser vacinado com um imunizante de outro laboratório. 

Rafael comentou sobre a mistura de vacinas nessa circunstância. “Diversos estudos tem mostrado que é eficaz usar vacinas distintas, especialmente entre as três mais usadas no Brasil, a CoronaVac, a AstraZeneca e a Pfizer. É importante destacar que existe uma diferença entre completar o esquema vacinal com a segunda dose, de usar a terceira, que já tem sido feita nos idosos no estado de São Paulo – que não é completar o esquema, é uma dose de reforço nessa população que tem um valor de anticorpos um pouco menor. Diversos estudos, feitos em vários países, mostraram que usar vacinas diferentes não só é seguro, como pode gerar uma resposta imune mais robusta, especialmente em alguns grupos populacionais que demandam mais, como os idosos, por exemplo”, informou.

Tempo de imunidade

Após seis meses, foi constatado que idosos e os imunossuprimidos necessitam de uma terceira dose da vacina, pois com o passar do tempo, a proteção acaba perdendo sua eficácia. “Sabemos que só conseguimos estimar o valor de proteção no período pós vacina, a partir do momento que ele é avaliado em um percentual importante da população. Temos em torno de um ano e oito meses de pandemia no Brasil, que é um tempo relativamente curto, para avaliar a resposta dos anticorpos da vacina, ou eventualmente até uma infecção pela doença. Na minha opinião a terceira dose é importante, e não descarto a possibilidade futura de reforços periódicos como algumas outras doenças demandam”, enfatizou.

“As variantes como a Delta, a Gama, e outras, já mostraram que tem potencial de maior transmissibilidade ou gravidade. Então essa questão de doses de reforço pode se tornar necessária”, completou.

Unimed

Segundo o médico, na rede da Unimed também houve uma diminuição de casos, seguindo a linha atual do cenário pandêmico no Brasil. “Temos tido essa diminuição, assim como no volume de internações em UTI e enfermaria, e também na taxa de óbitos. Isso se deve a vacinação e ao número de pacientes que tiveram a doença e se recuperaram, com isso eles tem uma menor probabilidade de ter uma reinfecção. Não é impossível, mas não é a regra”, afirmou.

Vacina não impede contágio

É importante destacar que a vacina não impede que o paciente tenha contato com o vírus, no entanto, é primordial para evitar casos graves e óbitos. “O vírus está em circulação e ele pode entrar em contato com os pacientes. O propósito principal da vacina é evitar as doenças graves, diminuir a internação e o óbito, como em outras patologias, vale o mesmo raciocínio. Não significa que a vacina não seja eficaz e que ela não tenha importância. Então ela não impede de entrar em contato com o vírus e nem mesmo de desenvolver um caso leve, mas evita casos que poderiam ser graves”, reforçou.

Doença multissistêmica

“A Covid tem se mostrado muito mais grave do que estimamos no início. É uma doença multissistêmica, com manifestações não apenas respiratórias, mas de pele, do sistema nervoso central, cardíacas, gastrointestinais, hepáticas. É algo que gera uma preocupação pelo grande número de casos, que tem diminuído, mas alguns pacientes tem tido os sintomas durante meses”, alertou.

Segundo o infectologista, algumas pessoas se queixam de sintomas motores, neurológicos e apresentam episódios de cefaleia (dores de cabeça), mesmo sem ter histórico antes de contrair a doença. Fadiga, indisposição muscular, são outros sintomas pós Covid que tem se mantido por meses. “É uma doença que pode atingir qualquer órgão e que demanda muito cuidado, longe de uma gripezinha como já foi dito”, declarou.

Permanecerá na sociedade

O médico foi questionado sobre o fim da doença no planeta. “É difícil falar em eliminação de um organismo. A dengue, por exemplo, nunca deixou de existir, não foi eliminada, embora os mecanismos de transmissão de vetor sejam diferentes. A Influenza, também nunca deixou de existir, assim como outras doenças respiratórias. A Covid também não deixará de existir. Entraremos em uma curva de queda de casos, é a realidade mundial hoje, mesmo com o Brasil um pouco atrasado, mas devemos entrar em um patamar de estabilidade até meados do ano que vem”, informou.

Com informações do G1

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