terça-feira , 19 novembro 2019
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Obesidade atinge mais de um quinto da população

Pacientes obesos apresentam limitações de movimento e podem ser contaminados com fungos e infecções de pele

No dia 11 de outubro é lembrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. A data foi oficializada no ano de 2008 para conscientizar a população brasileira sobre a importância de se prevenir e combater a obesidade.

A obesidade é uma doença resultante do acúmulo excessivo de gordura corporal.

A quantidade de pessoas obesas no Brasil cresceu de forma mais acelerada que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Agora, o país se aproxima da taxa dos  países ricos com relação a doença.

Segundo uma pesquisa da OCDE, mais de um quinto da população brasileira é obesa. O documento aponta que a proporção de obesos na população adulta brasileira passou de 12,7% em 1996 para 22,1% em 2016. No mesmo período, a média da OCDE passou de 15,4% para 23,2%.

O jornal entrevistou o nutricionista Douglas de Andrade Gesualdo para falar sobre o assunto.

Nutricionista Douglas de Andrade Gesualdo fala sobre a obesidade

Com quantos quilos acima de seu peso ideal uma pessoa pode ser considerada obesa?
Douglas: Medimos através do IMC (Índice de Massa Corporal) que é adotado pela OMS para definir seu peso ideal. A fórmula do IMC é muito simples de ser realizada, exemplo: IMC= Peso x (altura x altura). Uma pessoa para ser considerada obesa deve ter como resultado do IMC >30kg/m2.

Quais as doenças e fatores que desencadeiam a obesidade?
Douglas: Acredita-se que as mudanças de comportamento alimentar e os hábitos de vida sedentários atuando sobre genes de suscetibilidade sejam o determinante principal do crescimento da obesidade no mundo. Na alimentação ocidental, o consumo alimentar tem como base alimentos ultra processados, de alta densidade energética, com elevados teores de gorduras e carboidratos. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que nos últimos 100 anos o consumo de gorduras tenha aumentado em 67% e o de açúcar em 64%. Já o consumo de verduras e legumes diminuiu 26% e o de fibras 18%. 
Abandonamos o hábito de cozinhar, de comer em família e de consumir o nosso bom e velho arroz com feijão! Estamos menos preocupados em ouvir nosso corpo e nossas reais necessidades, esquecendo de respeitar nossa fome, saciedade e vontade.

E quais outras doenças a obesidade pode desenvolver?

Douglas: O grande problema da obesidade são as doenças associadas a ela como a Diabetes Mellitus tipo 2, Síndrome Metabólica, Infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca, AVC, Hipertensão arterial, apneia, Pancreatite aguda, Doença hepática gordurosa não alcoólica, depressão, ansiedade, e cerca de 17 tipos de Neoplasias.

Como é feita a avaliação para diagnosticar a obesidade?
Douglas: Utilizamos o IMC (Índice de Massa Corporal), juntamente com a medição da espessura das pregas cutâneas, que é muito utilizada com indicador de obesidade, pois há relação entre a gordura localizada nos depósitos debaixo da pele e a gordura interna. Utilizamos também medida da circunferência abdominal, que reflete o conteúdo de gordura visceral e se associa muito a gordura corporal total. A OMS estabelece como ponto de corte para risco cardiovascular aumentado medida de circunferência abdominal igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres.

Existe uma faixa etária mais propensa a desenvolver obesidade?

Douglas: Segundo a Vigitel de 2016 crianças de 0 a 8 anos do sexo feminino apresentam uma maior incidência de obesidade. Entre os adultos, mulheres de 55 a 64 anos apresentam maior incidência de obesidade

Quais os sintomas podem ser sinais de obesidade?
Douglas: O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos. Pacientes obesos apresentam limitações de movimento, tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam a coluna e membros inferiores.

Como evitar a doença?
 Douglas : A prevenção da obesidade se dá através do estímulo, desde muito cedo, para que a criança aprenda a ter uma dieta balanceada e saudável sem excessos. A prática de exercícios também deve ser incentivada.

Quais alimentos contribuem para desenvolver a obesidade?

Douglas: Podemos citar os alimentos ultra processados que são produzidos com a adição de muitos ingredientes como sal, açúcar, óleos, gorduras, proteínas de soja, do leite, extratos de carne, além de substâncias sintetizadas em laboratório a partir de alimentos e de outras fontes orgânicas como petróleo e carvão. Assim, tais alimentos têm prazo de validade maior, alteração de cor, sabor, aroma e textura. São exemplos de ultra processados: biscoitos recheados, salgadinhos “de pacote”, refrigerantes e macarrão “instantâneo”.

Quais alimentos ajudam a prevenir a doença?
Douglas: Os alimentos que ajudam a prevenir a obesidade são todos aqueles que não precisamos desembalar, sempre dê preferência a todo tipo de frutas, verduras, cereais integrais como arroz integral, aveia, amaranto.

Como a obesidade pode afetar a vida social das pessoas?
Douglas: O sofrimento psicológico da pessoa com obesidade é decorrente dos estigmas sociais e de valores ligados à cultura atual que considera o corpo gordo feio e inaceitável. Estudos apontam que a pessoa com obesidade cursa um menor número de anos escolares, tem menor chance de ser aceita em escolas e empregos concorridos e de desenvolver relacionamento estável. Ter excesso de peso e acúmulo de gordura significa estar fora dos padrões de beleza e a preocupação com o ser/estar diferente torna-se presente na vida dessa pessoa, ocasionando ainda mais sofrimento.

Como é tratada a doença?

Douglas : A obesidade deve ser tratada com uma equipe multidisciplinar contendo médico, nutricionista, psicólogo e educador físico. A pessoa obesa deve se sentir bem em poder conversar com todos profissionais sem pré-julgamentos. Na área da nutrição, o tratamento depende de como a pessoa evolui durante a consulta, mas sempre tentamos trazer o padrão alimentar para o mais natural possível, evitando o consumo de industrializados.

Por Júlia Sartori

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