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Marcelo Primini fala sobre a ETE do Buenos Aires

Saerp suspeita que há empresa jogando esgoto diferente na rede

“Dependemos de outras coisas, do término das obras na rodovia”, diz Marcelo Primini

“Não sabemos se tem alguma indústria que lança alguma coisa e atrapalha o sistema de operação da estação, e por isso o mau cheiro fica mais forte (…) Mas estamos deduzindo que tem alguém no Distrito que está jogando algum esgoto diferente nessa rede e quando chega na estação dá problema no sistema”.

A afirmação, feita à Gazeta esta semana, é do superintendente da Saerp, Marcelo Primini, ao ser questionado pelo jornal sobre as últimas manifestações dos moradores do Buenos Aires contra o mau cheiro provocado pela Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) na entrada do bairro.

Como foi divulgado, alguns moradores colocaram fogo em pneus e paralisaram o trânsito em frente ao Distrito Industrial na semana passada, em protesto contra os odores da ETE. Eles voltaram a cobrar providências da Saerp e da administração municipal sobre o problema.

Paciência

Marcelo Primini pediu, mais uma vez, que a população tenha paciência.

“Todo mundo já sabe da situação da estação. O primeiro erro é antigo. Como se faz um condomínio residencial do lado de uma estação de esgoto? Não é a primeira vez que fazem uma manifestação sobre isso. Já estamos na fase final de um projeto da prefeitura junto com a Saerp para retirar aquela estação de lá, transformando-a em uma estação elevatória, para que não tenha problemas com mau cheiro. Todo o esgoto será enviado para a elevatória perto do Minguinho. Mas para que isso aconteça, temos que esperar o término das obras que estão sendo feitas lá na rodovia, para sabermos onde vamos passar a tubulação do esgoto”, avisou.

“É demorado, um pouco complexo. Não é de uma hora para outra que você consegue resolver um problema desse tamanho. Mas vamos fazer o possível para retirar de lá ainda esse ano. Na época que as pessoas foram morar lá, elas tinham que entender que ia ter problema, porque a estação já está lá faz anos”, continuou.

Correndo atrás

De acordo com ele, tanto a Saerp quanto a Prefeitura estão correndo atrás das ações necessárias para solucionar o problema.

“Nós não estamos tratando a situação com descaso, todos nós sabemos que é muito desconfortável ter um cheiro de esgoto na porta de casa, ninguém quer. Mas estamos fazendo o possível para resolver. Só que dependemos de outras coisas, principalmente do término das obras na rodovia, além de tudo isso ter um custo alto. Mas quero que a população saiba que ninguém está sentado esperando, estamos tentando resolver”, encerrou.

Depoimento

Roseli Caldeira, moradora do bairro Buenos Aires, contestou um comentário anterior de Marcelo Primini e que acabou gerando polêmica.

    Roseli faz tratamento contra o câncer, e o mau cheiro prejudica sua saúde

“O superintendente da Saerp disse que estamos morando no lugar errado, sendo que quem cedeu os nossos terrenos foi a prefeitura. Quem deu o material para construirmos foi a CDHU. Então é a prefeitura e a CDHU que estão errados. Vai caber processo para os dois. O que ele falou foi muito errado. Falar que as estações de esgoto de todos os lugares fede, é mentira. Já falei com pessoas de outros bairros que tem a estação de tratamento, e eles disseram que não fede. A verdade é que ninguém quer cuidar disso aqui, está jogado às traças. Já esperamos demais. Faz cinco anos que teve a primeira manifestação, e não resolveram. O processo já está nas mãos do juiz. Eles deixam por isso mesmo. Se eles estão achando que vai cair no esquecimento de novo, não vai”, protestou.

“Agora estamos todos reunidos, vamos lá na Câmara de novo e esperar o superintendente da Saerp ir até lá. O dia que fizemos o protesto, chamamos ele, e ele não quis vir conversar com a gente. Não sei porque. Se ele acha que vai ser maltratado aqui, ele não vai. Nós não somos vândalos. Somos pessoas decentes. Só queremos conversar com ele para ver quando vai resolver esse problema. Eu faço tratamento contra o câncer, e preciso deixar minha casa arejada. Quando o cheiro está forte, não consigo nem fazer isso. Isso está sendo um sofrimento para todas as famílias e crianças que temos aqui no bairro”, finalizou.

 

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