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Leia o editorial do Jornal Gazeta do Rio Pardo-De olho nos bastidores de Brasília

De olho nos bastidores de Brasília

Nesta semana relativamente calma em São José do Rio Pardo, até mesmo na esfera política, as atenções dos que se interessem pelos rumos da nação estão voltadas mais para Brasília. Com um olho fixado em Bolsonaro e sua equipe, e o outro nas disputas de bastidores pela presidência da Câmara e do Senado, os brasileiros mais esclarecidos sabem que uma coisa depende da outra. E sabem também que, havendo erros ou acertos nessas esferas decisórias, nós todos seremos afetados. Por isso, mesmo quem não gosta de política acaba acompanhando com certa atenção esses assuntos.

Só pra citar um exemplo recente: dia desses, o redator deste jornal vinha do Cassucci para a redação a pé e um caminhoneiro parou e perguntou aonde era a Nestlé. O caminhão era de Rio Claro, mas vinha de Salvador (BA) e o caminhoneiro estava viajando há 14 dias. O redator se ofereceu para vir junto, na cabine, até o jornal, para facilitar a chegada dele à fábrica. No trajeto o caminhoneiro fez uma breve biografia de Paulo Guedes, ministro da economia de Bolsonaro, lembrando quando ele já esteve no governo, os projetos que elaborou,etc. O homem sabia mais do ministro que o redator…

Voltando a falar da Câmara e do Senado: a ordem inicial do presidente Jair Bolsonaro aos correligionários do PSL e a aliados de primeira linha, dada em dezembro, era a de observar e não levantar bandeira para nenhum candidato.No entanto, um dia depois da posse de Bolsonaro, o partido do presidente anunciou apoio à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidência da Câmara e lançou o nome de Major Olímpio para comandar o Senado.Em entrevista recente ao SBT, Bolsonaro disse que não queria se envolver na disputa, mas que esperava que o candidato apoiado por seu partido ganhasse a eleição no Congresso para que ‘coloque em pauta as matérias que porventura viermos a apresentar’.Em troca do apoio do PSL, Maia teria prometido ao partido o comando da mais disputada comissão permanente da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – por onde passam todas proposições para análise de constitucionalidade.

Apesar do distanciamento do presidente, a disputa no Legislativo é considerada crucial uma vez que os presidentes da Câmara e do Senado podem embalar ou atrapalhar o andamento do governo.No comando das duas Casas, os presidentes têm autoridade para, por exemplo, definir a pauta de votações, escalar relatores de proposições importantes e até emperrar abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).Além disso, os presidentes da Câmara e do Senado estão, nesta ordem, na linha de sucessão presidencial. Na ausência do titular e do vice-presidente, são eles que assumem a Presidência da República. Sem contar ainda que é o presidente da Câmara quem aceita ou rejeita eventuais pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo.

Cientes da importância do Legislativo para o funcionamento do governo Bolsonaro, muitos postulantes ao comando da Câmara e do Senado ainda esperam por um aceno do novo presidente às vésperas da eleição.O próprio PSL cogitou lançar candidato próprio ao comando da Câmara, mas preferiu um acordo para investir na formação de um bloco majoritário que apoiasse Bolsonaro no Congresso para aprovar matérias de interesse do governo.

A reforma da Previdência, tida como prioritária pelo novo governo, deve ser apresentada já em fevereiro, com o Congresso sob novo comando. Bolsonaro já declarou que quer ver o Congresso votando propostas de interesse do governo relacionadas à Previdência e à privatização de estatais nos seis primeiros meses do mandato.Para isso, o presidente depende não apenas da organização da base para acelerar a análise das propostas, como dos presidentes das duas Casas – que têm autoridade para priorizar votações.

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