sábado , 16 outubro 2021
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Bruno Roberto Gomes, engenheiro agrônomo e Humberto de Moraes, gerente administrativo da Cooxupé de São José do Rio Pardo

Geadas atingiram cerca de 7% da área de café do município

Apesar dos problemas climáticos, mercado do produto é bom, com preços acima de R$ 1.000,00 a saca

Em julho deste ano, o setor da agricultura sofreu drasticamente com as geadas – o que resultou em grandes perdas de plantações de hortaliças, entre outros produtos. Além da geada, a estiagem assola há meses a região do interior de São Paulo, especialmente São José do Rio Pardo e as cidades vizinhas. Nessa quinta-feira (23), Humberto de Moraes, gerente administrativo da Cooxupé de São José do Rio Pardo, e Bruno Roberto Gomes, engenheiro agrônomo, participaram do Jornal do Meio Dia, na Rádio Difusora, e falaram sobre os danos trazidos pela geada e estiagem, para a cultura cafeeira. Comentaram também sobre como anda produção de café na cidade e região.

“Nosso centro de geoprocessamento está fazendo uma análise de mapa, em poucos dias teremos uma informação bastante expressiva das áreas que foram atingidas pela geada. De maneira geral, os cafeicultores do município de São José do Rio Pardo não tiveram uma certa severidade em extensões de áreas. Atingiu um grande número de produtores, porém em pequenas dimensões. Mas temos relatos de regiões do sul de minas, principalmente, em que a geada causou danos bastante agressivos, onde condenou áreas extensas. Graças a Deus, apesar da condição terrível da geada, os produtores de café do município estão bem em comparação aos demais”, disse Bruno, engenheiro agrônomo.

Ele relatou que a área atingida pela geada no município foi em torno de 110 hectares, o que representa 7% da área plantada de café da cidade.

Bruno foi questionado sobre uma possível prevenção dos danos no período da geada. “Infelizmente não é possível prevenir os males causados pela geada. A planta do café tolera até determinado grau temperaturas baixas, e por um certo período de tempo. A partir desse momento, a seiva da planta entra em um ponto de congelamento. Depois que ela entra nesse ponto, não há reversão, porque 90% da célula é composta por água, quando a água congela, ela expande, quando isso acontece ela extravasa todo o líquido da seiva, que se mistura e oxida. A maior parte da célula da planta é composta por água e óleo. Quando a água se mistura com o óleo, ele rança. Infelizmente não tem como reverter os efeitos da geada”, constatou.

O profissional explicou que é preciso ter em mente que em alguns períodos entre os séculos, surgem meses mais frios, o que acaba provocando geadas. Segundo ele, o investimento em lavouras de café é alto e o custo para formação é bastante elevado. “Então antes de fazer o plantio, é muito importante conhecer a zona climática daquela propriedade onde as lavouras serão implantadas. As áreas mais atingidas pelas geadas, são as mais planas, baixadas, lugar onde a corrente de ar frio se desloca com mais facilidade”, disse.

Segundo Bruno, a técnica de usar tambores de fumaça para proteger as plantações da geada, além de antiga é uma das mais usadas até hoje. Porém, ela depende da condição de vento na ocasião da geada. “Se na noite ou no dia da geada o tempo estiver parado, e a pessoa conseguir fazer a camada protetora de fumaça sobre a lavoura, temos bons resultados. Mas quando acontece da temperatura cair e vir o vento, já diminui muito o efeito da técnica, e não traz bons resultados”, completou. 

Estiagem

“No atual momento em que estamos, o período seco pode causar um prejuízo maior do que a própria geada. No Sismet, sistema disponível no site da Cooxupé, conseguimos observar que os períodos de normalidade hídrica, foram mais ou menos até dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Depois disso, passamos por um período muito longo sem chuva, e quando teve a chuva, ela foi de forma mais volumosa e mais concentrada em determinado período. Isso dificulta essa água infiltrar e abastecer os lençóis freáticos. O que vemos hoje, é que os rios estão com menos volume hídrico, assim como as represas”, revelou.

Produzindo água

A adoção de manejos, de técnicas adequadas para diminuir o deslocamento superficial de água e aumentar a infiltração, segundo o engenheiro, é uma prática que foi muito utilizada no passado e que contribui para a produção de água. “Hoje em dia a agricultura ficou mais rápida, mais extensiva, visando mais a produtividade e esquecendo das boas práticas agrícolas. É muito importante que os produtores também produzam água, eles precisam aumentar a retenção e produção de água dentro de sua propriedade”, disse.

Preços

Humberto mencionou que ainda compensa plantar café, e que os investimentos são válidos. “Como ficou muito tempo sem geada, o pessoal veio descendo com o café. Ele veio para áreas de risco. Tínhamos municípios que há 20 anos, não tinha café, e hoje está coberto dele. Os preços hoje estão muito satisfatórios comparando com o custo de produção dessa safra, paga-se muito bem. O preço está em torno de R$1.050,00 a R$1.060,00. O valor é em razão da geada e da seca deste período. Temos que aguardar chuva para a reflorada, e aí sim analisar qual será a produção do próximo ano”, encerrou.

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