quinta-feira , 2 julho 2020
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Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente

Flexibilização será lenta, confirma secretário estadual Marcos Penido

Ele deu entrevista exclusiva à Difusora/Cidade Livre dia 28 e detalhou critérios da reabertura

Marcos Penido, secretário estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente mencionou encontros, na semana passada, de secretários estaduais com os prefeitos das 18 regiões administrativas paulistas, para ouvi-los sobre a situação local e regional. Uma dessas regiões foi a de São João da Boa Vista, da qual São José do Rio Pardo faz parte. Os dados coletados pelos secretários foram levados ao Comitê de Contingência do governo e analisados.

“Foram observados os itens básicos: crescimento de casos (de Covid), número de leitos disponíveis, capacidade de UTI, isolamento social e número de óbitos. Tudo foi computado, foram dados pesos e contrapesos, chegando-se no critério em que o próprio decreto estadual do nosso governador estará colocando quais são os pesos de cada um e que determinaram quatro fases: vermelha, laranja, amarela e verde. A DRS de São João da Boa Vista se qualificou na fase 2, laranja, em que cinco novas atividades podem ser retomadas a partir do dia 1º de junho”, explicou.

“As atividades seriam as imobiliárias, concessionárias, comércio de rua, shopping centers e escritórios. São essas cinco atividades que se somam àquelas que já vinham: as farmácias, os supermercados, tudo isso se somam a essas novas cinco atividades que poderão ser iniciadas ou retomadas a partir do dia 1º”, prosseguiu.

Mudança de fase

A mudança de fase se dará, segundo Marcos Penido, pela observância de critérios como a capacidade de leitos de enfermaria e especialmente de UTI, além, claro, da redução no número de óbitos.

“Ou seja, que o sistema de saúde esteja funcionando, que os que necessitam de tratamento voltem para suas casas curados, que os leitos de UTI tenham espaço livre. A partir de segunda-feira fica instaurada uma Central de Controle ligada ao nosso vice-governador Rodrigo Garcia, onde diariamente os índices de cada uma das DRS serão computados e a cada 7 dias será feito o balanço dessa região”, continuou.

“Nesses primeiros 7 dias, caso a somatória dos índices indique que tem que voltar a uma fase anterior, isso ocorrerá imediatamente. Para prosseguir de fase, o balanço será a cada 14 dias. Ou seja, se piorar nós voltamos para não deixar que a coisa aumente e, para melhorar ou flexibilizar, uma garantia de uma estabilidade de que tudo está funcionando por 14 dias. Esse controle será diário e disponibilizado diariamente para que a região como um todo veja a sua situação”.

Trabalho regional

Marcos Penido frisou que este é um trabalho regional e que os municípios devem ficar conscientes de que não adianta uma cidade acelerar e outra desacelerar. “Ou seja, Vargem Grande do Sul resolve abrir tudo e ela pode comprometer a região como um todo porque pode haver uma maior disseminação de casos. O exemplo claro é a educação, que não está sendo flexibilizada neste momento porque ela leva um grande contingente de pessoas. São pessoas que irão de uma cidade a outra nas universidades, podendo levar contágio. Durante o dia o movimento de crianças e adolescentes é grande e não é o momento de termos isso ainda”.

O objetivo, segundo ele, é garantir a capacidade de resposta à doença, que pode aumentar ou diminuir em cada lugar. “O que não podemos ter é uma capacidade de resposta menor do que essa doença. Temos que garantir que, se alguém ficou doente, tem leito para ele ser atendido até ficar sarado e continuar se cuidando em casa”.

Ônus

O comerciante e membro da ACI de São José do Rio Pardo, Samuel Viana, disse que “grande parte do ônus das ações contra a Covid tem caído sobre o comércio, mas enquanto isso a gente não vê ações básicas do governo do estado de São Paulo. Por exemplo, não há nenhum tipo de proibição ou controle de tráfego nas rodovias estaduais”.

Samuel lembrou que os casos confirmados de Covid em São José e região foram de pessoas que estiveram em São Paulo ou que fizeram contato com quem esteve na capital. “Lá é o epicentro, mas não há barreiras impedindo esses contatos nas rodovias. Então, todo o ônus recai sobre o comércio. Gostaria de cobrar mais empenho do governo no controle dessa pessoas que saem da capital, às vezes infectadas, e trazem esses vírus para São José do Rio Pardo e para região”.

Marcos Penido respondeu: “Samuel, eu discordo um pouco dessa colocação porque o ônus não está caindo sobre o comércio e sim sobre a sociedade como um todo. E a questão de São Paulo, ele é um centro de abastecimento. Se fecharmos as estradas não teremos condições de garantir o abastecimento. De São Paulo depende o alimento do resto do estado em sua grande maioria. Cabe então às pessoas terem a consciência de ficar em casa, até porque a questão do ir e vir é muito complicada e envolve leis sobre as quais não se pode sobrepor”.

Responsabilidade

Juliana Flausino, secretária municipal de saúde, afirmou que com essa flexibilização aumentará muito a responsabilidade do município e este, por sua vez, terá responsabilidade também dentro de sua região geográfica. Lembrou, citando uma frase de um secretário estadual da saúde, que este não é o momento de lazer no país e que a flexibilização paulista não permite aos cidadãos irem tranquilamente às ruas. Ela indagou então do secretário Marcos Penido “o que esperar da população agora?”.

O secretário deu a seguinte resposta: “Esses 70 dias de quarentena foram de preparação de nosso sistema de saúde, mas também foi um tempo para mudança de comportamento. A sociedade tem, sim, que ter medo ou respeito em relação ao vírus, porque ele é perigoso. Agora chegou o momento em que tudo isso, essa mudança de comportamento, essa conscientização, nos ajude a sair, pois essa é a expectativa de todos nós. Já vamos pegar uma população muito mais consciente, com 96% dela usando máscara, pessoas procurando o álcool em gel, ninguém se abraçando ou se beijando”.

“Todos observam uma distância com os mais próximos. Então, esse é o momento de sair (para flexibilização), mas só daremos o segundo passo se o primeiro for efetivo. Vivemos num estado de povo ordeiro e responsável. A expectativa que temos é de confiança na responsabilidade dos prefeitos, que, com sua autonomia, farão os decretos responsáveis e a população sabe do perigo e não irá se expor. Ela irá, devagarzinho, caminhar para que, daqui a pouco, olhe para trás e fale que está melhor do que vários dias antes. A palavra agora é responsabilidade, de todos”, concluiu.

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