segunda-feira , 21 junho 2021
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Luís Carlos Pinto fala sobre o risco da falta de água

Cidade e região podem ter racionamento de energia

Crise hídrica deixa represa de Caconde com apenas 25% de seu volume

Hoje é Dia do Meio Ambiente. A data foi instaurada com o intuito de educar, conscientizar e chamar a atenção da população para as questões ambientais. A semana de conscientização, que acontece de 5 a 9 de junho, foi criada no Brasil pelo Decreto nº 86.028, de 27 de maio de 1981.
Neste primeiro semestre, uma das questões ambientais que tem chamado a atenção, sobretudo nos estados do Sudeste e Sul, é a situação da seca. A crise hídrica que novamente atinge em cheio o setor elétrico tem se agravado, e membros do governo já consideram que será necessário instaurar um “comitê de crise” para pensar estratégias que possam afastar o risco de corte de carga (blecaute) por déficit na oferta de energia pelo sistema brasileiro.

Em São José do Rio Pardo, o período de estiagem de 2021 já é mais crítico do que o ano de 2014, período de escassez de água, risco de racionamento – o que ocorreu em outros municípios vizinhos.
Luís Carlos Pinto, pós-graduado em Tecnologia Ambiental pela Unaerp, membro do Comitê da Bacia Hidrográfica de São José do Rio Pardo e de Ribeirão Preto, e representante da ONG Soderma, concedeu uma entrevista para falar sobre os problemas existentes com os recursos hídricos causados pela seca.

Queda no volume pluviométrico

“Temos dados que demonstram que a crise hídrica pela qual estamos passando é muito séria. Talvez até mais do que em 2014. Para se ter uma ideia, o regime hídrico de nossa região é em torno de 1.450 mm a 1.500 mm de chuva por ano, que às vezes são distribuídos de forma irregular, mas geralmente nosso regime hídrico padrão fica nessa base. Em 2014, nosso regime aqui em São José do Rio Pardo, que é a última atualização que temos dos dados, o índice de chuva foi de 950 mm aqui no município, assim como em Divinolândia e São Sebastião da Grama, que são nossas referências. Em 2016 o ano com chuvas foi maravilhoso, nosso índice pluviométrico foi fantástico, no município tivemos 1.800 mm, ou seja, o dobro do ano de 2014 e 30% a mais da média que temos, que como já citado, fica entre 1.450 mm ou 1.500 mm”, explicou.

Luís Carlos relembrou que em 2018 houve uma queda acentuada da média de chuvas. Durante o ano todo, foram 1.100 mm de água, o que resultou em uma perda de 25%. “Nesse período já começou uma certa crise. No ano passado, 2020, também tivemos uma perda de aproximadamente 30%. Foram 1.250 mm na cidade de Divinolândia, por exemplo, para uma proporção de 1.500 mm. No período dos últimos três anos tivemos um decréscimo no perfil de acúmulo de precipitação (chuva)”.

Captação

O ambientalista afirmou que o perfil da seca de 2021, é parecido com o ano de 2014, quando a cidade e região enfrentaram uma crise séria. “Estamos percebendo nessas indicações, tudo leva a crer, que será um ano difícil. O Comitê de Bacia do Rio Pardo, que tem a sede em Ribeirão Preto, manifestou preocupação junto aos seus participantes de que a crise hídrica está apontando no Brasil, principalmente no estado de São Paulo, especialmente a região de Rio Pardo. Aqui, por sorte, contamos com o rio que passa dentro da cidade, que abastece toda a população, através da captação de superfície”, comentou.


“No passado, construiu-se o reservatório de Caconde, que é como uma caixa d´água que regulariza a vazão do Rio Pardo. Inicialmente foi para geração de energia, e hoje não só por essa questão, como também vazão e sustentação do uso múltiplo da água. Entre eles, o abastecimento público que é a prioridade segundo a lei de recursos hídricos. A situação de Caconde está crítica, a cota máxima de lá, que é em metros de altitude em relação ao nível do mar, é 855 m. Atualmente Caconde está atingindo 838 m, ou seja, 17 metros abaixo do nível, o que é muito sério. Dessa forma, não consegue gerar energia. A represa está com apenas 25% de seu volume, estamos com ¼ da capacidade. Está entrando na represa apenas 10 m³/s por segundo de água. Em uma época de chuva chega a 180 m³, 220 m³/s. Um agravante, é que a represa está soltando 20 m³/s. O que vai acontecer é parecido com o que aconteceu em 2014, que chegamos a cota de 825 m que era o nível do Rio Pardo antigamente, nesse caso não teria mais represa, o que vai sair, é o que vai entrar. Isso é pouco, e vai refletir no rio Pardo, que hoje em dia deve estar com 40 m³/s, que permite fazer a captação de água”, informou.

Em 2014, as bombas de captação tiveram que ser removidas para o centro do rio, para conseguir realizar o processo. “Nossa sorte é que além do reservatório de Caconde, temos rios que abastecem, como o Guaxupezinho, o Rio do Peixe, o Fartura, que são pequenos, mas somam-se a quantidade que já temos”.
Luís explicou que o despejo de esgoto lançado no rio, é um fator agravante durante a crise hídrica. “Uma concentração de esgoto doméstico em um perfil de água menor, leva em conta uma questão de oxigenação. Acontece uma fermentação e aumento no consumo de oxigênio, o que mata os peixes, assim como aconteceu no rio Mogi Guaçu, em Emas, em Leme. Os peixes morreram por falta de oxigênio, porque o perfil da água fica muito baixo, e a concentração de esgoto fica alta”, lamentou.

Possível racionamento de energia

“Quanto a energia elétrica, a situação é crítica e acredito que tenhamos que fazer racionamento. Temos usinas térmicas que devem entrar em operação rapidamente, mas tem um custo de energia muito alto, que acabará sendo repassado ao consumidor”, encerrou.

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