sexta-feira , 23 outubro 2020
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Jarbas Ferreira Penna, pediatra e integrante do grupo GAM (Grupo de Aleitamento Materno)

Agosto Dourado: Pediatra diz que nada deve substituir o leite materno

Segundo a Unicef, apenas quatro em cada dez bebês são alimentados exclusivamente com leite materno

Para trabalhar a conscientização da importância do aleitamento materno, foi criada a campanha “Agosto Dourado”, no ano de 2017, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com base na Semana Mundial do Aleitamento Materno, que acontece sempre do dia 1º a 7 de agosto. Segundo dados da Unicef, apenas quatro em cada dez bebês no mundo são alimentados exclusivamente com o leite materno nos primeiros seis meses de vida.

De acordo com a ONU, as nações ricas registram as menores taxas de amamentação exclusiva para o início da vida dos bebês. Nos países de renda média e alta, 23,9% das crianças são alimentadas somente com o leite da mãe em seu primeiro semestre após o nascimento. O índice representa uma queda na comparação com 2012, quando a taxa chegava a 28,7%. No Brasil, o índice foi estimado em 38,6%, de acordo com o UNICEF e a OMS.

Gazeta do Rio Pardo entrevistou o pediatra Jarbas Ferreira Penna, que faz parte do GAM (Grupo de Aleitamento Materno), de São José do Rio Pardo, para explicar sobre a importância da amamentação na vida das crianças, assim como na das mães.

Quais os benefícios da amamentação?

Jarbas: O leite materno tem um valor inestimável para a nutrição do bebê. Assegura um desenvolvimento saudável sob todos os aspectos. Nada deveria substituir o leite materno. Para a mãe que amamenta, há redução dos sangramentos pós parto, o útero retorna tão logo a normalidade, diminui a incidência de câncer de útero e ovários como também o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Já para a criança, também há redução significativa da ocorrência de obesidade e diabetes. Serão crianças com um quociente de inteligência superior. Como é um ato permeado de amor, crianças mais seguras, afetivas e tranquilas.

Até que idade é ideal que a mãe amamente o bebê?

Jarbas: De acordo com a OMS e a comunidade científica, o bebê deve ser amamentado somente com leite materno até o sexto mês de vida, sem adição de chá, água ou outros. Depois do sexto mês, iniciar frutas, sucos, papinhas e manter o leite materno até por volta de dois anos ou mais.  A introdução gradual e supervisionada de novos alimentos é fundamental para evitar a ocorrência de fenômenos alérgicos ou intolerância alimentar.

Qual a diferença do leite materno com relação aos substitutos?

Jarbas: O leite materno têm em sua composição a quantidade equilibrada de proteínas, gorduras e carboidratos, sendo por esta maneira dito espécie-específico. Anticorpos adequados para assegurar saúde, pouca ou nenhuma ocorrência de doenças diarreicas ou pulmonares e manifestações alérgicas. Diferentemente dos sucedâneos, em cuja composição tem grande quantidade de proteínas ditas heterólogas, com grande potencial de sensibilização do pequeno paciente e a facilidade de desenvolver doenças mais facilmente.

Qual a maior dificuldade que as mães enfrentam no   período de amamentação ?

Jarbas: Na primeira semana após o parto, a experiência aponta que os problemas relacionados com a pega correta, falta de apoio e segurança da lactante. Orientações por profissionais capacitados são decisivos para a continuidade de tal prática.  A errônea divulgação do suposto “leite fraco”, as propagandas de fórmulas infantis, tendem a contribuir negativamente para o progresso da amamentação. Mais tarde, com a preocupação do retorno ao trabalho também dificultará a amamentação. Neste momento, as políticas de saúde deveriam sustentar a licença à maternidade de 180 dias, empresas empenhadas a abrir espaço e horário para a mãe que amamenta. Com certeza, melhorará a produção.

É possível que a mulher não produza o leite materno? Se sim, como esse problema pode ser resolvido? Existem estímulos para isso?

Jarbas: A condição de agalactia, onde há ausência de produção e descida do leite, é incomum, ocorre por alguma desordem hormonal ou outro fator. Comumente, vivenciamos a condição de hipogalactia (pouca produção) ligada a fatores emocionas, stress, insegurança, erro de técnica ou posição de amamentar, uso indevido de chupetas a chuquinhas. Nestas situações, o apoio da equipe de saúde, multidisciplinar e familiares pode promover e incentivar o aleitamento materno e melhorar a produção e descida do leite. 

De quantas em quantas horas as mães devem amamentar para saciar a necessidade de bebê?

Jarbas: Hoje, a recomendação é que o bebê deve mamar a livre demanda, ou seja “quando quer, como quer e quanto quer”. Normalmente, se ele mamar adequadamente, esvaziar toda a mama, leite anterior e leite posterior, ele só vai mamar novamente, depois que houver o que chamamos de esvaziamento gástrico, que em condições normais ocorre por volta de duas horas e meia até três horas. Mas esse tempo é muito variado. O que mais importa é o bebê fazer bastante xixi, trocar fraldas cerca de oito vezes. O funcionamento intestinal pode ser mais demorado, ou não.

Quais os cuidados que as mães devem tomar durante esta pandemia?

Jarbas: Nesta pandemia, é comum situação de ansiedade, preocupação, angústia e dúvidas. Para conhecimento, houve uma publicação na revista LANCET, onde analisaram nove mães com pneumonia por Sars-covid e as amostras do líquido amniótico, cordão umbilical, leite materno e swab da orofaringe do recém-nascido, em nenhuma acusou a presença do vírus. Portanto, não há até o momento transmissão vertical e há segurança em manter o aleitamento materno, com as devidas precauções inerentes à pandemia. Também é importante respeitar a vontade da mãe em fazê-lo.

São José do Rio Pardo tem o GAM (Grupo de Aleitamento Materno). Como são as reuniões desse grupo? Quem participa e o que é orientado ?

Jarbas: No início do ano 2000, foi criado um grupo de apoio  e incentivo ao aleitamento, como uma forma de iniciar um processo para garantir saúde e qualidade de vida da população infantil. Muitas doenças prevalentes, ambulatório de pediatria sempre lotado, e uma baixa adesão ao aleitamento materno. Assim, o Grupo de  Aleitamento Materno (GAM), acolhe logo na primeira semana de pós parto, a mãe e o recém-nascido para orientações sobre a importância de aleitamento materno, o apoio da família, e os passos para o sucesso da amamentação. Temos apoio multidisciplinar, inclusive psicologia, odontologia e outras, nas orientações e cuidados devidos. Toda terça-feira, por volta das 10 horas, o grupo está sempre aberto a demanda e todos convidados a participar, mostrando que o ato de amamentar é também ação de cidadania.

Por Júlia Sartori

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