quarta-feira , 22 setembro 2021
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O psicólogo Ângelo Missura durante entrevista para a Rádio Difusora

A cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio

Psicólogo explica o que são micro suicídios e como devemos ficar atentos aos sinais

O mês de setembro chegou, e com ele a Campanha Brasileira de Prevenção ao Suicídio, que foi instaurada em território nacional no ano de 2015, intitulada “Setembro Amarelo” ganha destaque. O suicídio é um problema grave, de saúde pública. A cada ano, cerca de 1 milhão de pessoas tiram a própria vida, e no Brasil, são registrados mais de 13 mil suicídios todos os anos. O ato pode ocorrer durante todo o curso da vida e foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo no ano de 2016. Ainda, segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), o suicídio não ocorre apenas em países de alta renda, é recorrente em todos os lugares do mundo. Devemos lembrar que Setembro Amarelo é um mês dedicado a realização da campanha de conscientização, mas que tragédias como essa, ocorrem em qualquer época do ano.

O psicólogo Ângelo Missura Neto falou sobre o tema nesta semana, em entrevista à Rádio Difusora. Gazeta do Rio Pardo reproduz os principais trechos do bate-papo.

Por quê amarelo?

O psicólogo começou explicando a história da campanha de conscientização, e contando o motivo da escolha da cor amarela.

“Na realidade isso começou em 1994, nos EUA, quando um jovem de 17 anos, que era apaixonado por um Mustang amarelo cometeu suicídio. Os amigos, no dia do velório dele, começaram a distribuir fitinhas amarelas para todas as pessoas que estavam no velório para conscientizar do que tinha acontecido. A partir daí vários países fizeram essa campanha, que o Brasil adotou em 2015”, explicou.

Ângelo Missura destaca que a questão atinge milhões de pessoas por todo o mundo e, portanto, requer intensa conscientização.

“É um drama, um problema muito sério que atinge milhões de pessoas no mundo. É importante destacar que a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no planeta. Em muitos anos o suicídio ultrapassa o número de mortes em guerras e em homicídios. É um fator muito importante a ser discutido”, revelou.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o suicídio é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos, sendo considerado um problema de saúde pública. “Na juventude e na velhice, são as fases em que mais ocorrem suicídios. Mas ele pode ser prevenido, por isso criou-se a data, a cor do mês. Para podermos alertar as pessoas. Para despertar a necessidade de uma atenção sobre algum problema. A data é importante para nos lembrar que algo está acontecendo e que precisamos ficar atentos”, completou.

A relação com o bullying

De acordo com o profissional, para os adolescentes, o bullying é umas das principais causas que levam ao suicídio. E destaca que o problema precisa ser combatido.

“Ele atormenta a pessoa, faz com que ela se menospreze, destrói a autoestima de alguém. Geralmente faz referência a uma particularidade considerada ruim que a pessoa tem. Antigamente falávamos que eram brincadeiras, todos nós passamos por isso. Na fase da adolescência, os adolescentes usam isso e acabam mexendo com o outro. Hoje em dia temos um advento muito sério, que é cyberbullying, ou seja, é o bullying na internet”, disse.

“As brincadeiras sempre existiram, mas hoje em dia elas perderam os limites, se tornaram perseguições, isso é algo sério. Pela intensidade e pelo tamanho, os adolescentes geralmente não têm estrutura emocional para tolerar essa exposição, muitos podem cometer suicídio ou fazer uma tentativa”, relatou.

Depressão e outros fatores

A depressão, problemas amorosos e familiares, uso de drogas ou álcool, trauma emocional e também o diagnóstico de algumas doenças impactantes, são outras causas de suicídio, segundo o psicólogo.

“No caso da depressão, conseguimos perceber quando a pessoa deixa de ter uma ideia, de querer viver. Ela passa a ser pessimista, autodepreciativa. Às vezes as pessoas vão se isolando. O isolamento é algo muito importante para ficarmos atentos. Na adolescência ele é algo muito sério, porque já faz parte dessa fase. Na pandemia, o isolamento foi imposto, não foi por vontade própria. Ideias negativas, autodepreciativas, ficaram muito fortes nessa época de pandemia. Estamos muito preocupados porque está ocasionando o que chamamos de quarta onda, que pós- pandemia, serão problemas emocionais. Eles já estão começando a aparecer”, comentou.

Para o profissional, a internet em excesso, a globalização e a questão frenética do imediatismo, prejudica em vários aspectos emocionais.

“A depressão tem a ver com um sentimento de perda, de deixar coisas. As vezes até mesmo em coisas boas, como a aposentadoria, que a pessoa trabalhou mais de 30 anos, se aposentou, ela às vezes sente a perda daquele espaço que tinha antes. Isso pode levar a uma depressão. De cada dez pessoas que desenvolvem quadro depressivo, sete podem tentar suicídio”, declarou.

Idosos e adolescentes

Os adolescentes e idosos são as faixas etárias que mais cometem suicídio no mundo. “O adolescente e o idoso tem coisas peculiares. O adolescente está no início da vida, florescendo, ele está desabrochando, isso diante das várias expectativas que são colocadas sobre ele. Nessa fase, eles precisa definir três coisas: a identidade sexual, profissional, e a identidade física, porque ele está se tornando adulto, já não é mais criança. Tudo isso é muito pesado, são muitas exigências, muitas cobranças. Nessa fase de transição que ele está vivendo, isso pode causar problemas”, afirmou.

“No caso dos idosos, a perspectiva de vida não existe mais, porque cada dia, é próximo ao fim. Mas isso na cabeça dos idosos deprimidos, que não estão bem. Nós não sabemos quando vamos morrer, não são só idosos que morrem. Mas a falta dessa perspectiva, de uma situação nova, de uma mudança, isso leva a uma auto depreciação. Então tanto o adolescente que é exigido para uma expectativa, quanto o idoso que pode ter a falta dela, ambos são as duas faixas etárias que tem maior casos de índice de suicídios. No caso dos idosos, os homens cometem mais, e de um método mais agressivo. No caso dos adolescentes, as mulheres lideram, geralmente com ingestão de comprimidos”, declarou.

“Toda tentativa de suicídio é um pedido de socorro”, observou.

Sinais

Ângelo comentou sobre alguns sinais que podem ajudar a descobrir se a pessoa está com algum tipo de problema emocional. “Precisamos ficar atentos. As vezes a pessoa não dá bom dia, fica só trancada no quarto, não quer comer, começa a emagrecer ou só pensa em dormir. São sinais que as pessoas vão dando, é um jeitinho de mostrar como elas funcionam. Nós, seres humanos, temos uma rotina. Quando ela começa a mudar, de uma forma negativa, são sinais”, pontuou.

Micro suicídios

O psicólogo explicou o que são micro suicídios, termo usado na psicologia para descrever algumas ações destrutivas.

“Eles são pequenos, são lentos. Uma pessoa que bebe todo final de semana e perde o rumo, é um micro suicídio. A pessoa que usa droga, atrapalha os relacionamentos dela, que come em excesso, trabalha em excesso, fica na internet em excesso. Tudo isso é micro suicídio. São processos de auto sabotagem que te impede de viver com as pessoas de uma forma harmoniosa, equilibrada. São detalhes que vão te impedir de viver de maneira saudável, ter um relacionamento bacana com você mesmo e com os outros. Todos esses micro suicídios vão trazer preocupações, um desequilíbrio mental. As pessoas propensas a tentarem suicídio, são desequilibradas”, enfatizou.

“Temos que buscar um equilíbrio em um mundo conturbado, violento. Precisamos buscar essa integridade para não ocorrer essas tentativas”, disse.

Tentativas e busca por ajuda

Ângelo explicou que quando uma pessoa tenta suicídio, ela certamente tentará novamente nos próximos 12 meses. “Quando a tentativa acontece, precisamos buscar rapidamente um apoio, seja psiquiátrico, psicológico ou até mesmo espiritual. As espiritualidades também podem ajudar, existem estudos que provam que ela é uma grande aliada ao equilíbrio mental”, informou.

O psicólogo destacou a importância das pessoas que sofrem de algum problema emocional, ou que já tentaram suicídio, procurarem ajuda profissional. “Precisa procurar o psiquiatra porque às vezes necessita de uma medicação, eles podem avaliar os traumas, a depressão, os transtornos. A psicologia também pode ajudar a pessoa a compreender tudo isso”, encerrou.

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