segunda-feira , 2 agosto 2021
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Saerp vai cortar água de inadimplentes

Autarquia faz campanha por consumo consciente e deve iniciar cortes em agosto

De acordo com Daniel Cobra Monteiro, superintendente da Saerp, a autarquia vem se preparando para evitar o colapso no sistema de abastecimento da cidade, pelos próximos meses, quando é esperada, segundo ele, a maior seca dos últimos 90 anos. Ele falou à reportagem na última semana, para comentar os investimentos e a necessidade de melhorias na distribuição da água em São José.

Segundo o superintendente, há alguns meses a autarquia tem adotado procedimentos visando diminuir os efeitos da estiagem no sistema de captação e bombeamento. Daniel esclareceu ainda que a Saerp iniciará uma ampla campanha pedindo apoio da população para uso consciente da água.

“Lançamos uma campanha recentemente sobre o uso consciente da água. É muito importante a participação da população. Temos previsão de ser a maior seca dos últimos 90 anos. Paralelo a essa campanha, estamos fazendo intervenções tentando diminuir perdas e na captação. No Domingos de Sylos, fizemos duas intervenções de desassoreamento e aumento da barragem. Estamos programados para fazer ação de desassoreamento na captação do Santo Antonio e João de Souza”, comentou.

Outra medida a ser fomentada pela Saerp é a adequação dos prédios do serviço público, incluindo escolas, para uso mais racional da água. Uma destas medidas deverá ser a troca de torneiras convencionais, incluindo escolas, por modelos de torneiras com temporizador, daquelas que se autodesligam.

Em outra frente, a autarquia deverá discutir com a Câmara a criação de uma lei para estimular a instalação de sistemas de reuso de água de chuva na construção de prédios residenciais, industriais e comerciais. No serviço público, a escola Zélia Zanetti deverá receber um projeto piloto neste sentido.

Índice de perdas

A falta de chuvas, a estiagem, a diminuição na vasão do rio e os problemas da rede colocam a companhia em alerta, quanto a necessidade de uso mais moderado da água. Somente dessa forma, segundo Daniel, será possível atravessar esse período crítico.

“A gente trata água para 150 mil habitantes. O índice de perdas é muito grande devido à nossa tubulação antiga, que precisa de muito investimento para ser trocada. O Plano Diretor de 2015 prevê investimento de mais de R$ 100 milhões, em 20 anos, no sistema. Temos uma situação privilegiada por conta do rio Pardo, mas garantir que será suficiente não posso, vai depender muito da conscientização da população”.

Ainda de acordo com o superintendente, a Saerp mantém constante contato com a AES Tietê no monitoramento da do volume do rio, a fim de evitar problemas como o ocorreu em 2017, quando a proliferação de algas na represa de Caconde deixou a água com forte cheiro e quase imprópria para consumo. “A gente está em contato com a AES Tietê direto e vamos tentar nos antecipar aos problemas”.

Falta de água

Daniel também falou acerca da região do Vale do Redentor onde a instalação de novos bairros tem provocado necessidade constante de ampliação da rede de abastecimento.

“Hoje não temos problemas de abastecimento. As faltas de água têm sido pontuais. A maior parte dos problemas que nós temos são devidos à tubulação antiga. Temos muito vazamento. Para consertar temos que fechar. Foi feita uma intervenção recentemente que resolveu um problema estrutural que tinha no Vale do Redentor”, disse.

De acordo com Daniel Cobra, a proposta de mudança da captação de água bruta, para a região do Pontilhão da Nestlé, contribuiria para melhorar o tratamento.

“Pegaria água mais limpa, seria mais barato, poderia eliminar até três tratamentos existentes hoje. Mas é um projeto que hoje deve estar orçado próximo de R$ 30 milhões. Em 2015, estava em R$ 22 milhões. Precisa de recurso externo. Infelizmente o município não tem”, explicou, dizendo que a proposta consta do Plano Diretor. 

Tratamento de esgoto

Uma das atribuições da Saerp deverá ser a operação do sistema de tratamento de esgoto, cuja obra está por ser concluída.

Para o superintendente, atualmente a Saerp não teria condições de tocar o serviço, caso ele já estivesse pronto. “Com o sistema novo, precisa se criar novas estruturas, trazer recursos humanos e até financeiros. Tudo isso tem que ser remodelado”.

Inadimplência e cortes

Em decorrência da pandemia, a situação de arrecadação da Saerp, que já era crítica, foi agravada. Os decretos estaduais e municipais relacionados ao estado de calamidade, proibiram o corte de água dos consumidores inadimplentes.

Na Câmara Municipal, nesta semana, houve informação de que o volume de contas em aberto está na casa de R$ 9 milhões. Conforme explicou Daniel Cobra, este montante não é somente dos anos da pandemia, mas é um volume acumulado de vários anos.

A expectativa é de que, a partir da retomada da economia, com a permissão para que as empresas retornem ao trabalho, os decretos proibindo cortes sejam revogados, assim, a Saerp estaria autorizada a efetuar a suspensão do abastecimento nas unidades com contas não pagas.

“A inadimplência vem desde 2015, num volume considerável. A gente deve lançar o Refis em agosto. Estavam proibidos os cortes devido à pandemia, até por orientação do Ministério Público, o Gaema, e hoje já mudou. O Gaema já autorizou a Saerp a fazer o corte. Provavelmente vamos começar a cortar, provavelmente já no mês que vem”, disse o superintendente.

Reajuste e ligações clandestinas

Daniel Cobra Monteiro, superintendente da Saerp

O superintendente da Saerp também falou acerca do reajuste da tarifa da água – autorizado pelo prefeito, Márcio Zanetti, por meio do decreto 6.630, de 1º de julho. A medida, que foi muito criticada, inclusive por vereadores da base de apoio da administração, não deverá ser revogada.

“A gente apenas fez a correção inflacionária dos últimos 12 meses. Infelizmente herdamos uma dívida de R$ 2,2 milhões, um reparcelamento com a CPFL. Estávamos com previsão de um déficit de R$ 950 mil”, informou.

“A gente entende que o momento é difícil. A lei de responsabilidade fiscal não permite que o município faça repasse de recursos de custeio para a autarquia, sendo a única fonte de receita a tarifa de água e esgoto. Com as diversas ações que estamos fazendo, acredito que ao final do ano teremos um resultado positivo que não vá precisar de outro reajuste”, completou.

De acordo com Daniel Cobra, além do índice baixo de faturamento, aumentaram os custos da operacionalização do sistema. “Tivemos a maior inflação na construção civil nos últimos 18 anos. Aço aumentou em mais de 130%. Estamos com dificuldade de conseguir material em ferro fundido. O cimento aumentou mais de 50%, a energia. Então tudo isso acabou levando a tomar essa atitude”.

Daniel informou que a Saerp está intensificando o combate aos “gatos” de água. Levantamento realizado nas últimas semanas resultaram na identificação de 17 ligações clandestinas. “Estamos intensificando essa fiscalização. Isso tem uma perda no sistema muito grande”, afirmou.

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