segunda-feira , 12 abril 2021
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Construção civil cresce 30%, apesar da pandemia

Lado negativo foi aumento de até 50% nos materiais, mas financiamentos a juros baixos estimulam as obras

O setor da construção civil emprega atualmente cerca de 3 mil pessoas em São José do Rio Pardo e continua a todo vapor, apesar da pandemia. O crescimento em relação ao ano de 2019 foi de 30%, aproximadamente. O segmento vem enfrentando, porém, problema com os reajustes dos materiais de construção, que chegam a 50% em alguns itens básicos, mas, em compensação, nunca teve um financiamento bancário tão favorável como agora, com juros de até 4,5% ao ano para construções de até R$ 145 mil. As informações são do engenheiro civil Mário Gusmão.

Mais dúvidas que certezas, precauções por conta da oscilação constante das normas governamentais em vigor (“hora fecha tudo, hora abre tudo”), dificuldades no uso de máscara sob sol escaldante (“quase impossível o uso de máscara nessas condições”) e recomendações para que os profissionais da área se protejam em seu viver doméstico, religioso e de lazer.

Estas foram, em síntese, as palavra iniciais do engenheiro civil Mário Aparecido Gusmão na entrevista concedida à Difusora na quarta-feira, 24 de fevereiro, no Jornal do Meio Dia. O objetivo da entrevista, segundo o locutor Paulo Sérgio Rodrigues, foi informar a população sobre os efeitos da pandemia do coronavírus na construção civil, de março até agora.

“O que fizemos e sentimos que quase toda a construção civil tem feito em relação aos seus colaboradores é, primeiramente, fazer com que os funcionários tomem todas as precauções possíveis em suas casas, em seus eventos, em suas igrejas, de maneira tal que não tragam contaminação para dentro da obra. Dentro da obra, tentamos evitar ao máximo a aglomeração. A gente escalona, faz uma logística de serviço, porque se ao usarmos máscara aqui no estúdio (da rádio) já sentimos ela cair, imagine debaixo do sol. É muito difícil para eles trabalharem com máscara, então a gente faz uma logística tal que evite concentração de pessoas em determinado segmento ou serviço”, confirmou o engenheiro.

30% de crescimento

Mário diz que, em todas as obras que realiza, ele sempre coloca uma pia em local muito acessível e saboneteira, de forma a que a limpeza das mãos seja constante por parte dos trabalhadores. Ele diz que, até agora, somente 4 pessoas foram contaminadas nas obras sob sua responsabilidade e todos estão recuperados, já tendo retornado ao serviço.

O engenheiro explicou que, nos primeiros dois meses após o início da pandemia, o setor também foi muito afetado. “Mas depois a construção civil aumentou muito. Creio que o aumento foi em torno de 30% em relação ao mesmo período de 2019 e não me refiro só aos meus empreendimentos, mas a todo o setor da construção, pois consultei amigos, comerciantes, locações de equipamentos e concreteiras. Fiz isso para ter um parâmetro e estou usando números gerais das obras”, confirmou.

Custo dos materiais

O maior problema enfrentado pela construção civil, segundo ele, tem sido o aumento do custo dos materiais de construção nos últimos meses. “No uso do ferro, do cimento e do PVC, houve um acréscimo de mais de 50% em menos de um ano. Estamos falando de abril de 2020 para janeiro de 2021. Outros materiais subiram 20% e alguns 10%. Tivemos esse agravante e a construção ficou mais cara”, lamentou.

Mário diz que aconteceram também alguns poucos cancelamentos de obras previstas no programa Minha Casa Minha Vida (que agora se chama Casa Verde Amarela), cujo limite de financiamento é de R$ 145 mil. “As pessoas já estavam no seu limite de dinheiro e, com o encarecimento dos materiais, elas desistiram. Em duas obras minhas, por outro lado, o que ocorreu foi que o pessoal me pediu para diminuir o ritmo, mas não parou. Eu tinha 6 funcionários e passei para 4, mas não aconteceu um número significativo de cancelamentos”, disse.

306 obras registradas

Mário Gusmão lembrou que a construção civil em São José do Rio Pardo, e no país como um todo, “é um grande contratante”. Citou como exemplo o número de registros de obras novas e regularizadas na Prefeitura, com projetos aprovados e toda documentação em ordem: 306 em 2020. “E podemos dobrar, talvez triplicar isso, se considerarmos que quase todo mundo faz alguma obra em casa, seja erguendo um muro, reformando um telhado ou algo assim, sendo que isso não é registrado na Prefeitura. Com isso, aquelas 306 podem virar 600 ou 800 obras no ano, envolvendo pedreiro, servente, carpinteiro, eletricista, encanador, pessoal de máquinas e terraplanagem, lojistas e outros. Estamos falando de mais de 3 mil pessoas empregadas em São José do Rio Pardo, embora não tenhamos estatística oficiais aqui. Mas são números que a gente parte das obras em andamento, dos financiamentos e dos ‘murinhos da vida’”.

Ele próprio, Mário Gusmão, tem hoje 68 funcionários (diretos e terceirizados), entre as obras sob sua responsabilidade.

Ritmo ainda crescente

Para este ano de 2021, na opinião de Mário Gusmão, as perspectivas são muito boas. “O ritmo continua crescente. Mudaram o perfil e os financiamentos. Nas três últimas semanas o setor deu uma pisada no freio, talvez porque aumentou muito o número de infectados e mortes pelo coronavirus no país, com esse compasso de espera se tudo vai fechar, se vai fazer lockdown. Os investidores estão um pouco com o pé no freio, mas é coisa de algumas semanas, com redução de alguns serviços. Na verdade, o setor está na crescente ainda”.

Juros baixos

E ele acredita que essa tendência se mantenha no decorrer de 2021 e aponta um motivo principal: “Os juros caíram bastante, eles estão bem abaixo do que quando comecei a trabalhar. Eles subiram demais, mas hoje estão muito baixos. Há financiamento da Caixa a 4,5% ao ano, fato que quase nunca aconteceu, e há financiamento do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), de R$ 150 mil até grandes volumes, por 7% a 7,5%, mais IPCA. Isso faz com que muitos investidores, tanto na área comercial quanto na residencial, prefiram porque as prestações acabam sendo menores que os aluguéis. Acredito que no ano passado tenham sido financiadas umas 180 casas (no município)”.

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