segunda-feira , 21 junho 2021
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Covid pode levar ao parto prematuro, afirma Dr. Teixeira

Com sistema imunológico comprometido, gestantes correm alto risco ao contrair Covid, diz o experiente médico ginecologista

O índice de mortes de gestantes e de puérperas em decorrência da Covid-19 mais do que dobrou em 2021 em relação à média semanal do ano passado. Uma média de 10,5 gestantes e puérperas morreram por semana em 2020, chegando a um total de 453 mortes em 43 semanas epidemiológicas. Já em 2021, a média de óbitos por semana chegou, até 10 de abril, a 25,8 neste grupo, totalizando 362 óbitos neste ano durante 14 semanas epidemiológicas.

Dr. Antônio Teixeira Filho, médico ginecologista e obstetra, responsável por mais de 10 mil partos, que atua em São José do Rio Pardo há mais de 50 anos, falou sobre os riscos da Covid-19 para gestantes e puérperas.

Fases

O médico explicou sobre as fases da Covid-19 no organismo. “A primeira fase de contaminação, que vai do zero ao sétimo dia, chamada de fase viral, é quando o vírus entra no pulmão do cidadão, e ali ele vai se aderir, ele faz uma junção na mucosa respiratória. Depois disso, vem a fase de replicação, geralmente, 80% das pessoas param por aí, mas 20% desenvolvem a fase seguinte, que é a hiperinflamação ou hiperinfecção. A proteína Spike gruda na mucosa respiratória e desencadeia todo um processo inflamatório local. Com isso, o próprio organismo tenta se defender produzindo enzimas, e o número de leucócitos na fase aguda da doença cai, com isso ocorre essa hiperinflamação. Muitos estímulos imunológicos são desencadeados naquele local e são produzidas citocinas tóxicas que se espalham pelo corpo todo”.

Dr. Teixeira, médico ginecologista e obstetra já realizou mais de 10 mil partos

A partir daí, segundo o médico, 5% das pessoas podem ter a fase sepsia, em que começam a surgir as complicações secundárias, como insuficiência renal, doenças cardíacas e respiratórias, entre outras. “Isso geralmente acontece com as pessoas que possuem comorbidades. Se a pessoa não possuir doenças de base, ela terá uma resistência maior a essas complicações”, completou.

Vírus no corpo das gestantes

“As investigações feitas através de órgãos de informações nacionais e internacionais, não fazem diferença entre contaminação de gestantes ou não gestantes, a fase inicial praticamente se repete. Quando caminhamos para a segunda fase da doença, a própria Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) e a OMS (Organização Mundial da Saúde) criou o Score de Alerta Obstétrico, é ele quem vai nos informar se a paciente gestante está caminhando bem ou mal com a contaminação. Ele leva em conta a temperatura, pressão arterial que às vezes começa a cair, hipoxemia – que é a saturação de oxigênio, e o sensório -, que é a capacidade de cognição. Esses dados informam sobre o estado de saúde da gestante”.

“Por outro lado, sabe-se que a febre, a hipoxemia e o quadro infeccioso que pode aparecer na gestante nos primeiros meses, podem gerar pequenas alterações na formação fetal. Assim como zika vírus, que causa um problema de microcefalia, atualmente os cientistas estão pensando na possibilidade de pequenas alterações. Ainda é muito cedo para concluir isso, mas está sendo estudado. Quando a paciente já está mais próxima do fim da gestação, talvez ela sofra uma ruptura precoce da bolsa, gerando um parto prematuro”, analisou.

Dr. Teixeira opinou sobre o cenário da Covid-19 referente a morte de mulheres grávidas. “É muito assustador o que estamos vendo. Quando se perde uma mãe em fase reprodutiva, estamos enlutando o marido, os filhos, o recém- nascido, uma família e uma sociedade. Estamos perdendo mães que são extremamente importantes, porque a sociedade continua”, prosseguiu.

O médico ressaltou que nos últimos meses de gestação, as mulheres ficam com o sistema imunológico comprometido. “Tanto que apresentam edema, varizes, dor abdominal, entre muitas complicações que classificamos como normais dentro da gestação. Na segunda fase da Covid, elas se tornam parte do grupo de alto risco, daquela parcela de comorbidades, assim como as puérperas, que são as mulheres até o 14º dia após o parto”, informou.

“Toda paciente precisa ser testada para saber se ela tem ou não a doença. O obstetra precisa fazer aquele score que comentei para saber os riscos”, complementou.

Pós Covid

O ginecologista explicou sobre a ‘Síndrome da Covid Persistente’. De acordo com ele, a doença espalha-se pelo corpo todo, o que resulta em uma porção de alterações, como dores intestinais, diarreias crônicas, alterações respiratórias e de cognição. “A mãe que teve a Covid pode ter essas alterações, não sabemos quanto tempo irá durar, se serão poucos meses, ou um ano”.

Dr. Teixeira ressaltou a importância de um pediatra cuidar do bebê, para que ele não se contamine. “ Além disso, a mãe precisa de uma assistência, pois pode apresentar os sintomas dessa síndrome”.

Medicamentos

“O tratamento da gestante com Covid é o mesmo do cidadão comum, se passar para a fase imunológica, é preciso partir para a internação. Nesse caso, cada grupo tem seu esquema de tratamento, e obviamente vai incluir antibiótico e corticoides. Todo medicamento tem efeito secundário, mas de acordo com o que temos observado, esse tipo de tratamento não está agravando o problema do feto quando a gestação está mais avançada, porém, não se perde o risco de um parto prematuro”, frisou.

Vacinação para grávidas e puérperas começará dia 11 de maio

Grávidas e puérperas com comorbidades, acima de 18 anos, serão vacinadas contra a Covid-19 a partir do dia 11 de maio, em São Paulo. O anúncio foi feito no dia 5, quarta-feira, pelo governo do estado.

A estimativa é vacinar 100 mil mulheres que fazem parte desse grupo. As gestantes com comorbidades poderão ser vacinadas em qualquer idade gestacional. Já as puérperas serão vacinadas com o prazo de até 45 dias após o parto. Para que sejam vacinadas, as grávidas e puérperas vão precisar comprovar o estado gestacional, apresentando a carteira de acompanhamento, o pré-natal ou laudo médico, além do atestado de nascimento da criança, no caso das puérperas. Também vai ser preciso comprovar a condição de risco por meio de exames, receitas, relatórios médicos ou prescrição médica.

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