segunda-feira , 12 abril 2021
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Marcelo Galotti, infectologista

“Tratamento preventivo para Covid é ineficaz e pode até causar hepatite medicamentosa”

Afirmação é do Dr.Marcelo Galotti, infectologista, que falou sobre os riscos envolvidos nesse tipo de atitude

Com a pandemia em seu pior momento, em que o país ultrapassa 12,3 milhões de casos e cerca de 303 mil mortes por coronavírus, muitas pessoas, com medo da doença, estão apelando para o uso de medicamentos sem recomendação médica, para tentar uma prevenção contra a Covid-19. Ivermectina, hidroxicloroquina e até mesmo antibióticos estão sendo utilizados de forma incorreta por algumas pessoas, o que preocupa cada vez mais as autoridades de saúde. Chefes de UTIs brasileiras e médicos intensivistas voltaram a se posicionar contra a utilização do “kit COVID”, no chamado tratamento precoce contra contaminações pelo vírus. Dr. Marcelo Galotti, infectologista, comentou sobre os possíveis riscos envolvidos nesse tipo de atitude.

“As maiores associações médicas do mundo são totalmente contra o que chamamos de tratamento preventivo e tratamento precoce. Isso só não funciona, como podem ter efeitos colaterais, um deles é a hepatite medicamentosa. Eles têm risco, mas não possuem benefício algum contra o coronavírus”, destacou.

Os efeitos colaterais de medicamentos como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina podem envolver além da hepatite, problemas renais, infecções, gastrite e diarreias. 

 “É algo muito complicado. Alguns colegas (médicos) abrem mão da ciência para ver experiências pontuais. É como fazer um kit ilusão, para ninguém morrer. Isso não é trabalho científico. O CRM (Conselho Regional de Medicina), o CFM (Conselho Federal de Medicina), o CFF (Conselho Federal de Farmácia), abominam isso. Nenhum dos grandes nomes da medicina e da ciência afirmam que esses remédios funcionam contra a Covid, e alguns médicos insistem em receitar. Não existe tratamento preventivo ou inicial para o coronavírus”, alertou.

Medicamentos utilizados em hospitais

Segundo Dr. Marcelo, os pacientes internados recebem três tratamentos: medicamentos com corticoide, oxigenoterapia e medicamentos anti trombose. “É um tratamento paliativo, ajuda para uma boa evolução do organismo”, contou.

“Surgiu o Remdesivir, que anima, mas não resolve muita coisa. É um medicamento específico para matar vírus. Ele é o primeiro contra o coronavírus, mas ainda é só o começo. É caro, injetável, só pode ser aplicado em pacientes internados, com pneumonia e que não entraram no respirador. Ele reduz o tempo de internação, mas não altera a mortalidade. Uma característica típica de pacientes com Covid, é que ficam muito tempo na UTI, aí causa o congestionamento no sistema de saúde. É um medicamento que traz essa adição, que diminui esse tempo de internação”, informou.

Com vacinação a conta-gotas, distanciamento social rigoroso é única saída, alerta o médico

A epidemia vive nesses últimos dias uma intensificação geral. Nesse momento, o Brasil tem o maior número de notificações, internações e mortalidade, em comparação a outros países. Marcelo Galotti comentou o cenário do Brasil, e afirmou sua preocupação.

“O país está passando por uma situação bastante constrangedora. Particularmente na última semana, tivemos 15 mil mortos. No dia 18 de março, o número de óbitos no Brasil respondeu por 30% da mortalidade no mundo”, declarou.

São Paulo

“Em São Paulo, temos todos os recordes, de internação, óbitos e casos. Os 25 principais hospitais de São Paulo estão com 95% de ocupação de leitos de UTI, 20 deles já estão com 100%. Só para se ter noção, 130 pessoas entraram nos hospitais e morreram porque não conseguiram chegar na UTI no mês de março”, observou.

Cidade

Até o dia em que concedeu a entrevista (terça-feira, 23), a Santa Casa de São José do Rio Pardo tinha ao todo 30 pessoas internadas com Covid, sendo 22 delas, na enfermaria. “Pelo boletim epidemiológico, estamos com a média de 1 óbito por dia na cidade. Estamos com 60 mortes”, disse Marcelo.

Distanciamento

 “A médio prazo, o que é necessário para controlar a situação é a vacinação, o que está impossível já que não existe contratos de entrega e ela está acontecendo a conta-gotas. O que sobrou é o distanciamento social de forma rigorosa. Agora a questão não é dinheiro, são as mortes. Já foi sinalizado que todo o sistema de saúde está abrindo o bico. Estamos vendo aviões transportarem oxigênio de um estado para o outro, assim como pacientes. Até anestésicos estão faltando. Se continuar assim, a situação vai agravar mais ainda”, lamentou.

Incubação do vírus

Dr. Marcelo lembrou que o período de incubação da doença é de até 15 dias. “Se eu pegar a Covid hoje, de 4 a 15 dias vou manifestar a doença. Se eu tiver Covid-19, mesmo que ela dure muito, dentro de sete dias o organismo elimina o vírus. Nesse caso as consequências da doença permanecerão, mas sem o vírus”.

“Se o infectado fica com o vírus sete dias, e o incubado fica no máximo 14, em uma condição utópica, que pegássemos os indivíduos dessa cidade durante 14 dias e colocássemos cada um em sua casa, dentro desse período a transmissão estaria encerrada. É claro que tem pessoas que saem de São José para trabalhar, e outras vêm de outras cidades. Isso não seria possível de uma forma radical. Mas será possível fazer com a maioria”, destacou.

“A única saída é ser duro no distanciamento social, para dar uma segurada na epidemia”, encerrou o infectologista.

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