segunda-feira , 12 abril 2021
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Paulo Olivieri, presidente da ACI, e Henrique Ventura, representante

Fechamento do comércio não essencial poderá trazer caos social, prevê a ACI

Para representantes da Associação, aumento de casos de Covid se deve a festas familiares e clandestinas

Após a reclassificação do Plano SP, divulgada na sexta-feira (22) pelo Governo Estadual, que colocou todo o estado na fase vermelha após às 20h00 de segunda a sexta-feira, e proibiu o atendimento presencial em bares e restaurantes aos finais de semana, os comerciantes de São José do Rio Pardo ficaram insatisfeitos. Paulo Olivieri, presidente da ACI, e Henrique Gasparotto, representante da entidade, foram entrevistados pela rádio Difusora sobre a situação.   

“O comitê do governador tinha que tomar alguma decisão, e simplesmente não atualizou o Plano SP. As empresas não essenciais com certeza não são a causa da contaminação, mas sim o reflexo do Natal, das Eleições e das festas de final de ano. As empresas tomam todos os cuidados, têm métodos para que não aja a contaminação. Não acho que o fechamento das empresas não essenciais vá solucionar a situação do vírus. Hoje ele está nas residências, no contato entre as famílias, amigos, isso sim gera a contaminação”, declarou Paulo.

‘Nas costas do comércio’

Para Henrique a reclassificação foi confusa. “Essa determinação vem por pressão de certos setores da sociedade.  Acho que o problema principal é que tudo o que acontece de ruim, a respeito do coronavírus, cai nas costas comércio. É como se ele fosse sempre o causador do problema. O comércio aqui segue todas as regras que foram colocadas, e isso tem sido muito cobrado do comerciante. Eles tiveram um gasto extra para estabelecer todas essas regras”, disse. “Se existe um lugar protegido para você frequentar atualmente é o pequeno comércio. Temos aglomeração em grandes empresas, como em supermercados, bancos. Concordo com o Paulo que esse aumento no número de casos e óbitos está relacionado ao que fizemos no final do ano, reuniões entre familiares e amigos, que não segue protocolos”, completou.

Caos social

O representante da ACI lembrou outro detalhes preocupante: o comércio não tem mais ajuda do governo federal. “Estamos na linha de sobrevivência. Se continuar do jeito que está, eu garanto que terá muito desemprego, as empresas vão falir porque não vão conseguir segurar seus funcionários, e teremos um caos social”, previu Henrique.

Paulo previu aglomeração nos setores que ficarem abertos nos finais de semana: “Essa arbitrariedade de lockdown aos finais de semana, em que funcionam apenas as atividades essenciais, acaba gerando aglomeração, porque as pessoas vão suprir as necessidades que sentem das empresas não essenciais, frequentando as que estão abertas”. 

Desde março de 2020 as empresas estão sofrendo um déficit financeiro, e segundo o presidente da ACI, elas não conseguem mais bancar esse prejuízo. E desde a retomada, as atividades estão com 40% da capacidade. “Alguns comerciantes na área de alimentos, não voltaram a abrir à noite, porque 40% não cobre o custo”, explicou Paulo. “O governador não pode simplesmente eleger um setor da economia como culpado pelo contágio e fali-lo. A probabilidade de demissões, e de que as empresas fechem, é muito grande”.

Essenciais

Henrique questionou também outro detalhe: “Mas e a essencialidade dos empregos? A empresa é essencial para todos que trabalham nela, para os que dependem dela. A essencialidade está exatamente nisso. Todos os comércios são essenciais, garantem trabalho, a sobrevivência, geram receita para a Prefeitura com o pagamento dos impostos. Muitas pessoas acham que a economia não é necessária, que não tem importância em um momento sanitário. O momento é sério, e o problema da economia também é. Se continuar nessa pegada irresponsável do governador Doria, vamos ter falência geral das empresas chamadas de não essenciais”, afirmou.

Pequenas empresas

Paulo Olivieri lembrou que as empresas que mais geram empregos, são as pequenas, consideradas não essenciais. “Se as atividades não retomarem, elas irão sim fechar as portas. Sabemos que temos que nos atentar, a ACI tem a cartilha com os protocolos a disposição dos empresários e da população. A Associação tem o papel de informar e cobrar dos empresários todas as providências que eles já estão tomando. Mas essa arbitrariedade de fechar aos finais de semana, não pode acontecer”, protestou.

“Podemos parecer insensíveis para alguns, por vir falar de economia, mas ela é vida, é condição para o trabalhador, para o empresário que investiu tudo o que tinha, e hoje se encontra na situação de ter que fechar a empresa que ele demorou uma vida para construir, para se fortificar”, ressaltou o presidente da ACI.

Prefeitura x Estado

Henrique explicou que existem dificuldades relacionadas à decisões do Governo do Estado e das Prefeituras em geral. “A única opção que foi dada à Prefeitura foi a de ser mais restritiva do que aquilo que o governo faz. Vimos desde o ano passado várias situação em que o Governo do Estado determinou algo, algumas prefeituras contrariaram ele, e depois de seis, sete horas no máximo, o Governo entrou com um pedido junto ao Ministério Público para anular as decisões das Prefeituras”, lembrou.

“Realmente o município fica sem ter como agir, mas acho que essa pressão é necessária, é preciso que o governador saiba que o interior de SP está se movendo contrariamente às decisões dele. A cidade de São Paulo decidiu na segunda-feira que alguns bares e restaurantes irão abrir, contrariando a decisão do próprio governo, preferiram arriscar”, lembrou Henrique.

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1 Comentário

  1. Obrigada ACI por ser nossa voz. Essas restrições do governo de são Paulo está exterminando os MEI. Muitos de nós conseguimos sobreviver com um salário e contas em dia. Ninguém se enriquece aqui. Essa perseguição aos bares, restaurantes e lanchonetes é absurda. Não promovemos aglomeração e se alguém promove que tomem ações devidas. Dizem que supermercado, mercearia é essencial…vendem bebidas alcoólicas. O mesmo digo de conveniência e postos de gasolina. Hoje farmacias vendem refrigerantes, doces, etc. Agropecuárias vendem cigarro, fumo, etc. E os bares não permitem que trabalhem no mesmo sistema dos demais. Todas as medidas de segurança foram acatadas com o mesmo desejo de conter a contaminação. Entretanto, vivemos um momento de tortura e perseguição. Donos de bares que desejam trabalhar corretamente, tratados como criminosos. Clientes que trabalharam o dia inteiro pra construir casa de bacana, privado de seu único momento de lazer. Estamos adoecendo econômico, mental e psicologicamente.

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