quinta-feira , 28 Maio 2020
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Posto rio-pardense e preço praticado até a semana passada

Consumidores voltam a questionar os preços dos combustíveis em São José

Eles estão mais baratos na região, mas gerente do Posto São Judas explica alguns dos motivos

Os preços dos combustíveis em São José do Rio Pardo voltaram a ser questionados nas últimas semanas, por conta da diferença dos valores praticados aqui em relação aos de alguns postos da região. Consumidores ligaram para o jornal e para a Difusora FM cobrando alguma matéria sobre o assunto.

Por conta disso, então, Gazeta foi atrás dos postos da cidade, mas nenhum gerente ou proprietário aceitou falar, exceto Helvecio Júnior, gerente do Auto Posto São Judas, na rua Siqueira Campos.

Júnior, como é mais conhecido, admitiu que muitos clientes chegam em seu posto e afirmam que em Mogi Mirim, por exemplo, os combustíveis estão mais baratos nos postos próximos à rodovia.

“Não dá para comparar o movimento que eles têm à beira daquela rodovia com o que eu tenho aqui. Eles podem jogar o preço lá embaixo que ainda ganharão no volume vendido, porque a quantidade de clientes que passa por aqueles postos é muito maior que a que passa por aqui. Além disso, a maior parte deles pertence a grandes redes e eu só tenho um posto, além de pagar aluguel”, comparou.
Ele lembrou que, em 2019, se viu obrigado a jogar o preço do etanol lá para baixo por conta da concorrência local e mesmo regional, mas já ciente que aquilo não duraria muito tempo. “Tivemos prejuízo no álcool
naquele período e só praticamos aquilo porque a concorrência regional, com sua rede de postos, fazia aquilo. Tiramos dinheiro do bolso para pagar o etanol porque nosso lucro nos outros combustíveis (gasolina e
diesel), é coisa de centavos por litro. Com isso, já se dá para ter uma noção do quanto tenho que vender para poder ter algum lucro e tocar a empresa”, argumentou.

Júnior explicou ainda que, antes da crise da pandemia no Brasil, ele vendia em média 200 mil litros de combustíveis por mês e agora só consegue vender 100 mil.

“O consumo caiu pela metade, mas meus custos fixos permaneceram inalterados e são muito elevados. Somando o posto, a loja de conveniência e o restaurante, tenho 26 funcionários e eles recebem seus salários em dia. São registrados e pago todos os meus impostos, enquanto muitos postos da região talvez trabalhem sem registro dos funcionários e talvez não paguem corretamente os impostos. Além disso, zelo pela qualidade dos combustíveis com os quais trabalho e metade de minhas vendas são mediante cartão de crédito, que têm desconto, sem contar as vendas com cheques de terceiros. E não se sabe se a concorrência trabalha com giro próprio ou com bancos”, prosseguiu.

Ele comparou o ramo de venda de combustíveis ao das farmácias e disse que as grandes redes farmacêuticas estão fechando as pequenas, inclusive em São José do Rio Pardo.

“Isso está acontecendo também conosco e a
concorrência fica cada vez mais difícil. O álcool, por exemplo, custa para mim R$ 2,30 o litro e não dá mais para vender abaixo do custo como fiz no ano passado só para enfrentar concorrentes e não perder a clientela. Mas está difícil e os pequenos, como eu, sofremos esta
concorrência desleal”, concluiu.

Preços em São José

Preço praticado até quinta-feira, 30 de abril.

Os preços dos combustíveis praticados até a última quinta-feira, dia 30 de abril, em São José do Rio Pardo eram quase os mesmos em todos os postos, variando poucos centavos de uns em relação aos outros.
Na rede Maga, com vários postos no município e na região, os valores são semelhantes: R$ 2,79 o litro do álcool, R$ 4,24 a gasolina comum, R$ 4,29 a gasolina aditivada e R$ 3,09 o diesel.
Outro posto, o Petrovic, estava com estes preços nesta última quinta-feira, dia 30: R$ 2,699 o álcool, R$ 4,049 a gasolina comum, R$ 4,049 a gasolina aditivada e R$ 3,349 o diesel.
O posto São Judas, também na quinta-feira, tinha os seguintes preços: R$ 2,79 o litro do álcool, R$ 4,24 a gasolina comum ou aditivada e R$ 3,75 o diesel.

Preços da região

Gazeta levantou, pelo telefone, os valores cobrados em alguns postos da região. Confira:
São João da Boa Vista
Posto Conrado
Etanol- R$ 2,34
Gasolina- R$ 3,69
Diesel-  R$ 3,14

Mococa
Posto RVM Mococa
Etanol-  R$ 2,75
Gasolina- R$ 3,99
Diesel- R$ 3,29

São Sebastião da Grama
Comercial Pericó
Etanol- R$ 2,49
Gasolina- R$ 3,79
Diesel- R$ 3,09

Vargem Grande do Sul
Auto Posto São Joaquim
Etanol- R$ 2,29
Gasolina- R$ 3,59
Diesel- R$ 3,09

Petrobras faz 10º corte e preço da gasolina cai 50%

Pela décima vez em 2020, a Petrobras reduzirá nesta quarta-feira (15) o preço da gasolina em suas refinarias. O movimento acompanha a queda das cotações internacionais do produto em meio às medidas de isolamento para enfrentar o coronavírus em vários países. O preço do diesel também será cortado.

Segundo a estatal, o preço da gasolina cairá 8%. Em 2020, a queda acumulada já chega a quase 50%. Isto é, o preço da gasolina nas refinarias da estatal custará nesta quarta quase a metade do valor vigente no início do ano. Nas bombas, o produto acumula queda de 8%.

O repasse dos reajustes ao consumidor depende de políticas comerciais de distribuidoras e postos, além de decisões dos governadores sobre os impostos estaduais, que variam de acordo com o preço na bomba. De acordo com a estatal, o valor cobrado pelas refinarias representa 19% do preço final da gasolina.

O corte no preço do diesel será de 6%. É a nona redução de preços promovida pela Petrobras em 2020. Somando todos os ajustes o valor de venda do produto pelas refinarias da estatal está 35% mais barato do que no final de 2019.

O repasse ao consumidor, que vinha lento antes das medidas de isolamento, se acelerou nas últimas semanas. Com gasolina mais barata, usar etanol hoje só é vantajoso em três estados: São Paulo, Goiás e Mato Grosso -a conta considera que etanol só é eficiente se custar até 70% do preço da gasolina.”

Na média nacional, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço do etanol equivalia a 68% do da gasolina na semana passada. Mas o valor é influenciado por São Paulo, maior mercado do país. Em 23 estados e no Distrito Federal, a relação é superior a 70%.

Com menor competitividade e queda nas vendas pelas medidas de isolamento, o setor de etanol pede socorro ao governo, que estuda reduzir impostos e oferecer linhas de crédito para ajudar usinas de cana-de-açúcar. As medidas estão sendo discutidas nos ministérios da Agricultura e Economia.

Por outro lado, o Ministério de Minas e Energia reabriu debate sobre elevar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) cobrada sobre a gasolina. Além de ajudar o setor de etanol, a medida pode criar um colchão tributário para absorver aumentos de preços em tempos de petróleo caro.

A queda abrupta dos preços dos combustíveis ocorre em um momento de forte baixa nas vendas também. Em evento pela internet no início do mês, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, falou que a demanda por gasolina caiu 60% após o início das medidas de isolamento.

O mercado de diesel recuou menos, segundo distribuidoras, já que o transporte da safra agrícola e de cargas essenciais, como alimentos, permanece ativo.

Fonte: Folha de São Paulo

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