quarta-feira , 22 setembro 2021
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Fechamento da fábrica deixará aproximadamente 200 desempregados

Comissão tentará reverter fechamento da Döhler

Sindicato, Câmara e Prefeitura vão a Limeira no próximo dia 14, discutir situação da unidade

A partir do anúncio sobre o fechamento da Döhler, na última sexta-feira, autoridades locais passaram a se mobilizar numa tentativa de reverter a situação. Na sessão da Câmara na quarta-feira (8), foi sugerida a criação de uma comissão para tratar do assunto, junto aos representantes da empresa.

O vereador Henrique Torres encaminhou documento ao Executivo solicitando informações acerca da atuação da administração municipal no enfrentamento da situação, lembrando que há centenas de colaboradores com os empregos em risco.

“Todos nós, aqui do Legislativo, assim como Sindicatos, o próprio Projeto Rio Pardo 2050 também poderíamos auxiliar na questão de procurar entender os motivos desse encerramento de atividades, bem como manter diálogo com a empresa e Executivo para tentar resolver essa situação. São centenas de famílias que sofrerão com a perda desses empregos e é preciso fazer alguma coisa”, sugeriu o vereador.

De acordo com o vereador Rafael Kocian, o prefeito teria informado que entraria em contato com a sede da empresa para tratar do assunto. “Estou aguardando o retorno do Executivo para saber quais ações poderemos desenvolver. O que posso garantir é que essa Casa, assim como nós, vereadores, nos sensibilizamos com a situação e buscaremos alternativas viáveis na tentativa de manutenção desses empregos”, comentou.

Sindicato foi surpreendido pela medida

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Alimentícias de Tapiratiba e São José do Rio Pardo representa atualmente cerca de 3 mil pessoas, segundo informou o presidente Marco Antonio de Souza. Em entrevista nesta semana à Rádio Difusora, ele falou sobre a situação do setor na região e detalhou as ações que a entidade vem adotando com autoridades locais para evitar o fechamento da multinacional Döhler Rio Pardo, conforme anunciado pela empresa na semana passada.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Indústria Alimentícia, Marco Antônio de Souza e o diretor, Alexandre Anequini

“Foi como uma bomba. Fomos procurados pela empresa no dia 3 de setembro, porque a gente o acordo coletivo anual. A empresa nos comunicou dessa situação, que no final de abril estaria fechando as atividades em São José do Rio Pardo”. Ele destacou que o assunto pegou a entidade de surpresa, que foi comunicada por meio de ofício. Ele disse que já havia rumores, mas somente na semana passada houve a confirmação oficial.

Segundo o diretor do Sindicato, Alexandre Anequini, muitos trabalhadores da empresa têm procurado a entidade, abalados, sem saber quais serão seus destinos. “Eles têm a previsão de parar até abril do ano que vem, mas segundo as informações, podem começar a dispensar o pessoal em dezembro. Não é somente os funcionários que perdem, mas a nossa cidade”, comentou.

De acordo com o diretor 138 pessoas trabalham na linha de produção da empresa, entretanto, há outras áreas, como administração, portaria, e inclusive terceirizadas, o que totalizaria em mais de 200 pessoas. 

O presidente observa que a manutenção das atividades a partir de agora, ocorrerá com funcionários desmotivados e preocupados. “Psicologicamente, ninguém está preparado. Em toda empresa existe quem quer sair, quem não quer, e quem veste a camisa. Imagino como está a cabeça destes trabalhadores e trabalhadoras sabendo que estão em uma empresa onde já há uma data definida para fechar”. Ele explicou que a decisão de adotar o processo de demissão gradual foi da própria empresa, sem discutir com o Sindicato.

Busca por alternativa

Na terça-feira, 8 de setembro, Artur Bueno Junior, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTIA Afins) veio a São José do Rio Pardo para encontro com representantes do Sindicato e do Executivo.

Segundo Marco Antonio, por meio da Confederação, está havendo uma busca por empresas interessadas na aquisição dos ativos da Döhler de São José do Rio Pardo.

Ficou decidido que, no próximo dia 14, uma comissão com autoridades locais e representantes sindicais se reunirá em Limeira, com a diretoria da multinacional, para discussão do assunto.

De acordo com Alexandre Anequini, uma das propostas a serem apresentadas à empresa é que, em caso de venda, o comprador absorva a mão de obra, para evitar as demissões, seguindo o que ocorreu anteriormente, quando a mesma planta fabril foi transferida da Cargill para a Döhler.

Anúncio às vésperas do feriado

Na tarde de sexta-feira, 3 de setembro, a Döhler Rio Pardo informou aos seus colaboradores que fechará a unidade. A marca alemã atua na produção, comercialização e fornecimento de ingredientes naturais, sistemas de ingredientes e soluções integradas para a indústria de alimentos e bebidas.

A planta de Döhler de São José do Rio Pardo começou como Laticínios Poços de Caldas, na década de 1960; depois se tornou Danone, Smucker e Cargill.

Em nota enviada à Gazeta do Rio Pardo na segunda-feira, 6, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Tapiratiba e São José do Rio Pardo, Marco Antonio de Souza, disse que o sindicato apelou à empresa para rever a decisão.

Segundo ele, ao contrário de outras mudanças anteriores, desta vez não há, ainda nenhuma empresa interessada em adquirir o polo industrial de São José.

Em nota, Döhler explica transferência de produção

Na sexta-feira, dia 3, Gazeta do Rio Pardo manteve contato com a Döhler por meio do site da empresa. Nesta segunda-feira, dia 6, a companhia encaminhou uma nota em que fala sobre o fechamento da unidade de São José.

“Com plano estruturado de apoio aos colaboradores, a decisão vai de encontro à estratégia da empresa de inovação em ingredientes naturais à base de plantas, otimizando a cadeia de suprimentos e operações localmente.

Após cerca de 4 anos operando na cidade de São José do Rio Pardo, a empresa alemã Döhler anunciou a decisão de encerrar as operações desta unidade.

A empresa decidiu concentrar as linhas de “Ingredient Systems” na unidade matriz de Limeira, optando por encerrar as atividades na unidade de São José do Rio Pardo de forma gradativa, com data final programada para o primeiro semestre de 2022.

As tratativas com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Tapiratiba e São José do Rio Pardo já foram iniciadas seguindo todas as previsões legais e a empresa assegura a garantia de todos os diretos trabalhistas e verbas rescisórias para seus colaboradores, e afirma que também está desenhando junto ao sindicato um acordo coletivo, visando minimizar o impacto aos colaboradores dessa unidade”.


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