quinta-feira , 26 novembro 2020
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Professor de educação física Sérgio Braz: Arepid tem atletas em diversas modalidades

Atletismo: Cidade tem campeões brasileiros paraolímpicos

Sérgio Braz, professor deles, fala sobre os trabalhos com os atletas deficientes no município

No dia 14 de outubro o professor de educação física Sérgio Braz, que leciona na ETEC, no Colégio Lúmen e é treinador da Arepid (Associação rio-pardense esportiva e paradesportiva do idoso e deficiente) foi entrevistado pelo repórter Luis Fernando Benedito, no Jornal do Meio Dia da rádio Difusora. Ele comentou sobre a modalidade do atletismo dedicada a vários atletas paraolímpicos da cidade. Além disso, Sérgio falou sobre a importância da educação física na vida das pessoas, e contou um pouco sobre a Arepid.

Modalidades

“O atletismo, que é um esporte de marca, é a mãe de todas as outras modalidades em que as pessoas precisam estar correndo. As Olimpíadas, por exemplo, começaram em virtude de modalidades atléticas. Dentro do atletismo temos corridas, arremessos, lançamentos, saltos e provas de rua, maratonas, marchas de 30 km e várias outras”, explicou.

“Dentro de todas as modalidades, temos as iguais, porém, andam paralelamente. Por exemplo, temos o basquete e o basquete em cadeira de rodas, assim como o futebol, para pessoas que têm deficiência em mobilidade. Temos o futebol de 5, que é para deficientes visuais, o de 7, que é para pessoas com paralisia cerebral. Temos também o atletismo convencional e o dedicado a pessoas com deficiência, onde as provas são bem semelhantes mas com algumas adaptações que são necessárias”, disse Sérgio.

“Eu vejo que o atletismo em São José do Rio Pardo é praticado não de forma institucionalizada, mas enquanto corrida é bem praticado na cidade. São muitos corredores dentro do cenário rio-pardense. No nosso caso (equipe Arepid) treinamos especificamente para cada prova, são atletas em diversas modalidades. A diferença do atletismo convencional para o paralímpico são as classes, todo mundo compete de acordo com sua classe. O cego total compete com atletas nas mesmas condições, e assim sucessivamente”.

Para Sérgio, o atletismo deveria ser mais divulgado. “Nesse mundo capitalista, ele não gera dinheiro, e fica com o papo de futebol e basquete, onde o dinheiro é gerado”, declarou.

Atletas rio-pardenses

De acordo com o professor, em São José do Rio Pardo existem recordistas brasileiros. “Temos atletas que têm a bolsa do governo federal de incentivo. É muito interessante enxergarmos sobre esse olhar. Nossa equipe é considerada uma das melhores. Tive a oportunidade de estar entre o Top 5 das equipes do Comitê Paralímpico Brasileiro, isso é muito interessante para nós”.

“Em 2008 prestei concurso no DEC e entrei. Sempre tive muita ajuda da prefeitura em todas as gestões. Comecei a trabalhar com natação na época, e conheci nosso primeiro atleta de natação, o Evaldo Santana Penha Júnior, o Caconde. Ele veio para fazer natação e eu perguntei se ele queria competir. Ele disse que sim e nós tivemos todo o apoio, foi quando começou o esporte paraolímpico não só em São José, mas estava começando a ter integração dentro do cenário nacional”, contou.

“Depois de começarmos com a natação, migramos, por questões de funcionalidade, para o atletismo, e convidamos várias outras pessoas. Fomos campeões dos Jogos Regionais e começamos a participar do cenário nacional do Comitê Paralímpico Brasileiro. Hoje temos mais atletas e mais recursos do que em 2008, um espaço físico bem diferente. Começamos igual a todo mundo começa, do zero, a cada dia estamos aumentando um pouquinho e esperamos chegar no 10”, relatou.

Arepid

A Arepid é uma Associação em conjunto com o DEC (Departamento de Esporte e Cultura).

“Como eu já trabalho pelo DEC com idosos e deficientes, criamos a Arepid para podermos participar das competições oficiais do Comitê Paralímpico Brasileiro. Então essa associação foi fundada pela união dos deficientes e idosos em comum acordo.  Junto ao DEC temos dois trabalhos específicos, um com os idosos, que trabalhamos com vôlei adaptado, muito estimulante, trabalha o sistema cardiovascular, as habilidades socioemocionais e competências que são muito faladas hoje”.

“Fazemos também o trabalho com deficientes, no caso atendemos deficiente físico, visual, não temos deficiente intelectual, mas poderíamos trabalhar também com esse tipo de deficiência. As pessoas têm uma visão cultural errada dos deficientes. Assim como existe o deficiente e a pessoa convencional sedentária, existem deficientes atletas e pessoas convencionais atletas. Nós cobramos deles como atletas, não os enxergamos como deficientes. Aos nossos olhos, assim como deveria ser aos olhos da sociedade, eles são atletas”, destacou.

“Temos na nossa equipe campeões brasileiros. Temos atletas que estão entre os 10 melhores do mundo”, completou.

Profissional da Educação Física

Segundo Sérgio, o profissional da educação física é a pessoa ideal para saber o quanto alguém deve correr e como correr. De acordo com ele, na maioria das vezes as pessoas correm sem procurar um profissional.

“Cada organismo vai apresentar um efeito diferente praticando corrida. A captação de oxigênio é diferente, a genética também. Quem recomenda a distância e o tempo de corrida é o profissional da educação física”, explicou.

“Hoje em dia existe uma raiz cultural em que todo mundo sabe ser professor de educação física, sabe o quanto correr, o quanto deve ser feito. Nós estudamos quatro anos na faculdade, fazemos estágio e tudo o mais, e muitas vezes não temos essa concepção”, contou.

O que a escola ensina

“A escola dá o conhecimento e discernimento para as pessoas entenderem que precisam fazer educação física fora do horário de aula e constantemente manter-se ativo. A Organização Mundial da Saúde, OMS, diz que para a pessoa ser ativa, precisa fazer atividade no mínimo 30 minutos por dia de forma contínua ou ininterrupta, com uma frequência cardíaca um pouco mais elevada que a de repouso”.

“Se a pessoa quiser atingir alguns objetivos, ela tem que planejar. É importante conscientizar a importância do movimento, do corpo, é o que faço dentro das escolas. Se os alunos tiverem essa consciência, teremos adultos mais saudáveis”, encerrou.


Carlos Henrique Caveanha, o Kaique, é um dos campeões rio-pardenses paralímpicos

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