terça-feira , 19 novembro 2019
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Antônio Pereira, de 73 anos, residente em Porto Velho, Rondônia, esteve na Gazeta do Rio Pardo quarta-feira

Pagador de promessas de Rondônia passa por São José e vai a Aparecida

São 3.800 quilômetros à pé, percorridos em seis meses, história que se repete desde 1991

O pagador de promessas Antônio Pereira, de 73 anos, residente em Porto Velho, Rondônia, esteve na Gazeta do Rio Pardo quarta-feira, dia 9, para contar um pouco de sua história e de sua decisão de fazer, a partir de agora, sua última peregrinação à cidade de Aparecida do Norte (SP). O trajeto todo tem 3.800 quilômetros.

Ele mostrou 8 livros com fotografias e mensagens de gente comum e de autoridades dos municípios pelos quais passou desde 1991, quando iniciou as peregrinações de Rondônia ao estado de São Paulo, até chegar a Aparecida. Já fez isso várias vezes, mas, desta feita, por causa da idade e da saúde mais debilitada, será a última. Essa viagem atual foi iniciada em 22 de janeiro, quando saiu de Rondônia. Ele demora seis meses para vir e seis meses para voltar.  

Antônio explica que ele e seus 15 irmãos são herdeiros de uma fazenda com 500 hectares de terra naquele estado, nos quais produzem arroz e feijão. A fazenda fica a 18 quilômetros de Porto Velho e é administrada por alguns de seus irmãos. Ele próprio, porém, adquiriu um câncer na garganta por volta de 1990 e ficou quase cego. Fez então uma promessa de que, se viesse a ser curado, iria a pé algumas vezes até a cidade paulista de Aparecida.

Sua fé o curou e ele decidiu cumprir a promessa, iniciando a primeira peregrinação no dia 15 de janeiro de 1991, sempre demorando quase dois anos para chegar ao destino final. Já fez isso algumas vezes nas últimas décadas, tendo inclusive passado por seis (6) países da América do Sul antes de voltar ao Brasil e chegar ao destino proposto. Antônio é casado e pai de dois filhos.

527 cidades

Com esta sua mais recente viagem, Antônio já percorreu 527 cidades, incluindo Cuiabá (MT), Rondonópolis, Campo Grande, muitos municípios de Minas Gerais e São Paulo e estava esta semana em São José do Rio Pardo, onde descansou em uma pensão. Andando praticamente sem dinheiro, ele visita igrejas católicas nos lugares em que chega e pede alguma ajuda para sua caminhada, sempre mostrando os livros que atestam a veracidade de sua história. Ele já foi, inclusive, entrevistado pela EPTV.

“Nestes anos todos já participei de 2.238 missas, conheci 618 padres e até pessoas famosas, como Tonico e Tinoco, e fiquei em 510 hotéis baratos nas cidades em que pernoitei”, recorda, para depois contar um caso dramático que lhe custou vários dentes frontais dois anos atrás. “Eu estava passando pelo município de Trinidade, em Goiás, quando alguns assaltantes vieram para cima de mim e pegaram minha mochila. Como não encontraram nada de valor, jogaram a mochila longe e chutaram minha boca. Quebrei vários dentes e fiquei assim”.

Antônio conta que no dia anterior à entrevista para a Gazeta ele estava com a pressão arterial muito alta, mas tomou água gelada e melhorou um pouco. Mesmo com esse problema, ele não desistiu da ideia de ir a Aparecida pela última vez, pelo itinerário conhecido como Caminhos da Fé. “Pretendo caminhar entre 30 a 35 quilômetros por dia e acredito que chego a Aparecida no dia 22 de outubro”, afirmou.

Dois anos atrás, quando concedeu entrevista a uma emissora de TV no interior do Mato Grosso, ele já havia contabilizado alguns números impressionantes: 66 pares de tênis gastos, fora vítima de 23 roubos e ainda fora testemunha ocular de 835 acidentes de trânsito pelas estradas nas quais andava. Agora em 2019, certamente, esses números estão bem acima disso.

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