segunda-feira , 16 dezembro 2019
Início / Agricultura / Qualidade da cenoura e da beterraba produzidas sem agrotóxicos surpreende
Caixa de cenoura atesta a ótima qualidade do produto na roça

Qualidade da cenoura e da beterraba produzidas sem agrotóxicos surpreende

Fazenda Santa Manoela utiliza produtos biológicos no combate a doenças e pragas

O agricultor José Minussi, sócio de Orlando Orfei na produção de cenoura e beterraba sem uso de agrotóxicos na Fazenda Santa Manoela, está eufórico com a qualidade e a produtividade alcançadas este ano. Usando apenas agentes biológicos no combate a doenças e pragas, ele e Orfei acreditam que obterão entre 2.200 a 2.300 caixas de cenoura por hectare, em uma área plantada de 30 hectares do produto. A produção de beterraba deverá ser de 1.100 caixas por hectare, tendo sido plantada em 10 hectares de terra.

Falando sobre a experiência do uso de produtos biológicos no lugar dos agrotóxicos, Minussi contou ao jornal, através do repórter Paulo Sérgio Rodrigues, que o resultado demonstra que a produção está maior e o gasto, menor. “O sistema anterior, com uso de produtos químicos, não estava resolvendo o problema (de combate a doenças e pragas). Após um contato com um vendedor de produto biológico, nós partimos para essa técnica, não usando agrotóxico algum e sim um método convencional de plantio”, lembrou o agricultor.

Não é orgânica

Rodrigo Vieira de Morais, da Casa da Agricultura, foi ver de perto a produção de cenoura e beterraba na Fazenda Santa Manoela e explicou que esta ainda não é uma técnica considerada orgânica. “Para ser orgânico, um produto precisa passar por todo um protocolo a ser seguido até chegar à certificação final, com o selo de produto orgânico, e isso pode demorar cerca de cinco anos”.

Ele lembra que essa demora decorre do fato de que, em lavouras convencionais, há a necessidade de uma espécie de “expurgo” de toda a parte química da terra, antes que os resultados esperados apareçam e a safra seja de fato orgânica. “Consegue-se um selo alternativo antes disso, mas o selo definitivo só vem com cinco anos”, confirmou.

Rodrigo e um dos trabalhadores que colhem beterraba: exemplo que deve ser seguido

“Sensacional”

Mesmo assim, José Minussi não esconde a satisfação com o resultado da troca de agrotóxicos por agentes biológicos, que entra agora no terceiro ano. “A gente está achando que o resultado foi sensacional neste terceiro ano que estamos usando. Estamos achando que a lavoura terá mais produção neste sistema aqui porque não tem muito descarte, não tem nematoide, não atacou, então a gente acha que a produção vai crescer”.

O preço atual da cenoura na roça, cerca de R$ 20 a caixa, ainda é considerado bom, embora já tenha estado melhor anteriormente. Minussi diz que ele e Orfei continuarão plantando com esta nova técnica até conseguirem o selo de produto orgânico, daqui alguns anos. Ele reconhece que o mercado consumidor atual está mais exigente, requerendo produtos agrícolas de qualidade e sem agrotóxicos.

Exemplo a ser seguido

Para Rodrigo Vieira, o que está ocorrendo na Fazenda Santa Manoela é um exemplo a ser seguido por outros produtores rio-pardenses, já que, segundo ele, há uma crítica forte aos agricultores que só usam agrotóxicos.

“O produtor rural já está começando a perceber que os produtos químicos não estão tendo aquele efeito e, como o consumidor está exigindo alimentos mais sadios, estão aparecendo mais produtos adequados para as lavouras, tanto para a cenoura, para a beterraba ou para a cebola. São produtos alternativos que, agora, permitem aos produtores terem essa oportunidade de reduzir essa quantidade de defensivos agrícolas na lavoura”.

Rodrigo argumenta, por fim, que aqui mesmo no município existe um grande comprador em potencial para produtos assim: a Nestlé. “Hoje a Nestlé tem uma linha de sopas e refeições para crianças livres de produtos químicos, tendo assim uma necessidade muito grande de fornecedores que utilizam essa técnica e tenham qualidade. Então, é uma questão do produtor de São José do Rio Pardo se adequar a isso, já que já existe um comprador garantido”.

O produto biológico, segundo ele, não afeta o ser humano, mas somente as pragas, além de não contaminar o ambiente, nem quem trabalha ou mesmo o consumidor final. “Acredito que esse seja o caminho da agricultura de São José do Rio Pardo”, concluiu.

Caixa com beterraba já colhida e pronta para ser transportada

Programa VerdeAzul

Comentando a produção de cenoura e beterraba   em agrotóxicos na Fazenda Santa Manoela, a professora Renata Vechini Dal Bom, interlocutora do Programa Município VerdeAzul, disse que a experiência “atende uma das diretivas do programa, que é a de Município Sustentável”.  E completou: “Uma vez que estão sendo oferecidos à população alimentos saudáveis”.

120 pessoas trabalhando na colheita

O turmeiro João Carlos Melo Machado disse que há muito tempo ele e as pessoas com as quais trabalha não encontravam uma plantação de cenoura e beterraba com esse elevado nível de produtividade e qualidade, como o da Fazenda Santa Manoela.

No dia em que foi entrevistado pelo jornal, João Carlos disse que sua turma tinha ainda cerca de 15 dias de trabalho pela frente naquela propriedade e, depois disso, partiriam para outros lugares.

“A gente trabalha em toda a região e, aqui, estamos com 28 pessoas. Mas há outra turma, com outro turmeiro, trabalhando um pouco mais acima  e, no total, estamos em 40 pessoas”.

No total, cerca de 120 pessoas estão trabalhando atualmente na Fazenda Santa Manoela, na colheita tanto de cenoura como de beterraba, mas pelo sistema de condomínio rural. Junto com a cebola, a safra desses produtos emprega trabalhadores temporários por até quatro meses, em média, naquela propriedade. 

João Carlos, turmeiro

Confira também

Homem é preso suspeito de estuprar adolescente de 14 anos

Um homem foi preso na manhã deste sábado, dia 7, em São Carlos , suspeito de estuprar …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *