sexta-feira , 23 outubro 2020
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Eliezer Gusmão, médico e diretor do Pronto Socorro e Gisele Flausino, responsável pela Vigilância Epidemiológica

‘Se houver relaxamento, teremos que fechar’

Alerta é do médico Eliezer Gusmão, integrante da Comissão de Crise que monitora a Covid-19 no município

Na sexta-feira, dia 19 de junho, Eliezer Gusmão, médico e diretor do Pronto Socorro e Gisele Flausino, responsável pela Vigilância Epidemiológica, participaram do “Jornal do Meio Dia”, na rádio Difusora, e falaram sobre o andamento da flexibilização do comércio na cidade e o uso de corticoides no tratamento contra o processo inflamatório causado pelo coronavírus. Eliezer alertou que, se ocorrer relaxamento no comércio e as medidas preventivas não forem seguidas, haverá novo fechamento das lojas e empresas.

Relaxamento

“Observamos que várias cidades no Brasil, principalmente no estado de São Paulo onde teve a maioria dos casos, onde não houve um respeito das normas e protocolos, houve um aumento expressivo de casos e isso obrigou os prefeitos a darem um passo para trás. Pelo o fato de já estar começando a abrir parcialmente o comércio com os cuidados implantados, se as pessoas seguirem corretamente, vamos passo a passo conseguindo liberar mais coisas”, disse ele, inicialmente.

“Mas se houver um relaxamento como eu percebi, como as pessoas percebem e já recebemos até denúncias, se continuar assim teremos que fechar. Alguns acham que porque abriu o comércio passou o perigo, mas não é a realidade. Temos esses exemplos de cidades que retrocederam e não podemos cair no mesmo erro. Vamos seguir as normas, não vamos relaxar”, prosseguiu Eliezer.

“É preciso que os comerciantes e a população em geral fique atenta, chame a atenção de quem estiver errado. Todos devem seguir os protocolos que inclusive a ACI junto com o Comitê de Crise implantou. O vírus continua por aqui, se relaxarmos ele vai disseminar mais rápido do que esperamos e consequentemente os casos vão subir. Lembrando que muitos outros setores estão no aguardo de uma nova etapa, como academias, igrejas, entre outros”, afirmou.

“Estão todos preocupados, ansiosos, estamos prestes a conseguir libera-los, e de repente, se der um surto, teremos que voltar atrás”, enfatizou.

15 dias na fase laranja

“Estamos completando 15 dias de flexibilização do comércio. Nós iremos passar pela primeira avaliação regional desses primeiros dias. Ainda temos muita lição de casa a fazer. O principal é que os comerciantes nos ajudem no cumprimento das regras. A maioria das lojas implementaram os protocolos, estão respeitando, porém, serão os agentes principais para cobrar a população, que talvez esteja tendo uma visão equivocada no sentido de achar que está tudo liberado. Não é passeio, não é lazer”, afirmou Gisele.

Duração do covid

“O mundo ainda não tem uma certeza absoluta de nada. A Organização Mundial da Saúde vive se contradizendo, muitos cientistas também. O que ocorre, é que por exemplo, na própria China que estava se recuperando, voltou a ter um surto. Mas bem menor do que o primeiro. Como ainda não tem uma vacina eficaz, ainda estão sendo testadas, pelo o que se conhece do vírus até agora, o que é pouco, não dá para afirmar que o ano que vem vai ter novamente ou que vai acabar”, disse Eliezer.

“Temos que seguir o padrão, que é seguido em todas as viroses, mas geralmente nenhuma virose vai embora totalmente. A poliomielite por exemplo, está praticamente erradicada, mas tem lugares que ainda tem casos. O sarampo também. O vírus está na Terra antes do ser humano. Sempre teremos o vírus, mas quando tiver vacinação em massa, ele ficará mais manso”, destacou o médico.

Corticoides

Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), afirmou, nesta sexta-feira, que é recomendável o uso de um corticoide barato em casos graves de Covid-19 para pacientes entubados ou internados na UTI com pneumonia grave e baixa oxigenação. A recomendação da dexametasona, foi feita após pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, divulgarem que o medicamento tem eficácia na fase severa da doença.

“Fazemos o uso de corticoides, que tem basicamente o mesmo mecanismo de ação da dexametasona. Embora talvez ela seja mais potente. Mas tudo depende do momento da doença. Se você receita o corticoide no início, o vírus ainda está se replicando, e de primeiro momento o corticoide baixa a imunidade, por isso ele diminui o processo inflamatório. Se baixar a imunidade no momento que o vírus está se replicando no corpo, favorece ele e isso pode prejudicar o paciente. No sétimo, oitavo dia, depois que o vírus se replicou, o corticoide entra para tentar salvar o processo inflamatório que vai ser desencadeado pelo vírus. Muitos pacientes morreram depois de 20 dias, já não tinham mais o vírus. Porém, o processo inflamatório desencadeado antes, levou ao colapso total do organismo, principalmente do pulmão”, explicou Eliezer.

Fase laranja

“Como a avaliação para mudança de fase está sendo regional, nós do Comitê de Crise também estamos na expectativa, se poderemos prosseguir, se permaneceremos por mais 14 dias, ou se retrocederemos. Estamos dependendo da avaliação, ainda não temos essa resposta. Semana que vem serão feitos os fechamentos”, informou Gisele.

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