sábado , 16 outubro 2021
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Ração está mais cara e abandono de animais cresce

Ong precisa de aproximadamente 300 kg de ração por mês mas doações diminuíram

Pandemia, desemprego, aumento de insumos, a vida do brasileiro nunca foi livre de dificuldades. No entanto, essas questões triplicaram os problemas econômicos e sociais da população. Além de faltar alimento na mesa de muitos brasileiros, devido ao aumento do preço dos produtos em geral, sem condições financeiras, muitas famílias estão abandonando seus animais de estimação pelo aumento exorbitante do preço das rações. Segundo uma matéria publicada no portal G1, a prévia da inflação de setembro, divulgada no dia 24 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que em média, o aumento do preço da alimentação para animais chegou a 15,46% ( observando que este valor é apenas uma média, no entanto, em alguns lugares, os preços subiram mais do que 50%).

Gazeta do Rio Pardo entrou em contato com algumas agropecuárias da cidade para falar sobre o aumento dos insumos o que afetou a compra para o consumidor final.

Em uma das lojas de rações, que preferiu não ser identificada, a porcentagem do aumento do preço de alguns produtos alimentícios para animais, chegou a 100%.

O proprietário destacou que além da pandemia, a falta de chuva também prejudicou o mercado, pois fez com que a produção dos alimentos utilizados para fazer as rações caísse, automaticamente elevando os valores – principalmente do milho, que é a base para fabricar a ração.

“Infelizmente abaixamos nossa margem de lucro para não perder os clientes. Muitos entendem que o aumento é da fábrica, já outros acreditam que o aumento é culpa nossa”, disse o proprietário.

Mário Lúcio da Silva Neto, proprietário da Agropecuária Novo Horizonte também falou sobre o assunto.

“O aumento da média geral pode ter sido de 15,46%, mas alguns produtos subiram mais que 50% de janeiro até o momento. Cada empresa seguiu uma política, tivemos produtos que subiram mais que 50%, outros menos, outros apenas 15%”, afirmou.

O período que mais teve aumento nos preços, segundo Mário, foi de janeiro até abril de 2021. “Alguns produtos aumentavam toda semana, outros todos os meses. Ainda continua tendo alta, mas com uma frequência bem menor do que no começo do ano. Infelizmente esse aumento irá até o final de 2021”, destacou.

De acordo com o proprietário da agropecuária, a princípio, a elevação nos preços aconteceu por falta de matéria prima. “A começar pela embalagem de plástico, que subiu de 200% a 300% durante a pandemia. Muitos insumos de rações subiram, alguns produtos são importados, outros nacionais, mas estavam em falta no mercado, alguns continuam mas antes estava pior. Tudo isso resultou em muitos reajustes ”, disse.

Além disso, como já mencionado, o período de estiagem também prejudicou o setor. “As safras das matérias primas, dos grãos, a pecuária, caiu muito. Os problemas começaram da matriz, e foi refletindo no comércio para passar ao consumidor final. Não foi apenas pela pandemia, ela teve grande parte nesses aumentos, mas eles não ocorreram somente por conta dela”, afirmou Mario.

“Muitos clientes estão reclamando e com razão. Eu, como comerciante apenas repasso os valores. Pelo aumento, muitos clientes estão sim diminuindo o padrão de qualidade das rações, comprando as mais baratas. Pessoas que compravam uma super premium, passaram a comprar premium, outros passaram para uma linha padrão”, completou.

Para Mario, é unânime que todos os produtos ficaram mais caros. “Nenhum passou em branco sem reajuste. Tanto em alimentos quanto em acessórios. O dinheiro desvalorizou demais”, encerrou.

Cresce casos de abandono

Com o preço da ração em alta, as famílias que não possuem nem mesmo condições de colocar alimento na mesa, estão abandonando seus animais de estimação. O número de casos de abandono subiu muito no município nos últimos meses, o que tem preocupado a equipe da ONG Unir, que se dedica ao resgate, a prestar cuidados e atender as necessidades dos animais em situação de rua. Alessandra Freire Paolielo, presidente da Unir, falou sobre o problema em entrevista para a rádio Difusora essa semana.

Alessandra Freire Paolielo, presidente da Unir

“Com a situação da pandemia ficou tudo muito mais difícil, muitas famílias não têm nem dinheiro para comprar comida para o consumo próprio, imagina para os animais. O número de pedidos de ajuda para a ONG triplicou. As pessoas pedem ração, se o animal está doente e precisa levar no veterinário os proprietários alegam que não têm condições, alguns até pedem ajuda porque vão mudar de casa e não podem mais ficar com o cachorro”, disse a presidente.

O número de abandonos cresceu tanto, que a Unir não consegue atender a todas as demandas. “Não temos recurso para isso, e também não temos ajuda da Prefeitura. Tentamos da melhor maneira o possível a adoção, arrecadar ração para doar, pagar a castração. Mas precisamos da ajuda das pessoas”, afirmou.

Abandono de cavalos

Segundo Alessandra, além de gatos e cães, a ONG tem recebido informações sobre o abandono de cavalos. “São animais de grande porte e a maioria das pessoas acham que eles têm que comer apenas brachiaria (tipo de capim). Mas eles precisam de ração também. As pessoas não estão tendo condições para alimentar esses animais e estão abandonando. Infelizmente não temos estrutura para acolhe-los”, lamentou.

“A maioria das pessoas, se formos apurar, não tem condições mesmo de alimentar e cuidar do animal. São pessoas que normalmente utilizam o cavalo para transporte. Depois que eles adquirem o cavalo, percebem que o animal não é apenas para transportar, ele é um ser vivo, precisa de alimentação, de água, de cuidados em geral. A maioria dos casos é sim por falta de aporte financeiro, já em outros casos as pessoas são irresponsáveis, querem ter um cavalo mas não querem cuidar”, destacou.

Atualmente, a ONG cuida de aproximadamente 140 animais, entre cães e gatos em situações de rua, e de famílias carentes. A manutenção destes animais exige, em média, 300 kg de ração por mês. “Estamos tentando reduzir o máximo possível para não desperdiçar”, completou Alessandra.

Lar temporário

Algumas pessoas cedem lar temporário para os animais resgatados pela Unir, no entanto, são sempre as mesmas que se prontificam.  “É algo que precisamos. Quando pedimos um lar temporário, nós ajudamos com tudo o que o animal precisa, a única coisa que pedimos é um lugar para ele ficar, mas a maioria das pessoas não quer ter essa responsabilidade, elas acham que o animal vai ficar lá para sempre, porque às vezes demora para conseguir uma adoção”, contou.

Queda na arrecadação

Nem todos os meses a ONG consegue arrecadar a quantidade de ração necessária. “Por este motivo estamos sempre fazendo vaquinha e quase que implorando nas redes sociais para as pessoas ajudarem. Nós temos 8 mil seguidores, se cada um doasse R$1,00 conseguiríamos alimentar esses animais sem nenhum tipo de dificuldade. É triste quando não conseguimos arrecadar toda a quantidade necessária”, lamentou.

Pessoas interessadas em doar recursos financeiros para a Unir, podem fazê-lo por meio do PIX 04.572.043/0001-00. Também é possível doar ração pessoalmente, bastando deixar em casas veterinárias e informar a Ong, que pode ser acessada nas redes sociais @ongunir.

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