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Alunos e professores do Polo exibem cartazes dos cursos oferecidos em São José do Rio Pardo ( foto tirada antes da pandemia)

Polo Musical de Tatuí em São José é novamente ameaçado de fechamento

Houve contato do futuro prefeito e da vereadora eleita Thais com a secretária estadual adjunta da Cultura para tentar reverter isso

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo publicou uma convocação pública para nova gestão do Conservatório de Tatuí. No documento, ficou expressa a proposta de encerramento do Polo de São José do Rio Pardo, com a concentração das atividades no município de Tatuí, o que deixaria os alunos daqui sem atendimento. É a segunda vez que isso ocorre, já que em 2018 essa possibilidade de fechamento também foi anunciada pelo governo estadual, que depois voltou atrás em sua decisão. O futuro prefeito Márcio Zanetti e a vereadora eleita Thais (Mandato Ativista) fizeram contato com a secretária estadual adjunta da Cultura e, segundo o coordenador do Polo rio-pardense, Juliano Marques Barreto, saíram otimistas de que a situação será revertida.

Juliano Marques Barreto, coordenador do Polo rio-pardense, disse em entrevista ao Jornal do Meio Dia (Difusora FM), concedida dia 24, que 10 dias antes surgiu a notícia do edital de convocação pública às O.S. (Organizações Sociais) interessadas em gerenciar o Polo de Tatuí. Juliano explicou que isso acontece com Museus, Orquestras, Bandas, Pinacotecas, Bibliotecas e instituições de dança, entre outras atividades culturais.

“Pra nossa surpresa, nesse edital de convocação, no meio de suas mais de 180 páginas, tinha um item que falava exatamente da proposta de encerramento das atividades do Polo de São José do Rio Pardo, desde que a nova O.S. conseguisse absorver os alunos daqui na cidade de Tatuí. Isso nos chateou muito porque cerca de 99% dos alunos daqui só têm acesso a essa ferramenta do governo do Estado por estar aqui. Então, 99% não conseguiria se deslocar até Tatuí, uma cidade a mais de 300 quilômetros de distância, para dar continuidade ou completar os seus estudos”, explicou o coordenador do Polo em São José do Rio Pardo.

“E outra coisa também que nos causou bastante desconforto, principalmente com o Executivo e o Legislativo de São José do Rio Pardo, foi o fato de eles não serem sequer consultados sobre a vontade de continuar com o Polo, se ele funciona, se ele tem relevância para a cidade e região, se aqui é desenvolvido um bom trabalho e se estamos justificando todo o dinheiro público investido nesse Polo. E as respostas estão em nossos números. Atendemos mais de 25 cidades além de São José do Rio Pardo. Já atendemos (gente de) estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e de muitas cidades aqui da região. Já temos inúmeros alunos formados, dentre eles o Samuel, que hoje é professor de música e desempenho, fazendo um trabalho fantástico”, prosseguiu.

Juliano assegura que os alunos daqui são baratos em comparação aos de Tatuí porque a Prefeitura de São José do Rio Pardo custeia toda a parte estrutural (a sede do Polo, materiais de limpeza e de escritório), além da parte pedagógica (manutenção de 16 professores e mais uma secretária).


Juliano (coordenador, à esquerda), Diana e Samuel: inconformismo com a possibilidade de fechamento do Polo

Procurados, eleitos prometem apoio

O prefeito eleito, Márcio Zanetti, assim como a Câmara Municipal (vereadores atuais e os eleitos) foram procurados não apenas por esses funcionários do Polo, mas também por alunos, assim que as eleições foram definidas.

“O prefeito eleito já foi procurado na semana passada e não foi uma ação isolada de professores. Foi uma ação conjunta, com alunos tristes, indignados e revoltados. O prefeito entendeu a dificuldade que estamos passando e a importância de continuarmos com as atividade aqui no Polo. Então, desde a semana passada, centenas e até milhares de simpatizantes da música e do ensino musical estão mobilizados. Temos uma petição no facebook e lá já superamos 6.400 assinaturas em apoio à nossa causa”, disse Juliano.

Dos vereadores e do prefeito ele ouviu a promessa de que estão buscando apoio de deputados com os quais mantêm contato, na tentativa de reverter essa situação. “Pelo menos que seja mudado esse edital, garantindo a manutenção do Polo. É o desejo de todos, com certeza”, afirmou o coordenador.

Nesta sexta-feira, 27 de novembro, Gazeta contatou novamente Juliano Barreto e ouviu dele a informação já mencionada no início da matéria: que o futuro prefeito, mais a vereadora eleita Thais, mantiveram contato com a secretária estadual adjunta de Cultura e ficaram muito otimistas de que a situação poderá ser revertida. Garantiram a Juliano que a secretária ficou muito sensibilizada com a importância do Polo Musical para toda a região de São José do Rio Pardo, prometendo empenho no sentido de mantê-lo em funcionamento.

Universidades têm alunos do Polo

Juliano mora em Poços de Caldas e trabalha em São José do Rio Pardo.

Ele lembrou que o Polo já direcionou alunos para várias universidades do país: USP, Unesp, Unicamp, UFMG, Ufscar. “Temos alunos aprovados nessas universidades e até alunos com mestrado no Canadá, nos Estados Unidos e em Portugal. Então, nosso ensino aqui é bastante relevante”.

O Polo rio-pardense funciona atualmente no espaço da antiga Casa de Cultura e Cidadania, no bairro Buenos Aires, local que Juliano classifica como “excelente” por estar junto com o Projeto Guri. Caso o curso continue e não seja fechado, ele pede que haja algumas melhorias naquele espaço, que é amplo mas necessita de reformas para atender melhor os alunos.

Aluna de Saxofone

Diana Lima, aluna do curso de Saxofone, participou durante dois anos da Corporação Musical Rio-pardense (Banda do Coreto) e há 5 anos está no Polo rio-pardense. Os estudos no Polo possibilitaram que ela se interessasse também por outras vertentes musicais, como o maracatu (ritmo musical, dança e ritual de sincretismo religioso com origem no estado brasileiro de Pernambuco).

“Se o Polo fechar, ficará inviável para a maioria dos alunos ir a Tatuí e prosseguir com seus estudos. Aqui é um curso de altíssimo nível, gratuito e atende a região toda. Sou da turma que entrou sem conhecimento, mas toco saxofone há cinco anos graças ao que aprendi no Polo”, reconheceu Diana.

Cursos duram 7 anos e são gratuitos

Hoje o Polo rio-pardense oferece mais de 19 cursos musicais, todos profissionalizantes: sopro madeira, sopro metais, canto lírico, piano, violão, violino, viola, contrabaixo, violoncelo, trompete, trombone, tuba, trompa, flauta, clarinete, saxofone, piano infantil, piano adulto, percussão sinfônica, etc.

Até março de 2020, antes da pandemia, o Polo atendia 187 alunos, fora os suplentes à espera de vaga. Com a pandemia e os cursos passando a ser ministrados de forma apenas remota e online, esse número caiu bastante.

“Os cursos são inteiramente gratuitos por serem uma ferramenta de escola de música do governo de São Paulo, havendo apenas uma taxa simbólica de matrícula, que era dispensada para alunos carentes. Durante os sete anos de curso ou o tempo em que o alunos permanecessem no Polo, é tudo gratuito”, reiterou Juliano Barreto.

Alckmin autorizou em 2005 e o Polo foi inaugurado em junho de 2006

O Polo Musical de Tatuí em uma cidade foi inaugurado em 10 de junho de 2006, na gestão do então prefeito João Santurbano.

É o único no estado além de Tatuí que oferece esses cursos gratuitos, e foi autorizado pelo ex-governador Geraldo Alckmin em 2005, quando esteve em São José do Rio Pardo para receber o título de cidadão rio-pardense, a pedido do prefeito Santurbano e dos ex-deputados Sidney Beraldo e Silvio Torres junto ao governo do estado.

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