segunda-feira , 12 abril 2021
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‘Casa Esperança’ ficará localizada ao lado da Ponte Metálica, no bairro Santo Antônio

‘Casa Esperança’ acolherá moradores de rua e dará respaldo psicológico

Local funcionará 24 horas por dia e atenderá homens e mulheres

Após anos sem uma Casa de Passagem, São José do Rio Pardo está prestes a inaugurar a “Casa Esperança”. O projeto está sendo elaborado desde 2020 por Maria Terezinha Presti da Silva, presidente do PEVI (Projeto Esperança e Vida), que terá a nova instituição como uma afiliada da Comunidade Terapêutica. A “Casa Esperança” ainda não tem uma data definitiva para sua abertura, mas já possui endereço e quadro de funcionários. O local acolherá homens e mulheres em situação de rua. Na quinta-feira (25), a Gazeta do Rio Pardo entrevistou Terezinha, que assumirá a presidência da instituição, para dar mais detalhes sobre o assunto.

Local de acolhimento

“A Casa Esperança será um local de acolhimento. Não funcionará apenas como uma Casa de Passagem. Eles (moradores de rua) poderão tomar banho, se alimentar e dormir, mas terão atendimento psicológico e um assistente social para ajuda-los a mudar de vida. Nosso objetivo é tira-los da rua e fazer com que tenham dignidade, será uma nova vida. A Casa Esperança funcionará 24 horas”, contou.

Terezinha relatou que desde 2017 estava interessada em assumir a outra Casa de Passagem, mas a verba da Prefeitura não era o suficiente para fazer o que ela gostaria. “Não queria ter um lugar apenas para eles dormirem. O ano passado veio uma verba relacionada a Covid-19, para cuidarmos dos moradores de rua. Corremos atrás, mas teve muita burocracia e não conseguimos um local, é difícil alguém que alugue uma casa para moradores de rua. Este ano conseguimos uma pessoa que alugou uma residência grande e boa para fazer o projeto. Então a ideia vem desde 2020, mas tivemos esse problema com o local”, disse a presidente da instituição.

“Graças a Deus agora conseguimos, a secretária de assistência social e o poder público estão empenhados em nos ajudar. A princípio a Casa Esperança será bancada pela Prefeitura. Temos uma verba do governo para a Covid-19, mas não é para o ano todo.  Futuramente terá a possibilidade de recebermos verba tanto do governo estadual quanto federal. Teremos todos os requisitos para isso”, declarou.

Abordagem

A presidente contou que terá a ajuda de funcionários do CREAS para abordar os moradores de rua. “Vou ter uma pessoa trabalhando na Casa Esperança que já trabalhou na antiga Casa de Passagem e que tem muito jeito para falar com eles. Alguns poderão resistir um pouco, porque estão acostumados com a vida na rua, mas acolheremos os que quiserem ir”, relatou.

Regras e horários

Um dos cômodas da casa. O local está passando por reformas para atender os futuros acolhidos

“Lá eles terão horários, regras. Assim que chegarem irão tomar banho, terá uma faxineira para trocar a roupa de cama e as vestimentas deles todos os dias. Já ganhamos muitas roupas, será uma organização bem feita”.

Os quartos masculinos ficarão separados dos dormitórios femininos.

Os acolhidos terão direito a café da manhã, almoço e jantar todos os dias. A Casa Esperança terá 11 funcionários. “A noite teremos quatro pessoas trabalhando, em uma escala de 12×36. Durante o dia teremos dois monitores que irão revezar no finais de semana, cozinheiro, faxineira, coordenador para fazer todas as anotações, psicóloga e assistente social. A psicóloga será cedida pela Prefeitura”, disse a presidente.

O coordenador será responsável por cuidar das fichas de cada acolhido, e fará um controle de tudo.

Atendimento

“Por enquanto estamos pensando em atender 15 pessoas, por conta da Covid, para não gerar aglomeração. Sabemos que tem muito mais em situação de rua, mas nem todos vão querer ir para lá a princípio”, afirmou Terezinha.

A reportagem perguntou sobre a possibilidade dos acolhidos receberem algumas oficinas. “Temos alguns voluntários que se disponibilizam para oferecer uma oficina aos moradores, pretendemos fazer isso. Mas primeiro temos que colocar a casa para funcionar, para depois pensarmos nisso”, relatou.

Segundo a presidente, o CNPJ da Casa Esperança está em fase de criação, e o local só será aberto após a criação da conta bancária para receber o dinheiro e efetuar a compra das mobílias da casa. “Temos que estar com tudo equipado antes de abrir, para que as coisas funcionem direito”.

A Casa Esperança está localizada ao lado da Ponte Metálica, na Rua Capitão João Teodoro Nogueira, nº 20, no bairro Santo Antônio.

Oportunidade e dignidade


Terezinha Presti será a presidente da Instituição

“No PEVI, muitos moradores de rua vão fazer tratamento para dependência química. Os que estão lá, são pessoas maravilhosas que estão jogadas na rua. Temos um funcionário que morou quatro anos na rua, é uma pessoa super inteligente, ele vai sair do PEVI para nos ajudar na Casa Esperança. Vemos muitas pessoas na rua que não são bandidos. Eles estão sem perspectiva, não sabem mais o que fazer da vida, estão sem forças para sair das ruas. O que queremos é dar oportunidade a eles. Temos uma república perto da igreja Nossa Senhora do Loreto, quando eles terminam o tratamento no PEVI, os que não tem mais vínculo familiar, vão para essa república, e arrumam um emprego. Atualmente temos três pessoas ali, mas já tivemos mais. Queremos dar um respaldo a eles. É muito triste, vemos muitas famílias que sofrem com filhos na rua, e outros que a família já não os querem mais. Queremos ser como uma família para eles, dar dignidade”, declarou.

Protocolos a serem seguidos

Terezinha contou que será exigido o uso e permanência de máscara no local o tempo todo. “Terão que respeitar um certo distanciamento, o espaço para as refeições é amplo, será obrigatório utilizar o álcool em gel. Tomaremos todas as medidas. Se alguém apresentar algum sintoma suspeito, teremos o amparo da rede de saúde”, completou.

Por Júlia Sartori

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