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Luta e superação com a Síndrome de Down

Zulmar Rondinelli revela os desafios, as conquistas e a autonomia do filho, que possui 44 anos

Zulmar ressalta que o filho César possui bastante autonomia e desenvoltura, sempre disposto à aprender

Lutas, esforços e amor. Inúmeras dedicações foram oferecidas por Zulmar Terezinha Rondinelli Rodrigues (Dona Nininha) ao filho César, de 44 anos, que é portador de Síndrome de Down. Aos 89 anos, ela conta a importância do Dia Internacional da Síndrome de Down através de suas histórias de vida. A data é celebrada no dia 21 de março com o objetivo de conscientizar e informar as pessoas.

“É um dia muito importante e, no meu tempo, foi muito mais porque foi um susto, uma aflição da gente nem saber o que era isso. Imagina que há 44 anos nasceu uma criança sem a mãozinha e com Síndrome de Down. Nem mesmo os médicos acreditavam numa coisa dessas, mas felizmente hoje ele está ‘fortão’, conversador. A gente lutou muito com ele. Foram sete anos de luta”, revela.

Sem possuir informações necessárias sobre a Síndrome de Down, a família passou por diversas dificuldades até realmente entender do que se tratava. “A gente ouviu falar vez ou outra, mas nunca pensamos que fosse ser tão difícil, até chegar aonde a gente queria: o que tem, o que é, e o que tem que fazer. E foi isso o que nós fizemos.”

César foi cuidado pela mãe em casa para, anos depois, ser inserido em uma escola. “Eu fui para a Apae muito tempo depois que o César já tinha feito até a oitava série da escola. Não sabia, não tinha comunicação com ninguém, a não ser com alguém que se interessasse, que fosse em casa para eu mostrar como que era. E eu trabalhava três horas de manhã e três à tarde com ele até chegar no período de escola. Foi uma luta também para arranjar um lugar, porque não era possível, era difícil. Então eu tinha que ir até a escola, pedir por favor, que ele podia ser alfabetizado e que eu queria que ele fosse alfabetizado.”

Além da escola, ele também tinha que realizar exercícios em sua residência. “Fisioterapia, natação, exercícios de visão, de olfato, de sabor; de tudo tinha exercício para fazer.”

Autonomia e aceitação

Zulmar conta que o filho sempre teve uma vida saudável e muita autonomia. “Nunca rejeitou nada que fizesse com ele. Sempre estava pronto para aprender melhor, para aproveitar aquilo que ele estava fazendo. E foram muitas conquistas. Ele sai sozinho, faz as ‘andanças’ dele. Vai ao supermercado para mim, onde precisa; comprar pão. Ele não gosta muito de ir não, porque é meio preguiçoso, mas isso é deles e é difícil da gente tirar.”

Inclusão social

Para ela, o município ainda não está preparado para a inclusão social aos portadores de Síndrome de Down. “Pelo que a gente vê fora daqui, as cidades capitais já estão bem entrosadas, mesmo dentro da sociedade. Porque aqui em São José não é assim não. O César é porque ele vai, ele tem os amigos; amigos de 30, 40 anos. Então eu acho isso pouco. Acho que a sociedade, os governantes deveriam se interessar um pouquinho mais sobre isso.”

Igualdade

Também é importante que haja ‘salas de aula’ para pessoas com quaisquer tipos de deficiência. “Às vezes tem criança que tem uma outra deficiência, mas ela pode aprender. Então acho que isso é falha nossa, dos governantes, de vereador, de deputado, de todo mundo. E se você olhar o César e olhar os outros, você vê a diferença. Tem uns que nem leem, nem escrevem. Então, isso é falta de exercício, falta de consciência desse povo. O César poderia fazer uma escola, como eu vejo muita criança que está fazendo escola de Educação Física. Não precisa ser médico, nem nada disso, mas um diploma que ele possa se virar. Mas aqui não tem nada disso.”

Sem preconceito

Zulmar ainda afirmou que o filho é acolhido por amigos e não sofre preconceito. “Pelo que ele faz, pelo que anda, conversa. Quando frequentou a escola tinha os amigos; tem ainda. Todos o abraçam, o beijam. Todo mundo deixa o César muito à vontade, que é isso o que a gente precisa, né? Que as pessoas não façam graça, pirraça, qualquer coisa que seja que vá magoar. E isso também é muito importante para que ele tenha uma vida feliz e para a família dele também. Muita gente não entende. Nem parece que ele tem Down, e diz assim: ‘Eu não sou Down’. E eu falo que alguma coisa ele tem, mas que ele foi ‘trabalhado’ e conseguiu chegar aonde a gente pôde chegar.”

 

Projeto irá propor a Semana Municipal de
Conscientização sobre Síndrome de Down

O vereador Luis Henrique Artioli Tobias, pai de uma menina com a síndrome, estará propondo, em parceria com outro vereador, um projeto de lei na Câmara Municipal que, se aprovada, criará a Semana Municipal de Conscientização sobre a Síndrome de Down. O objetivo, segundo os autores, é combater qualquer tipo de preconceito que ainda possa existir e orientar as famílias sobre diversas questões relacionadas ao tema.

Fonte: Gazeta do Rio Pardo – Texto: Marina Camacho/ Entrevista: Luis Fernando Benedito

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