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Tireoide pode afetar maioria da população rio-pardense

Problemas na tireoide podem também ser confundidos com doenças como depressão e anemia

Não há números precisos sobre a incidência de problemas de tireoide em São José do Rio Pardo. Mas, segundo o endocrinologista Everton Ricieri Scaramello, que atende no Posto de Saúde do município, esse número pode ser alto, já que muitos pacientes não realizam o diagnóstico da doença.

Ele explica que a tireoide é uma glândula localizada na base do pescoço, parecida com uma borboleta. “A função dela é produzir um hormônio chamado levotiroxina, que age em todos os nossos órgãos como o rim, baço, fígado, cérebro, coração.” Quando há uma queda na produção desse hormônio, é considerado que o paciente tenha hipotireoidismo. “Ele apresenta queda de cabelo, sonolência, esquecimento, dor nas pernas, cansaço, unha quebradiça, pele seca e áspera, intestino preso, depressão, anemia, aumento de colesterol, diminuição da libido sexual, intolerância ao frio, irregularidade menstrual, infertilidade, aborto espontâneo; uma infinidade de sintomas.”

Além disso, os sintomas podem ser causados também por outras doenças como depressão e anemia. “O interessante é que muita gente diz que tem tudo isso, mas pode não ter realmente o hipotireoidismo. Então confirmamos o diagnóstico dessa doença através de um exame de sangue laboratorial”, afirma.

A tireoide também pode produzir o hormônio em excesso, chamado de hipertireoidismo. “Ele é um pouco mais grave, pois o paciente tem tremor, taquicardia, suor frio, irritabilidade, insônia, perda de peso, vai ao banheiro várias vezes e tem exoftalmia, que são os ‘olhos esbugalhados’. Ele também envolve uma série de outras complicações.”

Emagrecimento

De acordo com o endocrinologista, há remédios utilizados para o emagrecimento que podem alterar o funcionamento da tireoide. “Existem alguns remédios que utilizamos que, infelizmente, alguns médicos utilizam para emagrecimento na cardiologia, que seria o amiodarona. Ele possui 30% da molécula de iodo, então ele pode alterar o funcionamento da tireoide.”

Alguns médicos também utilizam remédios para emagrecer como o iodotironina, chamado de tri-iodo, gerando um efeito contrário. “Eles falam que esse hormônio é para ajudar na perda de peso. Mas na realidade ele aumenta a produção do hormônio, e com isso o paciente entra em hipertireoidismo. Então, fatalmente ele terá perda de peso, mas às custas de uma doença na tireoide.”

Idade e crianças

Ele ressalta que não existe uma faixa etária para se adquirir a doença, sendo normalmente pessoas acima de 30 anos. “Mas também há crianças mais novas. Existe também o hipotireoidismo congênito, em que a criança nasce com essa doença e ela necessita ser tratada, porque se não iniciar o tratamento o mais rápido possível após o nascimento, ela terá um retardo mental, e isso não tem volta.”

O médico acredita que seja mais interessante falar sobre a doença em crianças pelos sintomas serem mais específicos no adulto. “A criança começará a ter deficiência na escola, porque terá déficit de aprendizado, não conseguindo ter tanta atenção. Ela sentirá muito sono, e começará a repetir de ano na escola, ganhar peso e ter déficit de crescimento também, porque o hormônio tireoidiano tem uma íntima relação com o crescimento da criança. Então, não tendo esse hormônio ou estando em pouca quantidade, a criança tende a não ter um desenvolvimento estrutural tão bom”, diz.

Alimentação

A alimentação e o tabagismo não influenciam no aparecimento da doença. “Isso não é específico da alimentação. Existem alguns remédios que podem aumentar o risco do hipotireoidismo ou do hipertireoidismo. Muitas pessoas dizem que sentem um engasgo na região da garganta e acham que é a tireoide. É muito raro. Para que isso aconteça, a tireoide precisa estar muito maior do que seu tamanho original, sendo provavelmente acima de três ou quatro vezes o seu tamanho, que seria em torno de 15 cm3 ; o normal seria em torno de 5 a 6 cm. Então, quando se tem 60 cm3 ou acima disso, poderia ter uma compressão de estruturas vizinhas, podendo causar o incômodo. Mas fora isso é muito difícil.”

Aborto

Segundo o médico, o hipotireoidismo tem ‘uma íntima relação também com o aborto em mulheres’, pois até a 11ª semana de gestação o feto não produz um hormônio tireoidiano. “Ele depende do hormônio da mãe. Então se a mãe não tem o hormônio e estamos dando a ela, essa quantidade do hormônio é exclusivo à mãe e não ao feto.” Sendo assim, é fundamental a presença do iodo para a formação do sistema neurológico. “Portanto, o índice de aborto no primeiro trimestre de gestação em mulheres mal acompanhadas com um hipotireoidismo ou não diagnosticadas é em torno de 70%.”

Tratamento

O tratamento envolve um remédio que aumenta o hormônio que está em deficiência, a levotiroxina. “Também existem vários no mercado como o Puran, Levoid, Synthroid, Eutirox, e o objetivo de todos esses remédios é repor a deficiência do hormônio.”

Everton se lembra que normalmente há dosagens de remédios aos pacientes entre 25 a 200 microgramas, ou seja, o tratamento é específico para cada pessoa. “Geralmente a dosagem utilizada para cada paciente é dose por kg/dia. Então é calculado o peso do paciente e dará mais ou menos a dosagem que ele precisa.”

Tiroidite e câncer de tireoide

O endocrinologista explica que a tiroidite é uma inflamação da tireoide, existindo quatro tipos. “Em uma delas pode-se ter uma inflamação e o paciente pode ter febre. A irradiação da dor é do pescoço para o ouvido, sendo um quadro um pouco mais grave. E normalmente ele produz os hormônios em excesso por causa da inflamação da tireoide.” Os sintomas são iguais aos do hipertireoidismo, sendo taquicardia, tremor, suor frio, irritabilidade. “Mas esse é normalmente um tratamento clínico e não cirúrgico.”

Já quando o paciente possui câncer na tireoide, a cirurgia é indicada. “Se descobre quando há uma dor na tireoide. Faz o ultrassom e o diagnóstico desse nódulo. Normalmente, esse nódulo é maior que 1cm, e é sólido. Como é duro, precisa-se fazer a punção.” Dependendo do que aparecer na punção, se o câncer for maligno é necessário que o retire. “Se for benigno, acompanha esse nódulo. Então quando ele é maligno a primeira indicação é a cirurgia, ou então quando ele começa a crescer muito, que chamamos de ‘papo’, e os médicos chamam de ‘bócio’, mas para entender melhor seria o aumento da glândula; dependendo de quanto ela aumenta, também é indicado a retirada da tireoide”, conclui.

Fonte: Gazeta do Rio Pardo 

 

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