Frase é do atual secretário municipal de turismo Paulo Vedovato; Luciana Germek falou sobre o setor com pandemia
Do início da pandemia, em março, até o mês de outubro, o turismo brasileiro perdeu R$ 46,7 bilhões em faturamento, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O valor é quase o total que o governo federal despendeu para o pagamento mensal do auxílio emergencial (R$ 50 bilhões). A retração do turismo até agora é encabeçada novamente pelo setor de transporte aéreo, que faturou 52,2% entre março e outubro em comparação ao mesmo período de 2019.
Paulo Vedovatto, secretário municipal de turismo, e Luciana Germek, presidente do Comtur( Conselho Municipal de Turismo), falaram à Difusora e Gazeta sobre o turismo em São José do Rio Pardo durante o ano de 2020. Mencionaram os efeitos causados pela pandemia, e opinaram a possível extinção da Secretaria Municipal de Turismo no ano de 2021, entre outros assuntos.
Retração
“O Turismo no Brasil representava 7% do PIB, com R$ 140 milhões de dólares em 2019. Como os números mostram, perdemos muito. Notei de uns meses para cá que as próprias pessoas já estavam se flexibilizando, no mês passado recebemos muitos visitantes em São José do Rio Pardo, mas agora houve uma retração novamente no nosso setor. Tivemos alguns cancelamentos, percebemos que no litoral do nosso estado algumas medidas restritivas estão aumentando, então acho que pelo menos até sair a vacina vai demorar alguns meses para voltar à normalidade”, disse Luciana.
Segundo Paulo, até o ano de 2019 o turismo era o setor que mais crescia no mundo. “Infelizmente com a pandemia, esse ano foi o setor que mais perdeu. Aqui em São José não foi diferente, temos nossos atrativos, mas as pessoas deixaram de viajar. Com a volta progressiva do turismo, nosso município e região têm mais a ganhar, principalmente em função da nossa natureza, topografia”, completou ele.
Viagens Turísticas
“Hoje as viagens turísticas têm a duração mais curta, as pessoas evitam viagens a grandes centros. Elas estão optando ter mais contato com a natureza e esportes ligados a isso, o ecoturismo, que é de aventura. São José tem muito a crescer com isso. Aqui na cidade o ciclo turismo está em uma ascensão fabulosa. Existe hoje, pelo menos duas equipes que estão trabalhando para trazer turistas para cá, para fazer nossos roteiros turísticos de bike”, contou Paulo.
“Temos também uma empresa que retomou em São José esportes como canoagem, mergulho, caiaque, isso é muito importante. O turismo na cidade está apto a crescer”, acrescentou.
Regional Turística
Paulo explicou que em 2019 o município passou a fazer parte de uma regional turística. “São José e mais 12 cidades participam dessa regional. Cada um desses municípios tem um aspecto turístico. Não fazemos turismo de uma única cidade, mas de uma região. A nossa regional se chama Entre Rios, Serras e Cafés. Começa desde Aguaí, Casa Branca, São José do Rio Pardo, Tapiratiba, São Sebastião da Grama, Águas da Prata, São João da Boa Vista, Vargem Grande do Sul, Espírito Santo do Pinhal, Divinolândia e Caconde. As agências receptivas de turismo trarão pessoas para fazer um passeio regional”.
Segundo Luciana, será um turismo mais seguro. “As pessoas se sentirão mais acolhidas com relação a sua diversão. Esse grupo da região facilita muito para fazermos projetos em conjunto para enviar ao governo do estado. Trabalhamos juntos para tentar solucionar problemas, e ver possibilidades de verbas do estado, conseguir investimento”, disse.
Natal e Ano Novo
“Por mais que a ACI, Sincopar, DEC e Secretaria de Turismo tenham trabalhado para que o Natal seja um pouco mais ameno, tenha mais alegria, com toda a decoração, iluminação, mesmo assim, infelizmente com essa nova onda do coronavírus, e com as aglomerações, estamos um pouco temerosos. A cidade está muito bonita, mas pedimos que todos visitem fazendo uso de máscaras, respeitando o distanciamento e as medidas de proteção que nos foram passadas desde o início”, pediu o secretário.
Possível extinção da Secretaria
Luciana e Paulo comentaram sobre a possível extinção da Secretaria Municipal de Turismo e a vinculação dela ao DECET, como planeja a futura administração municipal.
“Eu estive como secretário de turismo desde abril de 2018 e pude perceber, apesar das críticas, que é uma Secretaria importante e necessária. O município foi classificado como MIT (Município de Interesse Turístico), trabalho que teve início em 2015, com o então secretário Henrique Torres, fazendo pesquisas de demandas turísticas, realizando todo o projeto de turismo da cidade. Em abril de 2018 a cidade foi contemplada com título de MIT, portanto ela tem direito a receber uma verba anual para ser investida na infraestrutura de Turismo. É um trabalho que o ex-secretário fez e eu dei continuidade. Nossa grande preocupação com a extinção da Secretaria de Turismo é que esse trabalho não tenha uma continuidade”, contou Paulo.
“Conseguimos trazer para a cidade, em parceria com o Sindicato Rural e Senar, cursos de turismo rural. Isso é conquista da Secretaria de Turismo. A estrutura que trazemos todos os anos para a Praça da Matriz é algo que custaria aos cofres públicos 300 mil reais. Conseguimos que isso viesse de graça ao município. Espero que esse trabalho não seja interrompido. Ou a cidade se volta realmente para o turismo e passa a receber investimentos maiores, como de investidores privados, ou isso acaba. Seria uma pena retroceder agora”, opinou Paulo.
“O pagamento da remuneração do secretário é um valor que, perto do que recebemos e do que pode ser investido no município, não entendo como gasto, mas como investimento. Se não tiver uma pessoa que corra atrás do turismo, que trabalhe por isso, retrocede”, completou.