sexta-feira , 4 abril 2025
Início / Cidade / ‘Casa Esperança’ irá direcionar moradores de rua para tratamento no Pevi
Terezinha Presti, presidente do PEVI, e o psicólogo Henrique Botteon

‘Casa Esperança’ irá direcionar moradores de rua para tratamento no Pevi

Aguardando compra da mobília, instituição deverá ser inaugurada esse mês

Na terça-feira (6), Terezinha Presti, presidente do PEVI ( Projeto Esperança e Vida), e o psicólogo da entidade, Henrique Botteon, concederam uma entrevista durante o ‘Jornal do Meio Dia’, na Rádio Difusora, e falaram sobre a parceria da instituição com a Casa Esperança, que acolherá moradores de rua do município.  A entidade deverá ser inaugurada ainda no mês de abril, e será uma triagem para aqueles que tiverem interesse em buscar tratamento para a dependência química.

Pevi

O Pevi tem capacidade física para atender até 24 pessoas. No entanto, durante a pandemia, o número foi reduzido. “É complicado”, disse Terezinha. “Para que a pessoa seja assistida, precisa passar por um médico e fazer um teste da Covid-19. Mas o dependente químico quer iniciar logo o tratamento, e às vezes acaba desistindo. Atualmente estamos atendendo dez pessoas. Temos 14 vagas ainda, a dificuldade está sendo acolhe-los, porque não pode ser sem antes fazer o teste e passar pelo médico. Isso está dificultando um pouco”, contou a presidente.

Segundo Terezinha, o Pevi tem seis funcionários, que são pagos com uma subvenção da Prefeitura. “Quanto a alimentação, temos um atendimento particular. Isso dificulta um pouco, mas graças a Deus muitas pessoas nos ajudam com doações de alimentos. Estamos sobrevivendo, está dando certo. Os funcionários continuam todos trabalhando, mesmo com a pandemia, nunca pararam, porque sempre têm gente dentro do Pevi”, destacou.

Dependência química e dificuldade financeira

“O dependente químico acaba com tudo o que ele têm, é muito difícil para a família pagar uma internação particular. Ás vezes ele não faz um tratamento, por falta de condições. As outras Prefeituras não estão mais fazendo convênios para esse tipo de atendimento gratuito, sabemos que elas estão quebradas. Fica muito difícil, porque os dependentes querem se tratar mas não têm dinheiro. Infelizmente nós também não podemos pegar 24 pessoas sem dinheiro. O recurso que vamos receber do deputado Eduardo Cury, por meio dos vereadores Henrique Torres e Paulo Sérgio Rodrigues, vou utilizar tranquilamente para tratar mais pessoas, e fazer uma manutenção no sitio. Com a verba conseguiremos abrir mais dez leitos no Pevi”, disse Terezinha.

Casa Esperança

Após anos sem uma Casa de Passagem, o município irá inaugurar  a ‘Casa Esperança’, local que será dedicado a acolher moradores de rua e funcionará 24 horas por dia, em parceria com o Pevi. No início, a instituição terá 15 vagas. “Não sei se começaremos com as 15. Vamos convidar os moradores de rua e não obriga-los a ir. Atenderemos homens e mulheres”, explicou a presidente.

“A Casa Esperança contará com o trabalho de 11 funcionários, incluindo psicóloga e assistente social. São pessoas que entendem de dependência química e de morador de rua. Teremos seis pessoas que fizeram tratamento no Pevi, e serão funcionários da Casa Esperança. É a chance deles ajudarem a fazer o bem que receberam, eles sabem o que foi bom para eles, e vão passar isso aos outros”, garantiu.

A instituição oferecerá banho, repouso e refeições: café da manhã, almoço e jantar. “Se eles quiserem ficar ou sair de lá, terão livre arbítrio para isso. As pessoas ficam pedindo para tirar esse pessoal da praça. Não podemos tira-los de lá, a praça é pública, o que podemos fazer é impedi-los de dormir. Vamos trabalhar em conjunto com o CREAS e a GCM”, contou.

“Nossa intenção é leva-los para a Casa Esperança, a psicóloga vai conversar com eles, e caso aceitem tratamento, serão direcionados para o Pevi. Após o tratamento no Pevi, eles irão para a Casa Vida, que é uma república. O morador de rua que não tem mais vinculo familiar, que fez o tratamento, vai ficar na Casa Vida por um tempo, para se organizar, arrumar um serviço e seguir com a vida. Queremos que a pessoa mude de vida, tenha dignidade. Mas isso depende só deles, daremos o respaldo necessário. Conforme forem saindo, daremos oportunidade para mais pessoas”, esclareceu.

Henrique comentou a importância da iniciativa. “Pelo número de pessoas que estão morando na rua, ter a oportunidade de abrir a Casa Esperança, não é apenas abrir um espaço para eles ficarem. Mas é dar a chance de terem essa dignidade. Lá eles se higienizarão, farão as refeições, receberam os kits para enfrentar a pandemia. Aproximaremos eles do SUS e do atendimento social, isso é muito importante. É um marco para São José do Rio Pardo, principalmente para o Pevi. Essa casa funcionará como uma triagem. É como a Terezinha disse, as pessoas que irão frequentar a Casa Esperança, serão sensibilizadas e entenderão que têm como tratar a dependência química delas. A maioria têm um problema com álcool, uma síndrome de dependência já instalada. Dessa forma se quiserem, poderão fazer o tratamento. A Casa Esperança aproximará essa população que está completamente marginalizada, excluída, do serviço público”, informou o psicólogo.

Durante a entrevista eles explicaram que o CREAS fará a busca ativa dos moradores de rua junto com funcionários da Casa Esperança. O projeto será divulgado pela mídia e a população será conscientizada da existência da casa para que ajude a orientar as pessoas, se necessário.

Inauguração

Segundo Terezinha, o dinheiro foi disponibilizado essa semana. “O que falta é fazer a compra dos móveis, mas as lojas estão fechadas. O resto está tudo certo. Vou tentar comprar esses móveis agora”, informou.

“Recebemos R$200 mil para o enfrentamento da Covid, verba que veio para cuidarmos dos moradores de rua. O restante a Prefeitura irá fornecer até o fim do ano. Depois poderemos renovar o contrato para o ano que vem”.

“Estou muito feliz com esse projeto e acho que vai dar muito certo. Tem pessoas muito boas que estão na rua, e precisam de uma oportunidade. Quero que elas tenham isso, quero ajuda-los, estender a mão. Minha expectativa é muito boa”, encerrou.

Confira também

João Luís, Mafepi e Márcio Zanetti confirmam pré-candidaturas a prefeito

Por enquanto, apenas os três declaram interesse em concorrer nas eleições de outubro João Luís …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *