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Janeiro marca os 46 anos da grande enchente

Rompimento da Usina Euclides da Cunha é considerado um dos maiores desastres do gênero

O dia 19 de janeiro é data marcante para os rio-pardenses de mais idade e tempo alertar aos mais jovens acerca das questões climáticas, especialmente naquelas relacionadas ao volume de chuvas. Quase sempre, a cidade fica em alerta no primeiro mês do ano, ao se lembrar do ano de 1977 quando foi inundada pelo rio que lhe dá nome.

Entre o final de 1976 e início de 1977, a grande quantidade de chuvas levou ao transbordamento da Usina de Caconde. Além disso, com os afluentes do rio Pardo também se avolumando, em poucas horas a região do Vasco se tornou um grande alagado. Tudo ficou submerso, inclusive o recém inaugurado Ginásio “Tartarugão” que teve água quase cobrindo o teto.

A pressão da água resultou ainda naquele que é listado como um dos maiores desastres do gênero, para obras de barragens do Brasil e do exterior: o rompimento da Usina Euclides da Cunha, que em 20 minutos, levou também ao rompimento da barragem de Limoeiro, 12 km mais abaixo.

“Pode-se inferir que os estudos hidrológicos não previram, ou não consideraram, a possibilidade de ocorrência desse evento extremo. Lição: em se tratando de projetos de obras hidráulicas, essa probabilidade sempre existe”, cita o engenheiro civil, Geraldo Magela Pereira, especialista em construção de barragens para usinas hidrelétricas.

É essa observação que faz com que o rio-pardense, em janeiro, esteja sempre atendo às nuvens no céu e ao sobe e desce no nível do rio.

Grande desastre

“No caso brasileiro, são listados os acidentes causados por galgamento (Orós, Euclides da Cunha e Limoeiro), além daqueles devido a fundações e de barragens de rejeito”, cita Geraldo Magela, no seu livro “Projeto de Usinas Hidrelétricas – passo a passo”.

“No que se refere a Euclides da Cunha, há um dado importante do qual fui testemunha. Eu e o geólogo Ricardo F. da Silva, então do IPT, estivemos no local do acidente no dia seguinte à sua ocorrência e encontramos o ex-operador da usina, que havia sido demitido da Cesp porque, numa enchente anterior, havia aberto as comportas do vertedor sem consultar a matriz em São Paulo. Ou seja, a falta de agilidade na tomada de decisão levou à ruptura a barragem Euclides da Cunha e, na cascata, a barragem do Limoeiro”, acrescenta.

O galgamento a que se refere o autor é quando o nível d’água no reservatório se eleva além da cota da crista da barragem. Essa sobrecarga pressiona e rompe as estruturas.

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Magela menciona um rol de rompimentos de barragens com estragos de grandes proporções pelo Brasil e em outros países: Malpasset (1959, França), Vajont (1963, Itália), Teton (1976, EUA), El Guapo (1999, Venezuela), Lower San Fernando (1971, EUA), Sayano-Shushensk (Rússia, 2009), Bieudron (2000, Suíça), Orós (rio Jaguaribe, Ceará, 1960), Euclides da Cunha (São José do Rio Pardo) e Limoeiro (Mococa), em 1977.

Conforme os registros da época, compilados pelo professor Rodolpho José Del Guerra e veiculados em Gazeta do Rio Pardo, anos depois:

O nível do rio chegou deixou a ponte Euclides da Cunha parcialmente submersa; Na região do campo do Vasco, casas ficaram submersas, famílias desalojadas; O abastecimento de água na cidade foi interrompido; Com a queda de dois pontilhões da Fepasa, o tráfego de trens foi interrompido; A ponte da Várzea foi destruída; As usinas Santa Alice e Rio do Peixe tiveram de parar o fornecimento de energia elétrica por conta dos danos aos equipamentos; 73 casas foram destruídas; Por dois dias, a Nestlé parou sua produção e colocou seus funcionários para ajudar na recuperação da cidade; O governador da época, Paulo Egydio Martins, visitou a cidade que se encontrava em estado de calamidade, decretada pelo então prefeito, Azael da Costa Figo.

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