segunda-feira , 16 dezembro 2019
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Veneno do escorpião degrada os neurônios do tecido nervoso

Alerta é do biólogo Edilson Guerra, que dá dicas importantes de prevenção e combate ao veneno

As reclamações sobre o aparecimento de escorpiões em alguns bairros da cidade estão cada vez mais constantes. Muitos moradores publicaram em redes sociais a ocorrência do surgimento dos animais nos quintais, e até mesmo dentro de casa.

Sabendo do risco e periculosidade que o veneno dos escorpiões oferece aos munícipes, principalmente a crianças e idosos, o jornal entrevistou o biólogo Edilson Guerra, para informar sobre os hábitos, reprodução e forma de prevenir o aparecimento desses animais.

“Os escorpiões que estão se proliferando em São José do Rio Pardo, são pertencentes a espécie Tityus serrulatus, e essa espécie é considerada a mais venenosa da América do Sul, e de maior incidência no nosso país”, explica.

Hábitos

“Esses escorpiões gostam muito de umidade, de pouca luz, e se alimentam de insetos que encontram em abundância, principalmente baratas, grilos e aranhas. São os alimentos prediletos dos escorpiões. Ressalta-se ainda, que eles tem a capacidade de passar um longo período sem se alimentar. Eles ficam escondidos por até três meses sem se movimentar”, destaca. “São animais de hábitos noturnos, e seu veneno é neurotóxico, ou seja, ele degrada os neurônios do tecido nervoso, causando graves complicações para a vítima”, informa Edilson.

“Esse escorpião sempre caça em par, portanto, se alguém encontrou um, verifique o local pois podem haver outros”, alerta.

Reprodução

“A reprodução dos Tityus serrulatus é por partenogênese, que é uma reprodução sem a presença do macho. Ainda não foram encontrados machos dessa espécie, só existem fêmeas. Isso acaba aumentando muito a quantidade de filhotes. A prole de cada fêmea está entre 20 e 30 filhotes por gestação. Ela se reproduz praticamente o ano todo. Cada escorpião pode gerar durante um ano, 160 filhotes”, instrui.

Não são insetos

“Ao contrário do que a população pensa, eles não morrem com inseticida, porque eles não são insetos. Eles pertencem a classe Arachnida, a mesma das aranhas. Então não adianta colocar inseticida para mata-los, porque eles não irão morrer”, diz o biólogo.

Vítimas

As principais vítimas dos escorpiões são crianças de até 12 anos de idade e idosos.

“Quando uma pessoa é picada por um escorpião, dependendo da idade, ela tem que entrar rapidamente com o soro antiescorpiônico, caso contrário, evolui para óbito. Quanto menor for a massa corpórea da vítima, mais letal é o veneno. Por isso as crianças são as maiores vítimas”, completa.

Soro

“Os soros antiescorpiônicos são produzidos pelo Instituto Butantan. A produção encontra-se na atualidade reduzida em virtude de dificuldades orçamentárias, falta de funcionários, e outros problemas que estão afetando a Instituição. Portanto, o estoque de soros em hospitais de referência, é muito baixo. Dessa forma, a população só tem uma saída: fazer a prevenção”, ressalta.

Riscos

“Os escorpiões não atacam, mas podem picar a vítima como uma reação de defesa. Portanto o grande perigo é quando pisamos acidentalmente ou tocamos nesse escorpião. A população deve ficar atenta e não jogar inseticida nos escorpiões, porque além de não mata-lo, eles acabam se desalojando, vão andar pela casa, e o risco vai aumentar muito”, afirma.

Demand

“Existe um único veneno capaz de matar escorpião. Ele é conhecido como Demand, porém, ele é de uso profissional, portanto não está disponível para a população em geral. Somente firmas especializadas em dedetização, podem ter acesso a esse veneno. A prefeitura pode fazer a sua parte dedetizando as galerias de esgoto e os cemitérios, que são locais onde mais se proliferam escorpiões, com a abundância de alimentos que eles encontram nesses ambientes”, comenta.

Prevenção

O biólogo Edilson Guerra citou algumas dicas importantes para evitar o aparecimento desses animais.

 – Evitar acumulo de lixo e entulho, pois eles atraem as baratas, e elas atraem os escorpiões;

– Evitar a prática de queimada em terrenos baldios, porque se colocar fogo, isso vai desaloja-los, e fazer com que eles procurem abrigo nas residências;

– Usar sapato fechado quando for transitar por um local com suspeita de escorpião;

– Sempre manter limpo o ambiente doméstico e de trabalho;

– Preservar os inimigos naturais dos escorpiões, principalmente as aves que possuem hábitos noturnos, como corujas, lagartos, lagartixas, sapos, gansos e galinha de angola;

– Os escorpiões se movimentam rápido e tem o hábito de subir em parede. Portanto, deve-se afastar camas e armários da parede. Deixar objetos no chão também não é uma boa ideia. Inclusive sapatos e luvas;

– Todos os acessos a rede de esgoto devem ser bloqueados, principalmente os ralos da casa;

– Retirar diariamente lixo do banheiro, pois é um dos principais atrativos de barata;

– É sempre bom deixar a casa dedetizada, pois isso diminui a quantidade de baratas e consequentemente de escorpiões;

– Importante despejar água sanitária toda semana nos ralos, evita baratas e ajuda a combater até mesmo o mosquito da dengue;

– Sempre inspecionar o sapato antes de calça-lo;

– Sacudir roupas de cama para ver se não existem escorpiões;

Caso de picadas

– Limpar o local da picada com água e sabão;

– Procurar rapidamente orientação médica, o mais próximo do acidente, de preferência Hospitais de Referência, que são os principais hospitais da cidade;

– Capturar o animal se for possível, e levar até a unidade de saúde para que ele seja identificado. Isso pode auxiliar e facilitar o diagnóstico;

– Jamais faça torniquete no local da picada, porque essa prática aprisiona o veneno no local, podendo causar necrose, e em casos mais graves levar até a amputação do membro;

– Não aplique nenhum outro tipo de substância no local da picada, álcool, querosene, ervas, nada; 

– Não deve ser feito curativo no local, pois pode facilitar a proliferação de bactérias;

– Nunca dar bebidas alcoólicas para a vítima;

Requerimento

Na sessão da Câmara Municipal do dia 26 de novembro, o vereador Rubens Lobato Pinheiro Neto, apresentou um requerimento de número 1.179, que solicita à Prefeitura previsão do serviço de dedetização no município, para combater escorpiões.

Zoonoses

“Quando a Zoonoses recebe reclamações de escorpiões, ou de um terreno baldio, de casa abandonada, já é encaminhado para o setor de fiscalização. O proprietário será notificado do problema, e terá um prazo para efetuar a limpeza, ou isso pode acarretar em multa e até dívida ativa. Lembrando que quando a pessoa encontra o escorpião, pedimos que ela não entre em contato com ele. É necessário utilizar uma pinça e luvas protetoras. É bom que não manuseie sem ter experiência. O veneno dele é muito forte. Ela pode entrar em contato com a Zoonoses e vamos na residência recolhe-lo e passar todas as orientações necessárias”, alerta Luis Fernando de Andrade Dias Nogueira, chefe do Centro de Zoonoses.

Moradora encontra 7 escorpiões em casa


Escorpiões encontrados pela moradora Juliana

Juliana, uma moradora rio-pardense, relatou ao jornal o aparecimento de escorpiões em sua residência e sua preocupação com relação a isso.

“Moro no Jardim Santa Teresa e nos fundos de minha residência fica o bairro Algenor Taddei. Ao longo de 10 anos que moro aqui, de uns 8 anos pra cá começou a aparecer o inseto, porém 1 ou 2 no máximo por ano, mas desde o ano de 2018, a incidência de aparecimento aumentou muito. Mediante aos aparecimentos, contratamos um plano trimestral de dedetização, tampamos todos os nossos ralos da área interna e externa da casa e não acumulamos nenhum tipo de material no quintal, ou seja, nossa parte está sendo muito bem feita e com gastos altos”, afirma.

“Com a dedetização a incidência de aparecimento diminuiu, por vezes encontramos alguns mortos e outros vivos, uma vez que o veneno é passado no chão da casa, enquanto o escorpião está na parede, ele não entrou em contato com o veneno”.

“Na semana passada fui até meu quintal e eu e meu esposo começamos a encontrar filhotes, que no total foram seis, e acabamos por encontrar a mãe também. Eles estavam na parede todos vivos e esta parede fica de fundo para um terreno particular sem construção e abandonado”.

“Nosso medo é constante pois temos duas crianças que mal deixo brincar no quintal por medo. Este bairro no qual me refiro está abandonado tanto pela prefeitura quanto por muitos donos que não cumprem o dever de manter os terrenos limpos”, comenta. “Já fizemos requerimento para notificação aos proprietários dos terrenos e nada acontece”, encerra Juliana.

Por Júlia Sartori

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