quarta-feira , 12 agosto 2020
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Janeiro Branco: Psicóloga fala sobre a saúde mental, depressão e ansiedade

Entrando no clima da Campanha “Janeiro Branco”, a psicóloga rio-pardense Kelly Mariana Ribeiro escreveu um artigo falando sobre a importância dos cuidados com a saúde mental, e deu algumas explicações sobre doenças como ansiedade e depressão. Kelly também falou sobre a importância da psicoterapia na vida de cada indivíduo.

Inspirado na “Campanha Outubro Rosa” e sua luta em chamar a atenção da humanidade sobre a prevenção em relação ao Câncer de Mama, a “Campanha Janeiro Branco” surgiu em 2014 idealizada por psicólogos de Uberlândia – Minas Gerais com o intuito de conscientizar as pessoas de todo o mundo para as questões relacionadas à Saúde Mental e as condições para uma vida saudável.

A partir dos anos 2000, a Organização Mundial de Saúde (1948), alerta para o aumento das taxas de suicídio, depressão e ansiedade em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a indústria farmacêutica disponibiliza no mercado drogas com a finalidade de oferecer uma “cura mágica”.

A busca por ideais de perfeição imperam e induzem o ser humano a um padrão de funcionamento que não condiz com a própria condição de humano, ou seja, um ser faltante. A “Campanha Janeiro Branco” tem por finalidade alertar toda a sociedade no sentido de observar e reconhecer que todos estão expostos e somos passiveis de dores do corpo e da alma. Desta forma a Campanha visa sensibilizar as pessoas com: “quem cuida da mente, cuida da vida”; “quem cuida das emoções, cuida da humanidade”; “quem cuida de si, já cuida do outro”; “sem psicoeducação não haverá solução”; “autoconhecimento: isso também tem a ver com a saúde mental”; etc.

Origem do nome ‘Janeiro Branco’

Mas porque o nome Janeiro Branco?  Segundo o artigo Janeiro Branco (2014): “quando o réveillon, chega, vivemos uma espécie de catarse a partir da qual nos propomos a resgatar os nossos sonhos, construir os nossos projetos, executar os nossos planos e a realizar tudo o que sempre desejamos.”

A proposta é observada como um comprometimento do sujeito na construção de uma vida mais feliz para si mesmo. O simbolismo da virada de ano nos inspira a planejarmos uma vida com mais realizações e mais coragem na busca dos nossos próprios sonhos.

Como prevenir a ansiedade e depressão?

A ansiedade é uma reação que todo indivíduo experimenta diante de alguma situação inesperada como: expectativas de uma viagem, falar em público, datas importantes, avaliação escolar, entrevistas de emprego, exames de saúde entre outras e está relaciona a algo que ocorrerá no futuro.

A ansiedade como a depressão faz parte de nossas vidas, o que pode tornar-se um transtorno é a intensidade como ela é vivida.  Ansiedade pode ser normal e é um indicador positivo para enfrentar uma nova situação, de certa forma, ela nos  coloca em estado de alerta necessário para o desempenho de determinadas tarefas. Ela nos auxilia na medida em que utilizamos desse estado para prevenir que algo possa acontecer. O transtorno de ansiedade como doença subjacente, somente ocorre quando os sentimentos se tornam excessivos, obsessivos e interferem na rotina diária.

Algumas pessoas vivenciam esta sensação de forma frequente e intensa o que pode ser considerado patológico e comprometer a saúde emocional. Nessas situações ao pensar nos “pós e contras”, fica mais preocupado com o futuro do que com o próprio acontecimento. Ou seja, a estafa mental devido ao excesso de preocupações pode limitar a pessoa em vivenciar o momento, passeio ou data que pode ser determinante para a sua vida, como exemplo: uma viagem prazerosa pode se tornar estressante pelo excesso de preocupação, incomodando o ansioso como as pessoas envolvidas, devido ao excesso de pensamentos acelerados.

Baseado na Campanha Janeiro Branco observa-se a importância de entender as dores do corpo e da alma e buscar apoio especializado a fim de amenizar o sofrimento.

A prevenção do Transtorno de Ansiedade pode ser controlada quando descobrimos seus gatilhos. A psicoterapia é uma das melhores ferramentas atuais para lidar com os momentos ansiosos, através do autoconhecimento, o psicólogo poderá auxiliá-lo a descobrir as raízes que desencadeiam a ansiedade. Compreendendo os fatores estressantes e dando as emoções seus reais significados, transformando cada experiência vivida em aprendizado. Somos seres em transformações e a forma como vemos o mundo e suas relações sociais acompanham o sujeito na construção de crenças e valores durante sua vida. Por isso a importância da psicoterapia para que assim o sujeito consiga ressignificar suas experiências para cada situação seu real valor. Sendo assim nós mesmos nos tornarmos nossos melhores companheiros. Transformando cada experiência vivida a favor e não contra, pois nosso maior inimigo somos nós mesmos. Quando o sujeito descobre seu gatilho, ele pode tentar limitar sua exposição. Caso não houver recursos para reduzir o contato, não puder ser alterado no momento, o uso de outras técnicas de enfrentamento pode ajudar.

Com as experiências da modernidade e os desafios para se adaptarem ao mercado de trabalho, mudanças nos hábitos e estilos de vida, todos estão propensos a situações de ansiedade, a prevenção através hábitos saudáveis pode auxiliar para um bom desempenho biopsicossocial e espiritual do sujeito. A importância de atividade física, dieta saudável, sono regular, a ajuda de um psicoterapeuta, exercícios de relaxamento, meditação podem ajudar a diminuir a ansiedade. Participar de um grupo de apoio também pode ajudar. Para controlar os sintomas de forma eficaz, é recomendável evitar cafeína, o álcool e a nicotina.

A depressão é um estágio de reflexão, melancolia, uma tristeza passageira ou reavaliação de situações que já foram vividas. Um estado de tristeza desencadeado por uma frustração, perda e luto. Que também são importantes para avaliarmos os verdadeiros valores da vida.

Diante das condições da atualidade, da exigência de sermos todos felizes, estarmos bem, o individuo apresenta dificuldade em se adequar, como se não tivéssemos o direito de ficar triste e refletir sobre algo que aconteceu. Frente a essas exigências, perde-se espaço para originalidade, dando espaço a superficialidade nos relacionamento, sensação de vazio, autodesvalorização, sentimento de culpa e distanciamento do ideal de felicidade de cada um. Observa-se nas mídias a postagem de felicidade da vida que não tem, através de ostentação, vaidade que encobre uma baixa autoestima e suas fragilidades, vivendo para o outro e não para si mesmo.  

Entende-se que em determinados momentos, a depressão pode ser uma doença mental e pode se tornar crônica.

O tratamento deve ser acompanhado por um médico especializado com intuito de avaliar, orientar o indivíduo e/ou familiares sobre o uso correto da medicalização, consulta regular a fim de acompanhar a evolução e o quadro clinica do cliente a fim de amenizar as sensações de mal estar. O trabalho se estende juntamente com o psicólogo através da psicoterapia semanal, na busca do entendimento do histórico de vida do sujeito e consequentemente ressignificar suas experiências vividas. É de fundamental importância a adesão ao tratamento, uma vez interrompido por conta própria ou uso inadequado da medicação, pode aumentar significativamente o risco de cronificação, em casos extremos levar ao suicido.

Cuidar bem da saúde mental

O cuidado com a saúde mental deve iniciar já na primeira infância, ensinando as crianças desde pequenas identificarem suas emoções e a importância de cada uma, instrui-los a encontrar formas de superar situações problemas, através do pensamento crítico, explicar que todas as emoções são genuínas em sua essência, explicar noções de rotina, regras, limites e partilha respeitando a idade cronológica da criança, motivar expressão de afeto, sociabilidade, empatia, solidariedade e criação de laços afetivos.  

É importante criar situações que possibilitem o ajuste necessário para lidar com as emoções positivas e negativas. Investir em estratégias que possibilitem o equilíbrio das funções mentais desde pequeno é essencial para o convívio social mais saudável. Além de ser determinante para estabilidade física, a saúde mental está relacionada à qualidade da interação individual e coletiva. Recordar que a Campanha Janeiro Branco estimula o sujeito, neste início de ano a planejar uma vida com mais realizações e mais coragem na busca dos nossos próprios sonhos.

Dicas para uma boa saúde mental

Saúde física e mental deve caminhar junto como diz o ditado popular “se a cabeça não pensa o corpo padece”, ou se “a boca cala o corpo fala”, esse ditado acompanha várias gerações e devemos compreender o real significado. A importância dos cuidados com os sinais do corpo e da mente e quais as medidas mais relevantes a ser tomada para prevenção e controle das emoções diante os desafios da vida.

Realizar atividades ao ar livre que proporcione lazer e integração e o contato com a natureza também faz parte da saúde mental, da socialização construindo novas concepções de lazer.

Pertencer a algum grupo como: futebol, igreja, ações sociais, viagens, estudos, academia, terceira idade, entre outros a fim de estimular a integração entre pessoas também pode ser útil, assim evitando o isolamento. Criar condições as quais o sujeito possa se sentir integro, construir amizades, desenvolver suas habilidades, que posa sentir acolhido quando um problema maior surgir. E que as ações coletivas deva se estenda a todas as camadas sociais e faixas etárias diversas.

Procure relaxar alguns minutos por dia – priorize atitudes para aliviar o estresse é fundamental para tornar o cotidiano mais leve e promover o equilíbrio físico e mental.

O uso da internet pode se tornar um aliado para socialização desde que não se torne um vício, pois o mundo virtual não substitui o real.


Kelly Mariana Ribeiro, psicóloga,  fala sobre a importância dos cuidados com a saúde mental

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