sábado , 16 outubro 2021
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Sheila e Ana Amélia Junqueira Capuano, psicóloga e coordenadora do Renascer

Outubro Rosa tem exemplos de superação

Um relato sobre a vida de quem venceu a luta contra o câncer de mama

A campanha Outubro Rosa começou, mas a prevenção e os cuidados relacionados ao câncer de mama devem ser feitos todos os dias do ano. Esse é o tipo de tumor mais frequente em mulheres no mundo todo, e também no Brasil, depois do câncer de pele não-melanoma, e corresponde a 28% dos novos casos de câncer. Em 2019, no Brasil, foram estimados 59.700 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 51,29 casos por 100 mil mulheres. No entanto, uma boa notícia: nas últimas décadas, algumas pesquisas científicas mostraram que as taxas de mortalidade por câncer de mama foram reduzidas ou estabilizadas, principalmente em regiões mais desenvolvidas, como Estados Unidos e Europa. No Brasil, a pesquisa Inequalities in the Burden of Female Breast Cancer in Brazil, analisou 27 anos da incidência deste câncer no Brasil e mostrou que o país está seguindo a tendência mundial em algumas regiões.

Diagnosticada com a doença em 2016, a dona de casa Sheila Zanetti de Souza Gonçalves, 51 anos, superou o câncer de mama. Ela contou ao jornal sobre as dificuldades enfrentadas nesta luta e relata as experiências que ajudaram a vencer a batalha contra a doença.

“Sempre tive o costume de me apalpar no banho. Um dia, examinando, fiquei intrigada porque na lateral direita do meu seio, tinha um buraquinho fundinho, mas era uma coisa mínima. Era como se fosse um fundinho de espinha na pele. Mas eu não sentia dor nenhuma”, relembrou.

“Não conseguia acreditar”

Na época, Sheila trabalhava e estava prestes a tirar férias. Ela aproveitou a oportunidade para marcar uma consulta médica, e avaliar o surgimento do problema.

“Fui fazer um exame de prevenção e falei para a enfermeira que eu tinha encontrado aquele fundinho estranho na mama”, disse, explicando que a partir dali realizou outros exames e foi quando o tumor apareceu. “Fiz a biópsia e veio o diagnóstico”, contou ao jornal.

A reação ao diagnóstico foi de incredulidade. “Meu coração dizia que era mentira. Não conseguia acreditar que era um câncer. Demorei para contar aos meus filhos e marido”, revelou.

Segundo Sheila, a família não estava preparada para receber a notícia. “Quando contei a eles, percebi que o semblante já entristeceu, cada um ficou chorando em um canto, minha casa virou um silêncio, eles não queriam nem mesmo conversar”.

Percebendo a situação emocional de sua família, ela disse que encarou o problema de forma positiva, para dar forças aos familiares. “Precisava anima-los, continuei a vida normalmente, tudo o que eu sabia que eles gostavam, eu fazia”, relembrou.

Quimioterapia

Após o diagnóstico, Sheila iniciou a quimioterapia, o que fez de outubro de 2016 até 2017, num total de 17 ciclos. “Pensei que fosse morrer, porque as pessoas falam da quimioterapia como se fosse um monstro, uma coisa terrível. Mas não é assim. O tratamento traz sim algumas coisas que frustram, que é a queda do cabelo, sobrancelha, cílios. Cada dia que você acorda, tem um resultado triste no seu corpo, principalmente para nós mulheres”, comentou.

O processo da quimioterapia é demorado, Sheila ficava das 11h00 às 16h00 recebendo o medicamento. “Quando eu chegava em casa, depois de três horas que tinha feito o tratamento, ficava derrubada. Mas depois de um tempo eu levantava. A equipe de oncologia dava um ótimo suporte, tudo o que eles aconselhavam, eu fazia. Eu seguia à risca”, declarou.

Vontade de viver

Eu procurava sempre pensar positivo. Não podemos ficar olhando para o que aconteceu com as outras pessoas, não podemos pensar que câncer sempre mata, que são todos iguais. Meu pai teve câncer com 46 anos, e com 49 ele morreu. Exatamente a mesma idade que eu tive a doença. Se eu fosse colocar essa informação na cabeça, acho que eu já teria morrido”, contou durante a entrevista.


Sheila Zanetti de Souza Gonçalves, 51 anos, venceu o câncer de mama em 2017

Ana Amélia Junqueira Capuano, psicóloga há 15 anos, que atua na área da oncologia, e atualmente é coordenadora do Renascer, acompanhou a trajetória de Sheila de perto, e contou sobre como ela encarava a situação de forma leve.

“A Sheila foi uma pessoa que eu pude acompanhar, passamos pelo processo juntas, porque na época eu estava como psicóloga da oncologia SUS”, relata.

Segundo a profissional, a paciente confortava o grupo do tratamento. “Ela chegava, fazia questão de cumprimentar todo mundo, pegava na mão de cada uma das mulheres, orava por elas. Esse apoio de outras pessoas que estão passando por isso, é fundamental. Ela teve seus medos, e ainda ajudava as outras pacientes”, diz.

Conforme lembrou, Sheila perdeu os cabelos mas encarou o uso da peruca com naturalidade. “Participou de um desfile e, no meio dele, tirou a peruca e jogou longe, foi um arraso. Ela encarou a doença de uma forma positiva, além de ser paciente, foi uma parceria”, relembrou com carinho.

Cura

Em 2017, Sheila fez uma cirurgia para a retirada do tumor e perdeu um quadrante da mama. “Sofri bastante no pós-cirúrgico, a recuperação é complicada. Mas quando eu recebi a notícia que estava curada, um tempo após a cirurgia, eu queria abraçar todo mundo que estava na Unicamp”, comenta.

“Eu olhava as pessoas lá, tristes, esperando para fazer o tratamento, sentadas nas cadeiras, tinha vontade de abraçar todo mundo e pedir para que não desanimassem”, lembrou.

Passados 4 anos, até hoje Sheila faz hormonioterapia com Tamoxifeno, que é considerada uma quimioterapia oral. O medicamento precisa ser utilizado após a cirurgia, durante cinco anos, ou antes do procedimento, dependendo de cada caso. 

É importante lembrar que realizar o autoexame é fundamental. No entanto, ele não substitui o exame clínico. Consultas de rotina no ginecologista são primordiais para garantir a saúde e bem-estar da mulher.

Renascer oferece atendimento especializado

Fundado em São José do Rio Pardo, em 1998, o Projeto Renascer atende atualmente pessoas com todos os tipos de câncer, de todas as idades e de ambos os sexos. Inicialmente, a ideia era oferecer amparo às mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mas desde 2019, o Renascer ampliou o atendimento.

“Entendemos que esse acolhimento deve ser feito para todos os tipos de câncer, seja ele em homem, mulher ou criança. Todo mundo merece ser acolhido nesse momento”, avalia Ana Amélia Junqueira Capuano, atual coordenadora do projeto.

O Renascer oferece atendimento por meio de uma equipe multidisciplinar com psicólogo, fisioterapeuta, educador físico e assistente social, reunindo aproximadamente 50 pessoas, em diversas atividades.

“A partir do momento em que a pessoa recebeu esse diagnóstico, ela pode ser encaminhada por serviços da rede pública, ou então, a pessoa pode trazer o documento comprovando que ela tem a doença”, explicou Ana. Mesmo pacientes já curadas do câncer, podem participar do projeto.

Além de subvenção municipal, a Instituição recebe recursos de doações e contribuições para manter suas atividades. “Às vezes a conta não fecha. Por isso nós fazemos a campanha Amigo do Peito, e recebemos algumas doações financeiras”, informou.

A campanha “Amigo do Peito” fica aberta o ano todo para receber doações. Os interessados em ajudar, podem fazer um depósito pelo Pix: projetorenascer-riopardo@hotmail.com. Também é possível ajudar por meio de depósito bancário no Banco do Brasil, Agência 00 66-3, Conta Corrente- 100 598-7.

*Com informações do A.C.Camargo Center

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