domingo , 18 agosto 2019
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Ex presidente Lula diz que Euclides da Cunha mentiu em “Os sertões”

“Eu não acredito que uma pessoa que veja episódios de uma série no Youtube, possa falar com propriedade sobre o assunto”, diz diretora Municipal de Cultura 

No dia 26 de abril, o ex presidente Lula concedeu uma entrevista aos jornais El País, e Folha de São Paulo. Durante o diálogo, Luis Inácio critica a obra de Euclides da Cunha, o livro “Os sertões”, com a seguinte frase: “O canal Paz e Bem tem um curso recontando as histórias, mostrando as mentiras que Euclides da Cunha contou sobre Canudos. A história não é aquela. Fiz um curso de oito aulas.”

Ciente da importância que a obra histórica literária tem para o nosso país, e do apreço que os rio-pardenses tem pelo autor, Euclides da Cunha, a Gazeta do Rio Pardo buscou depoimentos de historiadores e euclidianos sobre o assunto.

“Eu respeito a opinião do ex presidente Lula, assim como respeito a de todas as pessoas. Porque quem trabalha com a área de humanas, sabe que não existe apenas uma verdade, que são várias as possibilidades. Porém, discordo da opinião dele. Ele fez uma análise superficial do que foi o livro “Os sertões”. Acredito que ele tenha até menosprezado a própria cultura brasileira. Porque Euclides da Cunha foi um dos primeiros escritores brasileiros a falar sobre a nossa cultura. Então ele tinha que ter analisado melhor, estudado antes de dar essas declarações. Eu não acredito que uma pessoa que veja episódios de uma série no Youtube, possa falar com propriedade sobre o assunto. Então minha primeira pergunta ao Lula, seria: Você leu “Os sertões”? – Depois que ele ler, pode sentar para discutir. Devemos analisar também, quando trazemos ao presente qualquer obra literária, qual o momento em que ela foi escrita, o que se estudava na época. Tudo isso tem que ser levado em consideração. Então eu respeito a opinião, mas acredito que tenha sido superficial e sem base cientifica, histórica ou literária. Foi um comentário infeliz”, comenta Ana Paula Lacerda, diretora municipal de cultura e curadora da Casa Euclidiana.

A professora Carmen Trovatto Maschietto, euclidiana e membro do Conselho Euclidiano também deu sua opinião sobre o comentário do ex presidente. “A observação de Lula sobre Euclides da Cunha e a Guerra de Canudos representa a opinião de um ignorante. Não deve ser levada em conta. Contudo, ao se atrever a desrespeitar e desautorizar a opinião de um autor reconhecido internacionalmente, que honra a literatura e a cultura brasileira, demonstrou, por meio dessa insolente afirmação, seu despreparo intelectual, a arrogância do seu caráter, falta de educação e de apreço pelo Brasil e seu povo”, afirma.

Carmen fala sobre a importância da obra para a história do Brasil. “O livro Os sertões, publicado em 1902 é uma monumental obra literária que, conjugando ciência e arte, tomou como inspiração a Guerra de Canudos. Nesta obra, Euclides da Cunha procura explicar e interpretar o processo histórico que deu origem ao povo brasileiro. Conferindo a esse episódio uma excepcional grandiosidade, o texto articula passado, presente e futuro, para denunciar a criminosa exclusão social e econômica da população do sertão. Esse crime, dramaticamente denunciado no livro, hoje se estende à periferia de todas as cidades brasileiras, demonstrando um processo histórico ainda em funcionamento. Esta é apenas uma das razões que explicam a perenidade dessa obra, considerada um clássico da literatura”.

“Quando se levanta esse tipo de discussão, eu gosto. Como historiadora, eu gosto. Até porque temos como fundamentar tudo aquilo que São José acredita e defende, que é a obra euclidiana. Então eu acho que esses debates são bons, porque é uma maneira de pedirmos para analisarem melhor, estudarem melhor. Aqui tem a semana euclidiana com vários especialistas sobre o assunto, para podermos conversar e discutir para ver se o que falam tem fundamento”, finaliza Ana Paula.

Restos Mortais

De acordo com a diretora municipal de cultura e curadora da Casa Euclidiana, Ana Paula Lacerda, surgiram boatos nos últimos dias sobre os restos mortais de Euclides da Cunha serem transferidos para Cantagalo, município do Rio de Janeiro.  “Tivemos um contato do jornal O Dia do Rio de Janeiro, levantando uma questão que era levar os restos mortais de Euclides da Cunha e do filho dele para o Rio de Janeiro novamente. O que criou uma situação desagradável, tanto para São José do Rio Pardo quanto para os cantagalenses, porque essa história foi levantada sem um pingo de responsabilidade, querendo criar uma intriga entre as cidades. Eu devo isso a uma pessoa que não entende, não estuda e não respeita a própria cultura brasileira. Eu acredito que agora com o Flip homenageando Euclides da Cunha, várias questões serão levantadas. E nós, rio-pardenses e euclidianos vamos ter muito o que falar. É uma oportunidade que temos até de defender a obra euclidiana”, relata.

Segundo a diretora, os restos mortais não serão transferidos de São José. “Os próprios familiares disseram que isso não acontecerá. Até mesmo pelo movimento que existe em homenagem a ele aqui na cidade, que já é consolidado, os familiares mesmo quiseram trazer para cá. Não tem como mexer nisso, foi algo irresponsável e sensacionalista. Essa foi uma questão já resolvida e já consolidada. Até porque Cantagalo e São José são cidades coirmãs. Trabalhamos para defender a obra euclidiana. Se o objetivo era abalar as duas cidades, não conseguiram. O próprio pessoal de canta Galo nos ligou pedindo desculpas sobre essa questão.

Por Júlia Sartori

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2 Comentários

  1. Pedro da Rosa Fraga

    Ana Paula e Carmen disseram tudo. Lula é um farsante em todos os sentidos e, intelectualmente, um zero à esquerda, não lê nem gibi! Eu li e amo “Os sertões” e a obra de Euclides da Cunha.

  2. Lula jamais se envergonhou por nenhuma das muitas asneiras que tem dito ao longo da sua existência. Um psicopata narcisista e arrogante nunca poderia ser levado em conta, à não ser por psicólogos forenses.

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