Eduardo Eron Os pequenos agricultores rio-pardenses que cultivam brócolis, rúcula, couve manteiga, cheiro verde, alface e, principalmente, repolho estão satisfeitos. Todos esses produtos estão dando lucro na roça e, em conseqüência, acabam gerando novos empregos temporários e motivando os produtores a não desistirem da atividade. No Sítio Sertão Grande, de Darcy de Melo (Neguinho), próximo ao bairro Carlos Cassucci, planta-se de tudo um pouco, menos repolho. Com aproximadamente dois alqueires, a propriedade margeia a rodovia SP 207 e, do asfalto, já é possível visualizar a extensão de tudo o que é plantado anualmente. O principal produto do sítio de Neguinho, um apaixonado pela roça, é a alface. Ele colhe uma média diária de 400 pés, que são vendidos ao preço unitário de R$ 0,60, valor que já é considerado um bom preço. Boa parte da produção vai para os supermercados Fonseca, São João e Tradição (ex-Melo), mas também há muita venda avulsa, a particulares, havendo ainda quem compre para revender de casa em casa. A rúcula, outra das especialidades do Sítio Sertão Grande, tem o maço vendido a R$ 1,20 e a venda diária varia de 80 a 100 pés, sendo esta também a média de vendas do brócolis e da couve flor. O cheiro verde é negociado a R$ 0,80 o maço, a couve flor tipo manteiga a R$ 1,00 e o brócolis a R$ 2,00, ambos vendidos também por maço. Neguinho emprega quatro pessoas atualmente, mas muitas outras já passaram por lá no decorrer dos anos. Algumas delas conseguiram depois bons empregos e continuam trabalhando até hoje no ramo de alimentos. Neguinho tem um casal de filhos já formados, mas a filha é fisioterapeuta em Passos (MG) e o filho é piloto de avião em empresa que transporta mercadorias, na região central do país, tendo recebido esta semana um convite para trabalhar na Gol. Neguinho atribui a dois fatores os bons preços atuais dos produtos agrícolas: a queda de custo dos insumos, especialmente do adubo (R$ 45 o saco de 50 quilos), que é muito usado na abertura dos canteiros, e o excesso de chuvas com alternância para períodos de forte calor. “Esses fatores reduziram a produção em geral e, com isso, os preços melhoraram na roça”, sintetizou. “Hoje está tudo dando lucro”.
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Gazeta do Rio Pardo - Fundada em 03/01/1909 | ANO 101