Começo difícil: o comerciante Nilton Cueva vendeu carro e casa na busca para se consolidar no ramo
Micro empresa do setor comemora a boa fase e aposta no crescimento do mercadoGilmar Ishikawa
A quantas andam a indústria, o comércio, o setor de serviços em São José do Rio Pardo? Para acompanhar este movimento, Gazeta apresenta a página Negócios, mostrando o que, como e onde estão as peças que auxiliam no funcionamento da nossa economia. Um dos ramos do comércio local que teve crescimento significativo nos últimos anos foi o de produtos de limpeza, com a instalação de várias empresas familiares que manipulam e vendem desinfetantes, sabões, sabonetes e outros produtos deste segmento. A quantidade de empregos gerados não é significativa mas estas empresas ajudam a engrossar a economia doméstica, com produtos de baixo custo. Um dos exemplos de sucesso na área é do comerciante Nilton César Sebastião Cueva. Ele está no ramo há 11 anos, e acaba de se mudar para um prédio próprio, onde mantém loja e laboratório de manipulação e preparo dos produtos que comercializa.
A luta até chegar aos 11 anos de atividade não foi fácil. “Comecei vendendo de porta em porta, principalmente nas fazendas”, relembra. Nilton investiu bastante para ter o próprio negócio. “Eu trabalhei numa papelaria durante 12 anos. Pedi conta para começar neste trabalho, montei uma loja ao lado de casa, depois aluguei um imóvel mais perto do centro e acabei vendendo a casa para comprar outra mais perto do trabalho”, explica o comerciante, que iniciou sua produção no fundo do quintal, pagou aluguel durante seis anos e hoje conta com instalações próprias e adequadas à manipulação dos produtos de limpeza.
Nilton Cueva destaca ainda que buscou apoio junto ao Banco do Povo Paulista – órgão estadual que disponibiliza crédito com juros reduzidos para pequenos e micro empreendedores. “Algumas pessoas reclamam do valor do empréstimo, mas sabendo trabalhar, 5 mil reais viram 6 mil reais. Tem que planejar, não adianta querer que 5 mil vire 10 mil imediatamente”, recomenda. Nilton trabalha junto com a esposa, e emprega mais cinco pessoas entre atendentes, entregador e um químico, responsável pela administração e aplicação das fórmulas contidas nos produtos de limpeza.
Onze anos depois de ter iniciado seu empreendimento, Nilton considera que alcançou seus objetivos e tem um negócio de sucesso. “Meu sonho era ter uma loja onde pudesse oferecer 60 itens de produtos de limpeza. Hoje vendo praticamente de tudo ligado à limpeza, tanto de higiene pessoal como para residências. São mais de 2 mil itens na loja”, completa o empreendedor. Qualidade dos produtos A fabricação dos produtos de limpeza requer licenças especiais, obtidas junto à Vigilância Sanitária e órgãos como Agência Nacional de Saúde (ANVISA). Além destas, para manipular alguns produtos especiais, são necessárias autorizações de órgãos ligados à Segurança Nacional. O setor está sujeito a diversas normas que precisam ser cumpridas à risca, o que para outro empreendedor do setor, um comerciante ouvido pela reportagem – que pediu para não ser identificado -, muitas vezes inviabilizam o negócio.
Entre as normas da Vigilância Sanitária, uma determina a proibição de utilização de garrafas pet para acondicionar os produtos de limpeza, mas a norma nem sempre é cumprida, principalmente pelos pequenos fabricantes, que ainda manipulam os produtos de forma quase artesanal, no fundo do quintal. Os empreendimentos de maior porte procuram se adequar, comercializando os produtos em embalagens próprias, rotuladas, e deixando de usar as do tipo pet.
O comerciante disse que a Vigilância Sanitária exige muito do acondicionamento dos produtos mas nem sempre observa a qualidade de composição daquilo que é comercializados na cidade. “Há casos em que o desinfetante fabricado não tem sequer bactericida, é só água e aroma”, denuncia.
A reportagem entrou em contato com a Vigilância Sanitária mas não conseguiu falar com o coordenador do órgão – que está de licença.
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