A quadra não apresenta qualquer condição de ser utilizada
Construções inacabadas e mal utilizadas são exemplo de desperdício do dinheiro público
Giselle Torres Biaco
Enquanto a Prefeitura Municipal anuncia aos quatro cantos do município uma avalanche de obras, muitas delas objetos de questionamentos por parte da vários setores da comunidade, a população é obrigada a conviver com uma avalanche de problemas, a maior parte deles sem ter a quem recorrer.
No “Carlos Cassucci” A administração insiste em dizer que a maioria dos moradores do bairro Carlos Cassucci aprova a construção de uma quadra coberta no meio da praça central do bairro. Há controvérsias e muitas polêmicas nesse sentido, uma vez que o local já dispõe de quadra em uma das extremidades da praça. Abandonada, ela tem mato crescendo nas laterais da mureta, piso com qualidade ruim e telas de proteção cortadas.
No “Fartura” O verdadeiro retrato do descaso com o bem público pode ser conferido na praça do bairro Fartura. Ao ver a reportagem de Gazeta fazendo fotos no local, dois adolescentes perguntaram se a quadra seria arrumada, completando que “é o único lugar que a gente tem para se divertir”. Uma guarita abriga restos do que foi investido para ser uma cozinha ou lanchonete. Ali, a sujeira e o mau cheiro dominam. Vidros quebrados, porta retorcida, enfim, abandono total. O mato e o lixo no entorno contribuem para que o local seja mal frequentado, um problema real para as famílias do bairro.
No “Maria Boaro” “Tira foto mesmo, quem sabe alguém resolve arrumar a quadra pra gente”, disse um garoto que jogava basquetebol com seu amigo na quadra de esportes do bairro Maria Boaro. A falta de estrutura do local é o que mais impressiona. Quem resolve se aventurar para ir até lá precisa passar por um caminho aberto pelos próprios frequentadores, já que nos arredores só há mato e mais nada. Uma quadra no meio do mato.
No “Domingos de Sylos” Desoladora é a palavra correta para a cena encontrada no local que abrigava um pequeno centro de entretenimento no bairro Domingos de Sylos. O campo de futebol é mantido por pessoas da própria comunidade que, por amor ao esporte e por não terem outra opção de lazer no bairro, fazem de tudo para que o campo não acabe se tornando extensão do matagal do entorno. “Se a bola cair do outro lado, quem é que tem coragem de pegar? Quantas nos já perdemos aqui”, disse um jovem que batia bola com um amigo, quando da chegada da reportagem. A quadra, ao lado, não apresenta qualquer condição de ser utilizada, o cimento quase não existe mais, nem redes, nem traves ou qualquer outra característica que faça um visitante acreditar que ali havia jogos. Alambrados cortados e enferrujados, lixo e mato nos arredores dão o ar de total abandono. Praticamente sem telhado, o barracão abriga um barzinho, três banheiros, uma quadra de bocha e outro espaço que não permite definição devido às más condições. O bar funciona aos fins de semana com a finalidade de arrecadar dinheiro para a manutenção do campo de futebol. Quebrados, os banheiros cederam lugar ao lixo. O mau cheiro é dominante. Há mato e sujeira por toda parte. “Já fizemos de tudo e ninguém vem aqui para ver como isso aqui está”, disse um morador.
No “Vale do Redentor” Terminal - Com sua construção iniciada em meados de fevereiro, o terminal de ônibus do Vale do Redentor teve suas obras paradas há cerca de um mês. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que a paralisação é temporária porque uma estrutura, que será utilizada no terminal, está sendo montada fora da cidade. PSF - Outro prédio que teve sua construção parada fica ao lado da estrutura do terminal, destinado a abrigar o Programa Saúde da Família (PSF). Sem nenhuma proteção que impeça a entrada de desocupados, a obra está totalmente aberta ao mau uso. Nos arredores há mato, lixo e sobras de material de construção. De acordo com a assessoria de imprensa, os funcionários desta obra foram destinados a atender primeiramente a construção do PSF do Buenos Aires, que está com os prazos atrasados.
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Alambrados cortados e enferrujados, lixo e mato nos arredores dão o ar de total abandono
Uma quadra no meio do mato: frequentadores abriram seu próprio caminho
A obra do PSF está totalmente aberta ao mau uso
Comunidade sugere a manutenção da quadra já existente
A guarita abriga restos do que foi investido para ser uma cozinha ou lanchonete
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Gazeta do Rio Pardo - Fundada em 03/01/1909 | ANO 101