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03-05-2010 - 14:26:30
Marcenarias sobrevivem com tecnologia
Com a chegada de novos produtos para a matéria prima, o trabalho está mais fácil para os marceneiros
Antes artesanal, serviço ganhou modernidade para continuar no mercado Izildinha Campos

As questões ambientais e a necessidade do mercado fez modernizar a produção de móveis. O trabalho antes artesanal ganhou em tecnologia e faz crescer o ramo das marcenarias, principalmente aquelas voltadas à produção móveis planejados. Em São José do Rio Pardo, duas empresas visitadas pela reportagem nesta semana exemplificam a luta dos pequenos empresários para consolidar os negócios e dar continuidade ao ofício aprendido com os pais.

Modernização

No mercado há 20 anos, Luis Fernando Esteves, da Marcenaria Esteves, herdou do pai a profissão, que era exercida no fundo do quintal da casa da família. Quando o pai se aposentou ele tinha 18 anos e assumiu a marcenaria, que fazia pequenos consertos e produzia alguns móveis.
Luiz Fernando foi se modernizando e especializando através de cursos. “O mercado foi exigindo, ou eu me especializava ou fechava a empresa”, comenta.
Preparado para aumentar a produção, Luís colocou a esposa Simone na administração dos negócios. A pequena marcenaria foi transformada em empresa. Foram adquiridos novos equipamentos para facilitar a produção e economizar mão de obra. Houve contratação de funcionários e hoje a empresa fabrica móveis sob medidas para residências ou estabelecimentos comerciais, além de possuir um show room que “abriu as portas da empresa para o mercado”, de acordo com o proprietário. “Tenho que esforçar para dar conta dos pedidos”, afirma Luís Esteves, comentando a grande procura pelos serviços.
A empresa tem 8 funcionários e pretende ampliar o espaço de produção dos móveis. Luís recorda que a modernização foi essencial para permanecer no mercado. “Antes tudo era diferente. Desde a fabricação até os projetos, que eram feitos à mão. Hoje e tudo no computador”. Ele ainda comenta que com a chegada de novos equipamentos e o surgimento de novas matérias primas, o trabalho passou a ser mais fácil e o preço acabou ficando melhor facilitando os negócios.

Começo difícil
Os irmãos Saulo e Marcelo Gomes, da Marcenaria Gomes também estão no mercado há bastante tempo, mais precisamente há 15 anos. Eles atuam na fabricação de móveis modulados e também herdaram o oficio do pai. Trabalhavam como empregados e depois de um tempo sem emprego decidiram abrir a própria empresa. Arrendarem uma marcenaria por três meses, mas os negócios não foram adiante.
Desempregados mais uma vez, os irmãos até recebiam propostas de trabalho, mas não tinham onde fabricar os móveis que eram encomendados. “Nós ficamos sem ter como trabalhar. Sem dinheiro, resolvemos fazer um empréstimo para pagar em 12 vezes. Compramos 8 máquinas, alugamos um barracão e começamos”, diz Saulo Gomes.
O que ajudou, no início, segundo Saulo, é que eles já eram conhecidos pelos serviços que haviam prestado em outras marcenarias. Não demorou muito tempo, ganharam confiança no mercado e adquiriram um espaço próprio, para sair do aluguel.
Saulo se lembra que, nos primeiros anos foi difícil. Diz que o investimento era alto e enfrentou a crise da moeda brasileira, num período em que o ramo da construção civil praticamente parou. Superada a crise, os negócios foram se ajustando e não pararam mais.
A exemplo dos Esteves, os irmãos Gomes também tiveram de se ajustar às mudanças para continuar trabalhando. Antes, a produção de móveis utilizada o compensado, depois veio o MDP, que já vem envernizado, facilitando a produção e economizando na mão de obra. “Com esse material, a mão de obra acaba saído pela metade preço e com qualidade”, diz. “O trabalho ficou mais simples e com isso concorremos com grandes empresas que vendem móveis prontos. O produto de madeira maciça custa o dobro do produto com o MDP”, completa.
Atualmente a empresa tem 5 funcionários e fabrica todo tipo de móveis modulados, sob medidas.




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Gazeta do Rio Pardo - Fundada em 03/01/1909 | ANO 101