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Cleber: ‘Árbitro de vídeo veio para ajudar’

Cleber: ‘Árbitro de vídeo veio para ajudar’

Ex-árbitro defende o VAR, mas prevê melhorias no sistema após o final da Copa

 

O ex-árbitro profissional de futebol Cleber Wellington Abade concedeu nesta semana entrevista ao repórter Luis Fernando Benedito, da Gazeta, para falar sobre o sistema de vídeo-arbitragem VAR (sigla em inglês de Video Assistant Referee) ou seja Árbitro Assistente de Vídeo, que vem sendo usado na Copa do Mundo da Rússia.

Cleber lembrou, inicialmente, que o VAR é um grande projeto que vinha sendo desenvolvido há tempos e que já havia sido posto em prática em eventos maiores da FIFA, embora ainda não em caráter definitivo. “O VAR, com certeza, vem para ajudar porque é necessário que o futebol tenha essa tecnologia para que se busque o resultado correto. Claro que passará por melhorias, é a primeira vez que está sendo utilizado (em Copa do Mundo),então ao final da Copa eles irão analisar os pontos favoráveis e os que precisam ser melhorados para que, nas próximas competições, ocorram alguns ajustes”, afirmou.

Para Cleber, se não houvesse o VAR, jogos como o da França e Austrália, por exemplo, em que três lances foram de difícil interpretação ao árbitro de campo, as faltas ficariam sem esclarecimento correto. “Temos que tomar por princípio que o VAR veio para salvar aqueles erros grotescos. Todos os lances que são de interpretação não cabem interferência dessa tecnologia. Cabe ao VAR, por exemplo, uma agressão fora da vista do árbitro, um momento em que o jogador recebe o cartão amarelo e já tinha o amarelo, um cartão mostrado para um jogador e que deveria ser para outro, lances de impedimento em que na sequência saem gols e interferem diretamente no resultado, e os lances de falta dentro da área em que todos consideram pênalti”.

Análise silenciosa

O ex-árbitro explica que em lances interpretativos de penalidade máxima, nos quais uma câmera aponta que foi pênalti e outra deixa dúvidas na mente humana, não pode haver interferência do VAR na decisão pessoal do árbitro. Citou o primeiro jogo do Brasil, contra Suíça, quando o zagueiro Miranda teria sido empurrado no gol de empate dos suíços e um suposto pênalti em Gabriel Jesus. Cleber disse o seguinte: “Existe a análise silenciosa. Enquanto a partida está correndo, o árbitro de vídeo está analisando e foi o que aconteceu no primeiro jogo do Brasil. Se identificassem que era um lance claro, chamariam o juiz de campo e pediriam que ele visse o VAR. Nos dois lances do Brasil, entenderam que não eram lances claros, mas interpretativos”.

Cleber também fez uma distinção entre os lances que são passados na televisão em câmera lenta e que causam uma impressão de falta a quem assiste, e os lances ao vivo, no gramado da partida, em que o árbitro tem fração de segundos para decidir, tendo como base a rapidez da jogada. “A câmera lenta nem sempre é uma imagem real porque um contato físico nela dá impressão de que se está matando a pessoa. E, na verdade, no contato normal de jogo, às vezes, não é para falta ou para deslocar a pessoa como na câmera lenta”.

Sobre os dois lances citados antes, de Gabriel Jesus e Miranda no jogo contra a Suíça, Cleber entende que a interpretação do árbitro do jogo foi correta e que não houve irregularidade alguma em ambos. Lembra que Miranda sequer reclamou imediatamente de falta após o gol, nem o goleiro Alisson, mas só depois que viram a imagem no telão. O que houve, segundo opinou, foi um erro de posicionamento da defesa brasileira naquele momento. Ele recorda que em uma partida do São Paulo contra o Corinthians, o próprio Miranda empurra o zagueiro Chicão de forma mais acintosa para cabecear e fazer um gol.

VAR no Brasil

A utilização do VAR no Campeonato Brasileiro de Futebol, segundo ele, já era para ter ocorrido em 2017, mas passou para este ano e agora foi transferida para 2019. “Mas só vai ser implantado em grandes campeonatos em que a receita vale a pena investir neste tipo de equipamento. De início, só de taxa de arbitragem a mais o custo aumenta R$ 6 mil por partida. Fora isso, terão que implantar várias câmeras que não fazem parte das 36 câmeras de TV que transmitem os jogos hoje. Para o árbitro de vídeo terão que ser implementadas novas câmeras, com licitação para uma empresa ganhar, e precisa haver um treinamento para quem as usar. E essas pessoas precisam usá-las em ângulo que favoreça a tomada de decisão porque, se não houver boa definição de imagem, atrapalha mais ainda”.

Mencionou também a tecnologia da linha do gol, ou seja, lances em que há dúvida se a bola entrou ou não inteiramente. Nesta Copa ela foi usada no primeiro jogo da França, em que uma bola bate no travessão e desce, entra completamente um centímetro atrás da linha do gol e volta para o campo. Parecia não ter entrado inteiramente, mas a tecnologia mostrou que houve gol. O árbitro consultou não o VAR e sim seus dois relógios (que custam US$ 5 mil cada), que receberam mensagem da câmera atrás do gol confirmando que a bola entrara.

Cleber Abade: VAR veio para salvar os erros que são grotescos

 

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