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Sete rio-pardenses morreram nas lutas de 32

Sete rio-pardenses morreram nas lutas de 32
Feriado paulista de 9 de Julho tem fatos históricos lembrados por Marcos De Martini
Nesta segunda-feira, 9 de julho, feriado em todo o estado de São Paulo, comemora-se o que ficou conhecido como Revolução Constitucionalista de 1932, quando tropas de voluntários paulistas lutaram contra soldados das forças federais que apoiavam Getúlio Vargas. As batalhas duraram três meses e os paulistas foram derrotados, mas forçaram Vargas a convocar uma nova constituinte.
Sete (7) rio-pardenses morreram naqueles conflitos: Álvaro Ribeiro de Souza, Aristeu Silvestre de Jesus, Benedito Lourenço de Oliveira, Ferrúcio Tolezi, Francisco de Simone, José Pedro de Silos Santos e Paulo Pinto da Silveira.
O professor de história da FEUC, Marcos de Martini, fez um breve histórico dos acontecimentos de 9 de julho e defendeu que os rio-pardenses mortos nos conflitos sejam, de alguma forma, mais lembrados em São José do Rio Pardo. Embora um busto exista em frente a Câmara Municipal para homenageá-los, ele acha pouco.
Como ocorreu
De Martini recorda que o gaúcho Getúlio Vargas havia perdido as eleições presidenciais para o paulista Júlio Prestes mas, mediante um golpe de estado, assumiu o poder em 1930. As oligarquias paulistas, porém, não o aceitaram e iniciaram articulações contrárias.
“A grande justificativa paulista foi que, a partir de 1930, Getúlio Vargas passou a governar de forma autoritária, por decretos, não respeitando a constituição brasileira. Foram dois anos de atritos e desgastes políticos entre as forças que sempre governaram o Brasil, tendo São Paulo como um dos destaques da chamada política café com leite (alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais), e aquelas novas oligarquias agora comandadas por Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul, que assumiram o poder. Então, São Paulo, desejoso de voltar ao domínio político, faz uma pressão muito grande para a normalidade política, para que o país tivesse novamente uma constituição que desse legalidade à nação a partir daí”, recordou o professor.
São Paulo fica só
As tensões políticas entre paulistas e os que apoiavam Vargas se intensificaram nos primeiros dois anos da década de 1930. São Paulo imaginava ter o apoio de Minas Gerais e outros estados, inclusive de gaúchos descontentes com Vargas, mas na “hora H” acaba ficando isolado.
“Uma data marcante é 23 de maio de 1932, quando ocorreu uma série de protestos na capital paulista entre defensores e contrários a Getúlio Vargas, e o resultado disto foi a morte de quatro manifestantes. Esse fato deu origem ao famoso movimento MMDC, iniciais dos quatro jovens estudantes mortos naquele dia: Martins, Miragaia, Drausio e Camargo, Essa mobilização acabou se tornando a bandeira do movimento paulista, uma luta pela redemocratização que, na verdade, escondia interesses do jogo político daqueles que desejavam voltar ao comando do país”, interpretou De Martini.
Então, de 23 de maio a 9 de julho as tensões vão aumentando até que São Paulo faz a opção pelo ato militar para a retirada de Vargas da presidência. A Polícia Militar paulista convoca voluntários pelo único veículo de comunicação da época, o rádio, motivando jovens a pegarem em armas e partirem para a guerra.
Surgem então três frentes de batalhas mais conhecidas: na divisa com o Paraná, no Vale do Paraíba (tropas vindo do Rio de Janeiro contra tropas paulistas) e desta região do interior de São Paulo em direção a Minas.
“De Campinas para a nossa direção e rumo à fronteira de Minas, como Poços e Guaxupé, aconteceram batalhas intensas dos soldados que fizeram parte das forças paulistas. Inclusive São José do Rio Pardo participou intensamente, mobilizando soldados que se alistaram às forças paulistas e houve este confronto aqui na nossa região”, destacou o professor.
Conflitos na região
Ele recorda que, no conflito, soldados mineiros rechaçaram os paulistas que haviam avançado em direção a Guaxupé e vieram para São José e Mococa. Isso gerou medo intenso nos moradores e boatos do que os mineiros poderiam fazer com quem encontrassem pelo caminho. As tropas de São Paulo foram derrotadas e os combates acabaram dia 2 de outubro de 1932, com a rendição paulista. Na capital paulista, o Obelisco do Ibirapuera é um marco construído para simbolizar a dor da perda da vida dos quatro estudantes.
No ano seguinte, entretanto, Getúlio Vargas convoca uma assembleia constituinte para elaborar a Constituição, que seria promulgada em 1934. Isso daria certa legalidade ao governo Vargas e o credenciaria a ser reeleito indiretamente naquele ano. Vargas acabaria ficando 15 anos no poder, mas, em grande parte, de forma autoritária.


9 de Julho
Cartazes oficiais do movimento MMDC, sigla dos estudantes mortos, conclamando paulistas à luta

Marco de Martini, professor de história: São José deveria se lembrar melhor dos mortos no conflito

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