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Diabetes infantil cresce 800% em São José do Rio Pardo

Falta de atividade física e alimentação inadequada são as principais causas do tipo 2

Médico endocrinologista Everton Scaramello

Dados apurados pela reportagem da Gazeta do Rio Pardo junto à Saúde municipal indicam que o número de crianças – de 3 a 10 anos – afetadas pelo diabetes cresceu 800% nos últimos dois anos, saltando de 2 para 18 casos. Nesse número também estão incluídas uma criança de oito meses e outra de apenas três meses de idade.

Esse crescimento dos casos, de acordo com o médico endocrinologista Everton Ricieri Scaramello, que também atende no Posto de Saúde local, é registrado em relação ao diabetes tipo 2. “Existem dois tipos de diabetes. O tipo 1 normalmente se dá em crianças e adolescentes e adultos jovens. É um tipo de doença autoimune, ou seja, o organismo entende que a célula beta do pâncreas é inimiga e destrói essa célula. Mas o que temos visto muito nos últimos tempos é criança com diabetes tipo 2.”

Segundo ele, esse fator está ligado ao estilo de vida e à obesidade. “O diabetes tipo 2 é uma doença que está intimamente relacionada com o ganho de peso. Ou seja, pacientes obesos têm uma chance enorme de se tornar diabéticos na fase adulta. Mas o que estamos vendo são crianças muito novas já com diabetes.”

O endocrinologista afirma que a obesidade é uma doença que precisa ser tratada. “Os familiares não percebem que a criança está ganhando peso e acham que é bonitinho, que é normal, que tem o padrão familiar. Mas não é assim.”

De olho na alimentação

Falta de atividade física e alimentação inadequada são as principais causas, de acordo com o médico. “O problema às vezes não é comer muito, mas sim comer errado. Às vezes a criança se priva de um prato de alimento para comer coisas que não são tão importantes, mas são muito calóricas e levam ao ganho de peso. Isso é um dos fatores principais que leva ao diabetes tipo 2 em criança.”

Ele cita como exemplo o refrigerante. “Só para se ter uma noção, uma latinha de Coca-Cola possui nove colheres de açúcar, ou seja, é uma quantidade absurda; não há pâncreas que resista a uma quantidade enorme de açúcar. Se a criança tomar uma quantidade de refrigerante todo dia, fatalmente ela se tornará diabética e obesa.”

Mas o diabetes não atinge somente pessoas obesas; a criança magra também pode contrair a doença. “Se a criança come de forma errada, todo dia o organismo é agredido. Vai chegar uma hora que esse pâncreas não terá mais insulina para produzir, então a pessoa se torna um diabético.”

Os vilões

Além do açúcar, outro vilão para o organismo é o carboidrato: arroz, mandioca, batata, polenta, pão, macarrão. “Depois de duas horas que consumimos isso, 100% deles se transformam em açúcar. Então há pacientes que afirmam não comer doce e perguntam o motivo de o diabetes estar alto. Mas se a pessoa consumir uma quantidade enorme ou exagerada de carboidrato, o excesso dele é transformado em açúcar, e aumenta a glicose”, explica.

Segundo o médico, os sucos industrializados são tão maléficos quanto os refrigerantes. “Nada ali é natural, pois tem uma quantidade de açúcar enorme. Eu diria que é a mesma quantidade ou até maior que no refrigerante.”

Adoçante

Everton recomenda a utilização de adoçante em sucos naturais, no lugar do açúcar. “Não há nenhum trabalho na literatura médica mostrando que existe empecilho no uso do adoçante para crianças. Pelo contrário. Temos adoçantes hoje que são muito bons e usados até para gestantes e sem problema algum, como o sucralose, que é derivado de um subproduto da cana-de-açúcar e não deixa resíduo na boca.”

Sem cura

O diabetes é uma doença crônica e evolutiva. “A pessoa começa tomando um remédio, depois de passar 10, 12 anos ele começa com insulina, ou às vezes toma quatro, cinco medicamentos. Só que o fator principal para que essa doença evolua é a regra que o paciente não tem: atividade física e  alimentação correta.”

Tratamento

O diabetes tipo 1 é tratado com insulina injetável. Para o tipo 2 o tratamento pode ser iniciado com medicação e pode ou não evoluir para a insulina. “Existe um programa do governo que fornece insulina para os pacientes e alguns medicamentos. Mas acho que está muito aquém ainda da necessidade dos pacientes. Temos medicamentos muito bons no mercado, e que infelizmente não conseguimos colocar na rede pública.”

Epidemia

Quarta doença que mais mata no mundo, o diabetes pode ser evitado. “Se não mudarmos os hábitos agora, e estamos enfrentando uma epidemia de obesidade, futuramente teremos uma epidemia de diabetes. E isso será uma catástrofe no sistema público de saúde; não vamos dar conta de atender tanta gente assim. Se não mudarmos os hábitos agora, o preço lá na frente será muito alto.”

Light ou diet?

O endocrinologista explica a diferença ente produtos light e diet. “Light é quando se tem 30% a menos de calorias em relação ao produto original. Por exemplo: uma lata de Coca-Cola tem em torno de 120 calorias, já o refrigerante light possui zero caloria. E diet é quando não é encontrado um determinado produto naquele alimento. Por exemplo: não existe só diet e açúcar, existe o diet e o sódio. Há alimentos que são diet e o sódio. A maioria que conhecemos são os diets e os açúcares, mas existe também o diet e o sódio, além de outras substâncias.”

Fonte: Gazeta do Rio Pardo

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