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Rádio ainda é mídia forte, dizem especialistas

Rádio ainda é mídia forte, dizem especialistas

Eles falaram no 28º Congresso de Radiofusão da ABERT, em Brasília, em agosto

 

Por unanimidade, os maiores especialistas do meio radiofônico falaram em Brasília, no 28º Congresso de Radiofusão da ABERT, em agosto, que o rádio continua sendo uma mídia fortíssima no Brasil e em vários outros países. Acreditava-se que, com o avanço da tecnologia e da internet, o rádio deixaria de existir e até acabaria no Brasil. O que vem ocorrendo, porém, é exatamente o contrário – ao menos na avaliação de Milton Jung (CBN), Nilson César (Jovem Pan) e Ricardo Boechat (Bandeirantes). O pronunciamento dos três no evento foi gravado por Henrique Torres, que esteve presente e usou o que eles declararam no programa Questão de Oportunidade, da 88+FM de São José do Rio Pardo.

Milton Jung

Minton Jung foi o primeiro a falar. Lembrou que o rádio começou com locutores em pé e falando ao público em um auditório, razão pela qual ele até hoje trabalha dessa forma na CBN. Atuando há 34 anos como locutor, ele começou na rádio Guaíba de Porto Alegre, passou por outras mídias, inclusive impressas, e em 1998 voltou para o rádio. “Sou um dos apaixonados, não necessariamente pelo rádio, mas pelo jornalismo de rádio”, revelou. “”Eu não entendo do negócio rádio, não entendo do rádio musical, eu entendo é do jornalismo no rádio”.

Jung lembrou que em 2004 lançou um livro chamado Jornalismo de Rádio e nele havia a primeira frase, escrita pelo Alberto Dines: “O rádio é a mídia do futuro”. Dines e Jung estavam na redação do portal Terra falando sobre o futuro das comunicações e discutindo a internet naquele ano. Depois disso, dialogando com um empresário de comunicações que hoje vive nos EUA, este lhe disse que a rádio tem todas as características das novas mídias: interação, velocidade, personalização/customização, portabilidade/mobilidade e multiplataforma.

O jornalista da CBN disse também que o rádio hoje tem tudo a ver com podcast (novo formato de rádio) e com as caixas de som inteligentes, que privilegiam o áudio. Lendo o tema do evento em Brasília – “Rádio, uma mídia cada vez mais local e interativa” -, Jung disse não ter dúvidas sobre isso. Citou a própria CBN como sendo a rádio de notícias mais ouvida hoje no Brasil, segundo uma pesquisa (que ele não mencionou qual era) recente, alcançando 8 milhões de pessoas, mas agora partindo para um espaço na programação para notícias locais. “O brasileiro quer se ouvir na sua região e a gente sabe que este Brasil tem diferentes sotaques”, salientou. “Mas sem gente, sem repórter na rua, não faremos o rádio e perderemos espaço para as outras mídias”.

Nilson César

Nilson César, locutor esportivo da Jovem Pan, foi outro a usar da palavra. Natural de Sorocaba, está na JP há 36 anos e já cobriu cerca de 200 GPs de Fórmula 1 e oito Copas do Mundo, entre outros feitos esportivos. “A tecnologia nós estamos acompanhando, mas se você não investe em qualidade, em gente vocacionada, em gente que trabalha com alma, não tem rádio”, argumentou. “Os estudantes de jornalismo esportivo precisam de referências, precisam conhecer os ícones desse meio, como Fiori Giglioti, José Silvério e outros, para terem em quem se espelhar. Quem sustenta o rádio? É a tecnologia? Não é, é o profissional do rádio”.

A instantaneidade, dinamismo e rapidez do rádio, segundo ele, são as grandes vantagens desse veículo sobre outros. “Mas não devemos esquecer que ele é feito de gente e que não se faz um Boechat ou um Jung a qualquer hora, porque isso é dom, é vocação”, reiterou. Sabendo que boa parte da plateia em Brasília era formada de donos de emissoras, Nilson César repetiu: “Invistam em gente, acreditem, comprem máquinas, avancem tecnologicamente em suas emissoras, mas não esqueçam que quem faz a sua emissora é o profissional, é gente”.

Ricardo Boechat

Ricardo Boechat, da Bandeirantes, foi o nome mais aguardado naquele segmento de palestras da ABERT. Começou falando que, em termos empresariais e publicitários, o rádio há muito tempo é uma das mais importantes mídias do país e do mundo, embora tenha, sim, atravessado cerca de duas décadas de forte desvalorização por conta das outras mídias que cresceram. O recrudescimento do rádio, segundo ele, ocorreu principalmente nos grandes conglomerados urbanos por conta das muitas horas de congestionamento no trânsito, que fazem com que as pessoas queiram ouvir algo enquanto enfrentam aquela estressante rotina diária de ida e volta ao trabalho.

Outro fator favorável ao rádio, na opinião dele, é que ele é o veículo que provoca uma memória afetiva mais próxima do brasileiro. “Este vínculo de memória e de história com o ouvinte permite, mais do que a televisão (que impessoaliza e distancia este contato), mais do que a mídia impressa (que nem este contato estabelece), é a mídia mais humana do coração e da mente. Ele tem uma espécie de elo de intimidade com a audiência, uma humanização que, até hoje, não surgiu mídia de massa que possa preencher esse tipo de lacuna”, comparou.

Essa relação do rádio com a memória das pessoas e com a história, segundo Boechat, gera confiança. Isso, porém, impõe aos profissionais de rádio e aos empresários do setor certas responsabilidades. “Vou dar um exemplo: a minha geração e a que me antecedeu tinha no Seu Repórter Esso (primeiro programa de jornalismo da rádio e da TV brasileiras) um marco diário. O país parava para acompanhar. Essa força persistiu muito tempo e depois foi conquistada pela Globo, pelo Jornal Nacional, que hoje ocupa, há muito tempo e com méritos, a liderança do segmento. O Seu Reporter Esso tinha uma vinheta, uma música de introdução que o apresentava assim: ‘Está no ar o Seu Reporter Esso, testemunha ocular da história’. Este é o título que os nossos corações carregaram quando fomos atraídos por esta profissão maravilhosa. Mas depois de velho, fui fazer um exercício de memória, uma autocrítica e descobri que com 47 anos de jornalismo eu não testemunhei porra nenhuma. Nunca vi uma queda de avião, nunca vi um choque de trens. Morando no Rio de Janeiro por décadas nunca presenciei um assassinato, o que é sorte e é raro, embora tenha visto assaltos e sido assaltado várias vezes. Nunca vi um prédio desabando, embora de tudo isto eu tenha falado e analisando nesses 47 anos”.

O que aconteceu como “testemunha ocular da história”, segundo ele, foi que jornalistas divulgaram ao longo das décadas o depoimento de quem testemunhou fatos relevantes, editando e massificando os fatos. “O que aconteceu de 10 ou 15 anos para cá? A tecnologia, diabólica como sempre foi, inventou os aparelhinhos que se tem no bolso e que o Brasil, um país pobre, tem a maior massa de celulares do mundo. E com este instrumentozinho aquela testemunha ocular da história vê o fato histórico acontecendo, captura em imagem ou áudio, edita, legenda, agrega recursos de sonorização e espalha para milhões de pessoas. Isso coloca em dúvida o que será dos veículos de comunicação de massa, de jornalismo. Aí que eu acho que está o pulo do gato, que responde um pouco o tema do nosso painel: trazer para dentro do estúdio do rádio, não fisicamente, mas na elaboração de seu conteúdo, essa testemunha ocular para ser voz ativa de seu conteúdo”, concluiu.

 

 

Jussara Simonetti encerra a série ‘Mulher que faz’

Na sexta-feira, dia 24 de agosto, no Programa Encontro Marcado, de Priscila Abreu, na 88+FM, houve o fechamento da série de entrevistas programadas para a semana da “Mulher que Faz”. A convidada foi Jussara Simonetti, da ONG Mapear, que lembrou que esse projeto surgiu após ela passar por uma situação pessoal muito difícil: a perda de um filho em acidente.

Depois disso, segundo relatou, em um encontro informal de mães que passaram pela mesma situação, Jussara reencontrou uma antiga amiga, a médica Viviane Rodela. A amizade se fortaleceu ainda mais e ambas passaram a organizar encontros de pessoas para encorajamento mútuo. Pouco tempo depois, porém, Viviane perdeu sua filha também.

Isso fez com que os laços fraternos entre elas crescessem ainda mais e, após uma viagem a Manaus, ambas tiveram a ideia de fazer o bem a menores desamparados mediante a implantação de um projeto de educação social. Foi assim que surgiu o Mapear. “Foi um projeto pensado por Deus, um projeto de amor trazido a nós”, assegura Jussara, explicando que o nome foi uma inspiração da dra. Viviane, já que Mapear é a abreviação de “Mobilizando amigos pelo amor”. Ao mesmo tempo, é a junção das iniciais dos filhos falecidos de ambas, Mariana e Pedro.

O projeto oferece nove oficinas, incluindo dança, música, capoeira, artes gráficas, jogos lúdicos, sustentabilidade, dentre outras. Tem ainda atividades como ‘zumba’ para as mães da comunidade. Os requisitos para as crianças participarem do projeto são: ter entre 6 e 15 anos, morar no bairro Domingos de Sylos e estar matriculado em escola pública. A sustentação financeira dos gastos com elas ocorre mediante uma verba da Prefeitura e receitas de eventos beneficentes, além das doações da população.

Atualmente a ONG conta com 62 crianças e vários voluntários, que se prontificam a ajudar em várias áreas. Jussara convida os interessados a uma visita ao Mapear e se orgulha em dizer que o projeto a torna cada dia melhor. “Pergunte ao meu marido, ele sempre diz que eu fico melhor quando chego ao Mapear”, concluiu.

Rayra, Jussara e Priscila fazem um self no estúdio da 88+FM

 

 

 

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