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No Mosteiro, a arte de construir maquetes

Irmão Divanil Tadeu de Oliveira já construiu 60 maquetes; algumas foram doadas para o Museu Rio-Pardense

Maquete do Museu Rio-pardense "Arsênio Frigo" - Foto Gazeta do Rio Pardo
Maquete do Museu Rio-Pardense “Arsênio Frigo” – Foto Gazeta do Rio Pardo

A vida de monge foi descoberta na pequena Itaporanga, cidade de cerca de 15 mil habitantes que está localizada no interior do Estado de São Paulo, divisa com Paraná. Mas não por acaso, já que é lá que se localiza aquele que é considerado o 3º maior mosteiro brasileiro junto à Abadia Cisterciense de Nossa Senhora da Santa Cruz.

“Descobri a vida de monge na minha terra, através da Renovação Carismática que vislumbrou a minha vocação. Procurei o Dom Estevão Stock, da Abadia de Itaporanga, que entrou em contato com Dom Orani Tempesta, e no final do ano de 91 eu vim para o Mosteiro São Bernardo”, lembra o Irmão Divanil Tadeu de Oliveira.

Em 1997, nem mesmo a descoberta de que estava doente o desanimou. “Com a saída do Dom Orani para bispo de Rio Preto, neste momento a vida ‘deu um baixo’. Daí em diante, até hoje, estou lutando contra a doença e carregando uma bolsa de colostomia, mas nada parou. Sempre continuei, fui forte.”

Divanil não só continuou seus trabalhos no Mosteiro como fez questão de ampliá-los. “Comecei a construir maquetes e com o tempo aprendi a fotografar. Agora estou aprendendo a pintar quadros. Aprendo tudo sozinho, nunca tive professor para ensinar. Creio que seja dom de Deus, uma iluminação do Espírito Santo.”

A arte da fotografia veio depois, segundo ele. “Comecei a fotografar com uma máquina pequena no primeiro mandato do Padre Paulo, em 2008/2009, e fui gostando. É uma arte que estou aprendendo sem professor, gosto de fazer esse trabalho. Faço para a Paróquia São Roque e também para outras que solicitarem.”

Ele já teve, inclusive, várias fotos de sua autoria publicadas em Gazeta do Rio Pardo.

 

Construção de maquetes

Desde o início dos trabalhos até os dias atuais, Divanil diz que já construiu 60 maquetes e várias delas foram doadas ao acervo do Museu Rio-pardense “Arsênio Frigo”, como as da Igreja São Roque e do Mosteiro São Bernardo.

Atualmente ele trabalha nos últimos detalhes da maquete do Santuário de Lourdes da França, assim como na maquete da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, de São José do Rio Pardo. “É para o centenário da Gruta em 2018, mas com certeza também será doada para o Museu.”

Segundo ele, as maquetes mais trabalhosas foram as da Torre Eiffel, da Torre de Pizza e do Santuário São Roque, que inclusive foi exposta no Desfile de Abertura da Semana Euclidiana deste ano.

Divanil diz que o tempo de confecção das peças varia conforme o tamanho e os detalhes. “Dependendo da maquete leva de 15 dias a um mês para ficar pronta. Para fazer a Torre Eiffel gastei 50 dias. É pura inspiração do momento, tem dia que não estou inspirado e nem mexo nas maquetes, mas em dias de inspiração o serviço flui. Cada maquete que faço é um aprendizado. Hoje eu uso a minha própria técnica.”

Para a construção das maquetes são usados materiais como papelão Paraná, cola e estilete, dentre outros. “Antes, quando o mosteiro tinha gráfica, eu usava o material daqui. Mas hoje preciso da colaboração de quem encomendar a maquete. A mão de obra também será custeada pela pessoa.”

Divanil diz que em São José do Rio Pardo o trabalho de confecção de maquetes não é valorizado como em cidades maiores. “Em São Paulo, a maquete do Santuário São Roque valeria de R$ 8 mil a R$ 10 mil; aqui vale muito menos. Dependendo do tamanho, cobro de R$ 200 a R$ 300.”

E os pedidos continuam chegando. “Tenho vários pedidos de cidades da região, como Vargem Grande do Sul e São João da Boa Vista. Essa valorização é boa para mim e para a cidade”, conclui.

Fonte: Gazeta do Rio Pardo

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