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Mesmo com preço ruim, cebola gera empregos

Mesmo com preço ruim, cebola gera empregos

Saco caiu para R$ 13/15 na roça, que durante 70 dias gera renda para catadores

Entrevista e fotos: Paulo Sérgio Rodrigues

Texto: Eduardo Eron

A cebola que vem sendo colhida em São José do Rio Pardo está com preço péssimo na roça e, mesmo assim, a quantidade de empregos que ela gera nesta época do ano continua sendo a sobrevivência de centenas de famílias rio-pardenses. Elas vão bem cedo, pela manhã, às áreas de plantio para a colheita e enchimento dos sacos de 45/50 quilos, sendo remuneradas por saco colhido. Os produtores, no entanto, estão angustiados com o preço atual.

Na terça-feira, 21 de agosto, data em que esta reportagem foi feita, a cebola estava sendo negociada na roça a um valor médio de R$ 13 ou R$ 15 o saco, sendo que o custo do produto, segundo os agricultores, é o dobro disso. Só para se ter ideia, um quilo da semente de cebola está custando hoje R$ 2.485,00 e em São José do Rio Pardo há produtores, como os Orfei, que plantaram este ano 330 quilos de semente em uma propriedade arrendada.

Ou seja, gastaram R$ 820.050,00 só com semente, fora os custos da aração da terra (tratores consomem diesel), do adubo aplicado (R$ 65 cada saco), da energia elétrica gasta com a irrigação e da mão de obra para arrancar, colher, cortar e ensacar.

Nei Orfei

Antônio Aparecido Orfei, o Nei Orfei, concedeu entrevista a Paulo Sérgio Rodrigues (Paulão, da Difusora AM), a pedido da Gazeta do Rio Pardo.  Ele explicou que os 330 quilos de semente foram das variedades Cristalina e Soberana, as que melhor se adaptam em suas terras, situadas nas proximidades da Fazenda São Geralda. O jornal consultou uma empresa que revende sementes na cidade e foi informado que a Soberana tem aquele custo mencionado acima: R$ 2.485 o quilo.

Segundo Nei, sua cebola começou a ser cortada no dia 22 de julho e a colheita continua, apesar do péssimo preço. No momento em que ele falava sobre sua safra, cerca de 100 trabalhadores braçais atuavam no corte e enchimento dos sacos. A grande maioria estava registrada pelo Condomínio responsável pela contratação da mão de obra no município. A previsão de Nei é de que sejam colhidos 100 mil sacos de cebola este ano, só naquela propriedade.

Péssimo

“A expectativa nossa é péssima, se girar no que estão falando hoje teremos um prejuízo de uns 50 por cento do que já gastamos e ainda vamos ter que gastar mais”, lamentou Nei Orfei. “É péssimo para nós, péssimo, pois é um dinheiro que investimos e não temos retorno”.

Indagado por Paulão se essa situação pode afetar a continuidade do plantio de cebola no município, ele respondeu: “Isso claramente afeta o nosso ânimo em continuar produzindo porque trabalhar sabendo que você irá tomar prejuízo, tem que pensar muito bem para o próximo ano. Porque, se tivermos outra perda como esta, não tem como voltar mais. A gente começa a perder o que tem para poder pagar as dívidas, né?”

O melhor preço que ele conseguiu na cebola nesta safra atual foi de R$ 38 o saco. “É preocupante tudo isso porque se nós pararmos e se os outros produtores de cebola também pararem, que será desse pessoal todo que colhe cebola para viver?”, indagou o agricultor. “É um emprego de mais ou menos uns 70 dias de corte de cebola envolvendo mais de 100 pessoas. Se eles aqui pararem e se os que trabalham em todas as demais lavouras de cebola do município pararem, o que vai acontecer com São José do Rio Pardo?”

Sugestão ao governo

Nei e outros produtores estão sugerindo a interferência do governo em custos como o do adubo, que em 2017 custava R$ 37 o saco e este ano subiu para R$ 65. A energia elétrica, que em 2017 era vendida a R$ 0,29 o quilowatt, hoje está custando R$ 0,42. “O governo deveria segurar o preço desses insumos e não segura, então, quando cai o preço de venda do produto na roça, o prejuízo é imenso”, lamentou Nei. “E mais: a mercadoria sai barata daqui e chega na mesa do consumidor cara. Na semana passada o quilo da cebola estava em R$ 2,75 no supermercado, enquanto na roça era vendida a R$ 0,50 o quilo”.

Ele concluiu: “Por que lá, no supermercado, o coitado do consumidor paga tão caro? É completamente errada essa política no Brasil. Que Deus ilumine a cabeça desse povo para ver se possa ter mais emprego para a população porque, do jeito que a coisa vai indo, está muito preocupante. Deus há de abençoar porque não é possível continuar assim”.

FOTOS

Este “mar” de sacos já colhidos de cebola está pronto para a comercialização

 

A sobrevivência de centenas de famílias depende da cebola no município

Ainda há muita cebola a ser cortada e ensacada nas terras dos Orfei

 

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