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A Independência com outros pinceis

A Independência com outros pinceis

Marcos De Martini

 

 “… Deus sabe o que ainda acontecerá conosco”. (Dona Leopoldina, 9 de junho de 1821)

 

A Semana da Independência, que tradicionalmente (isso faz tempo) levava os alunos a usarem uma fitinha em verde-amarelo no peito, está de luto, tirando muito desse colorido. O incêndio que dizimou muito de nossa história, anos de pesquisas e trabalhos científicos, pelo menos tem servido para atiçar o debate sobre como o país trata sua história e memória.  Quiçá, entre as cinzas deste drama levado ao conhecimento do mundo (outras perdas parecem não terem servido para mudar muito) possamos encontrar o caminho para um novo entendimento sobre nossa breve história temporal e nossa grandiosa cultura, a alma do povo brasileiro.

De forma provocativa, poderíamos lançar uma campanha inspirada na quarta-feira de cinzas, pós carnaval, e adotar o dia 2 de setembro como o “Dia das Cinzas da História Nacional”. Pintaríamos a testa numa cerimônia fúnebre à espera do dia da redenção de nossas instituições memorialistas, tal qual deve ser tratado um povo que não quer ser levado ao limbo.

A contragosto de muitos, recente pesquisa publicada pela Folha mostrou que há, sim, interesse do brasileiro por atividades culturais, como cinema, exposições, bibliotecas, teatro, museus. A cidade de São Paulo, que deve abrigar a maior quantidade de museus e os que mais recebem visitantes, sofreu grandes abalos nos últimos anos, com incêndios no Museu da Língua Portuguesa, Memorial da América Latina e Instituto Butantã.  Antevendo um mal maior, a cidade tem um de seus cartões postais dessa área fechado desde 2013. O Museu do Ipiranga (Museu Paulista) está com um cronograma de obras para reabertura somente no anos de 2022, às vésperas do bicentenário da independência. Vale lembrar que entre milhares de peças, o Museu Paulista guarda a famosa obra de Pedro Américo, “Independência ou Morte” (ou “Grito do Ipiranga”), de 1888, imagem símbolo do nosso sete de setembro de 1822.

Mas, entre olhares tristes e preocupados, vamos lembrar de outra obra ligada ao processo da independência. Trata-se do quadro pertencente ao Museu Histórico Nacional – RJ, “A sessão do Conselho de Estado que decidiu a Independência”, tela de Georgina Moura de Andrade, vencedora de concurso realizado em 1922, por ocasião do centenário da independência do Brasil.

A tela registra a reunião extraordinária do Conselho de Estado no Paço da Boa Vista (hoje o museu queimado), presidido pela princesa Leopoldina por conta da viagem do príncipe a São Paulo, no dia 2 de setembro de 1822. Motivada por esta reunião, D. Leopoldina teria expedido a carta que, lida às margens do Ipiranga, levou D. Pedro a proclamar a Independência do Brasil, rompendo com as Cortes de Lisboa. “Laços fora, soldados”. “As cortes querem mesmo escravizar o Brasil. Cumpre, portanto, declarar já a nossa independência. Desde este momento estamos definitivamente separados de Portugal: Independência ou Morte seja a nossa divisa!”

Lembrei-me desta pintura no momento em que as primeiras cenas do assombro carioca eram conhecidas. Confesso que pouco pude acompanhar, tal o mal-estar causado, na mesma medida ao assistir o desmanche no centenário prédio da estação da Luz, quando da queima do Museu da Língua Portuguesa, que por ser basicamente digital, poderá ser reparado em condições ainda melhores, tal o avanço da tecnologia. O mesmo não podemos esperar do museu carioca, já que não há tecnologia que possa restaurar artefatos produzidos pelo tempo e pelos homens que há muito se foram.

Que prevaleça a Independência até que a Morte nos tome, pela ação inexorável do tempo ou das labaredas dos criminosos incêndios.

 

Dia da Independência nas escolas

Na semana em que se comemoram os 196 anos da Independência do Brasil, o Tiro de Guerra 02 036, sob o comando do primeiro sargento Cláudio Luiz Tokarsky, visitou várias escolas da cidade.

Na última quinta, a quadra do Colégio Unigrau ficou lotada com os seus alunos e da EE Dr. João Gabriel Ribeiro, em mais uma apresentação. A atividade contou com a entrada solene da Bandeira e a execução do Hino Nacional.

Aproveitando o contato com as crianças, o comandante do TG apresentou uma série de objetos utilizados pelo Exército e explicou o que os atiradores rio-pardenses fazem, principalmente nas campanhas sociais, como arrecadação de agasalho e de combate ao mosquito da dengue.

Sargento Tokarsky explicando aos alunos os símbolos usados pelos atiradores do TG

 

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