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Supremo libera a pílula contra o câncer

Duas pacientes oncológicas de São José do Rio Pardo esperam voltar a ter acesso à substância

Rosemeire Grassi e as pílulas de fosfoetanolamina: “Não tenho dúvida de que elas são curativas” (Foto: Gazeta do Rio Pardo)
Rosemeire Grassi e as pílulas de fosfoetanolamina: “Não tenho dúvida de que elas são curativas” (Foto: Gazeta do Rio Pardo)

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou na quinta-feira (8), a uma paciente do Rio de Janeiro o acesso à substância contra o câncer fosfoetanolamina sintética, fornecida pela Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos. O órgão concedeu uma liminar suspendendo decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) do dia 29, que impedia a mulher de conseguir a substância porque, segundo o desembargador José Renato Nalini, não havia comprovação de que ela produzisse qualquer efeito no combate à doença. A decisão abre precedente para outros pacientes buscarem o STF.

Em São José

Aos 48 anos, Rosemeire da Silva Freitas Grassi é moradora de São José do Rio Pardo e convive com um tipo de neoplasia maligna (câncer) em algumas vértebras. A doença, além de lhe tirar os movimentos, a independência e a alegria pelas dores insuportáveis, a obrigou a conviver com altas doses diárias de morfina e dipirona. “Eu tomava 12 morfinas e um vidro de dipirona por dia. Fiquei 20 dias na cama, precisava de ajuda para tomar banho, para tudo. Hoje tomo banho sozinha, faço tudo com a graça de Deus”, diz.

A melhora, segundo Rosemeire, foi sentida aos poucos, após iniciar um tratamento com a substância fosfoetanolamina (ou fosfoamina) sintética, que ela começou a usar após saber do medicamento por meio de uma reportagem veiculada na televisão. “No sétimo comprimido eu já senti que as dores demoravam mais tempo para voltar. Então percebi que espaçava mais o consumo de remédios para seis, sete horas. Aí fui tirando a morfina. Hoje tomo uma morfina apenas. Tem dia que nem tomo.”

Rosemeire conta que as pílulas eram fornecidas a ela (e para tantos outros pacientes) pela USP de São Carlos. “No dia 28 de setembro fez um mês que eu tomo o medicamento e a melhora foi muito grande. O medicamento dá oportunidade de a gente viver um pouco mais, é nossa esperança. Eu já vivi 48 anos, mas quantas crianças não viveram ainda? É tão triste que não adianta a gente falar, mas quem tem câncer, e eu estou passando pela terceira vez, sabe o quanto é triste. Uma hora a gente pensa que vai morrer disso, não adianta. Mas aí eu penso o porquê não dão a oportunidade de viver um pouco mais… Alguma coisa precisa ser feita!”

 

Com o governador

Outra moradora de São José do Rio Pardo, Nilcéia Marin Semensato, que luta contra o câncer há 11 anos, não conseguiu obter a fosfoetanolamina antes da suspensão das liminares. Entretanto, aproveitou a visita do governador Geraldo Alckmin a Tapiratiba no último sábado, dia 3, para pedir pessoalmente o empenho dele no sentido de apressar a liberação do medicamento.

Ela ficou com esperança de usar a substância no tratamento. “Pedi ajuda do governador e do deputado Silvio Torres para que voltem a produzir o medicamento para que eu consiga tomar, porque conheço pessoas aqui em São José que tomam e viram melhoras, e também para ajudar na parte de experimento. Facilitar para que isso aconteça de forma mais sistematizada. Confio que o governador lutará por isso. É uma esperança para nós que fazemos tratamento contra o câncer.”

 

Prometeu verificar

Após tomar conhecimento do medicamento, o governador Geraldo Alckmin prometeu conversar com o secretário Estadual de Saúde sobre o assunto. “Pela informação que eu tenho, esse medicamento não tem aprovação da Anvisa, mas vou verificar com o maior interesse, vou conversar com o secretário para que verifique”, disse em entrevista à reportagem de Gazeta. “Já temos, por exemplo, a vacina contra a dengue. Ela está pronta, só que a Anvisa não deixa ninguém tomar essa vacina enquanto não tiver passado por três fases, pois pode haver consequências. A primeira fase é quando a vacina é elaborada, a segunda é quando os testes de laboratório são feitos e na terceira é feito o teste clínico. A Anvisa exige que se aplique em 16 mil pessoas no Brasil e depois colete sangue para ver o resultado, então tudo isso é muito rigoroso”, disse.

Fonte: Gazeta do Rio Pardo

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